São Paulo – Sob forte presença policial, milhares de pessoas se despediram nesta sexta-feira (1º/3), do líder da oposição russa, Alexei Navalny, em seu funeral em Moscou, após sua morte ainda inexplicada, há duas semanas, em uma colônia penal do Ártico. A multidão que homenageou Navalny diante de uma igreja num subúrbio da capital gritaram slogans contra o presidente russo, Vladimir Putin, e a guerra na Ucrânia, transformando o evento numa das maiores manifestações recentes de dissidência.
Pelo menos 67 pessoas foram detidas em eventos em toda a Rússia, segundo o OVD-Info, grupo de direitos humanos que monitora detenções políticas. A maioria foi presa ao tentar depositar flores em monumentos dedicados às vítimas da repressão soviética. Quando a morte de Navalny foi anunciada, no dia 16, a polícia prendeu centenas que tentavam deixar flores em memoriais.
Leia mais:
Funeral de Navalny reúne multidão em Moscou; veja vídeo
Funeral
Navalny foi enterrado após uma curta cerimônia ortodoxa russa, com uma grande multidão do lado de fora da igreja e depois acompanhando o caixão até o túmulo. A viúva, Yulia Navalnaia, que não foi vista no funeral, prometeu continuar o trabalho dele e postou uma homenagem no Instagram: "Obrigado por 26 anos de felicidade absoluta".
O funeral ocorreu após uma batalha com as autoridades pela liberação de seu corpo. Assessores de Navalny disseram que várias igrejas de Moscou se recusaram a realizar o funeral do homem que fez uma cruzada contra a corrupção e organizou protestos massivos contra o regime.
Muitos líderes ocidentais atribuíram a culpa pela morte a Putin, uma acusação que o Kremlin rejeitou. A equipe de Navalny finalmente obteve permissão de uma igreja, que foi cercada por barreiras de controle de multidão. Quando seu caixão foi retirado do carro funerário e levado para dentro da igreja, a multidão que esperava do lado de fora irrompeu em aplausos, gritando seu nome. Alguns também gritaram: "Não à guerra!" "Rússia sem Putin!" e "A Rússia será livre!" As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Agência Estado)