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Poder de compra, inflação, consumo

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29.01.2021 - 10:38:33
 
Já é sabido e notório o impacto que a economia brasileira sentiu e vem sentindo frente à crise provocada pela pandemia da covid-19. Diante disso, expectativas foram criadas em relação à atuação do governo. O que o governo brasileiro faria para minimizar os impactos negativos econômicos, sociais e no sistema de saúde?
 
E, ademais, quais os reais impactos das medidas e iniciativas governamentais?
 
O que podemos afirmar é que os impactos das iniciativas governamentais já podem ser sentidos de modo significativo. E aqui, vamos chamar a atenção para a inflação, seu comportamento no ano de 2020, seus efeitos tanto no que diz respeito ao poder de compra, quanto ao consumo propriamente dito. 
 
Iniciamos o ano de 2020 com uma inflação sob controle, ou seja, dentro da meta esperada pelo Banco Central brasileiro. Entretanto, ao longo dos meses, o que a população sentiu foi o aumento progressivo dos preços de bens de consumo básicos, como a carne, arroz, milho, feijão, dentre outros. Assim, esse aumento dos preços causou uma elevação da inflação, de modo que fechamos o ano de 2020 com uma inflação acumulada (IPCA) de 4,52%, acima da meta prevista de 4% (de acordo com Banco Central do Brasil).
 
Nos últimos dias, estudo disponibilizado pelo IPEA, a respeito do impacto da inflação por faixa de renda em nossa sociedade, vem chamando a atenção. Já é notório que existe uma grande desigualdade social entre a população brasileira, afinal, somos um país subdesenvolvido. Mas o estudo divulgado analisa o impacto do aumento dos preços, principalmente, dos alimentos, entre as diversas classes sociais. E assim, revela que, ao longo do ano de 2020, houve uma aceleração significativa dos preços dos alimentos e da energia elétrica. Em contrapartida, o preço dos serviços e dos combustíveis, sofreram uma alta, porém, menos acentuada, causando um impacto diferente em cada nicho de nossa sociedade.
 
No acumulado do ano de 2020, a inflação das famílias de renda muito baixa sofreu um aumento de 6,2%, enquanto que, a inflação para a população de renda mais alta, aumentou em 2,7%, segundo pesquisadores do IPEA. A diferença na inflação acumulada por faixa de renda está diretamente relacionada com a composição dos gastos do orçamento familiar. A esse respeito, é importante mencionar que, a população com renda mais baixa, compromete cerca de 37% do seu orçamento com gastos com alimentos, gás e energia. Por outro lado, os mais ricos, despendem, cerca de 15% do seu orçamento para realizar o consumo desses bens.
 
Soma-se a isso que, o reajuste acumulado do arroz (76%), do feijão (45%), da carne (18%), do óleo de soja (104%), das tarifas de energia (9,2%) foi mais significativo que os reajustes das mensalidades escolares (1,1%), serviços médicos e hospitalares (1,8%). Também é preciso considerar que, alguns bens e serviços, que ocupam mais espaço na cesta de consumo da população com maior poder aquisitivo, sofreram deflação, como por exemplo, passagens aéreas (-17%) e seguro de automóvel (-8%) (IPEA, 2021).
 
Diante dos dados apresentados pelo IPEA, percebe-se uma queda no poder de compra da população brasileira mais acentuada entre as famílias com menor poder aquisitivo. Mas, e como isso impacta o consumo? Diretamente, uma vez que, mesmo com o novo reajuste do salário mínimo para R$1.102,00, o mesmo não cobre o aumento inflacionário sentido pela população com renda mais baixa, o que, acaba por diminuir o poder de compra e consequente consumo. Sem contar os efeitos da pandemia como aumento do desemprego, a desvalorização da nossa moeda frente às moedas internacionais e os inúmeros debates sobre manter ou não o auxílio emergencial. Assim, pensar em políticas emergenciais, de assistência e no âmbito econômico é relevante sobretudo para que possamos pensar em normalidade após a vacinação de toda a população.
 
Temos um longo caminho pela frente!
 
Inflação por faixa de renda (%)
 
Fonte: IPEA (2021)

*Pollyanna Rodrigues Gondin é economista e professora da Escola de Negócios do Centro Universitário Internacional Uninter
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por Pollyanna Rodrigues Gondin

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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