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PIB mundial acelera em 2015; mas risco vem de Brasil, China e Rússia

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14.12.2014 - 12:30:42

São Paulo – Os analistas internacionais estão um pouco mais otimistas em relação ao crescimento da economia mundial em 2015 em comparação com este ano, mas alertam: China, Rússia e Brasil representam o maior risco para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) global, além de uma possível reação negativa ao início da alta de juros nos Estados Unidos.

O Deutsche Bank, por exemplo, revisou sua projeção de crescimento do PIB global em 2015 de 3,9% para 3,6% em razão de piora na sua estimativa para as economias da China, Rússia e Brasil. Os analistas do banco alemão projetam um avanço de 7% do PIB chinês em 2015, mas veem uma expansão de 6,7% em 2016.

Para o Brasil, a previsão de crescimento é de 0,7% em 2015. Já o PIB russo deverá contrair 0,9% no ano que vem. Mesmo assim, a economia mundial terá um desempenho melhor do que o esperado para 2014, quando o Deutsche Bank prevê uma expansão de 3,2%. Segundo o economista-chefe da consultoria americana IHS, Nariman Behravesh, o PIB mundial vai crescer 3% ou pouco mais em 2015, depois de três anos parado ao redor de 2,5%.

Decepcionante
Para ele, a economia brasileira vai ter um crescimento "decepcionante" em 2015, enquanto a Rússia registrará contração e o PIB chinês irá se desacelerar mais ainda, para 6,5% no ano que vem.

"A economia mundial vai chegar ao final de 2015 numa situação moderadamente melhor do que em 2014, mas essa melhora não será observada em todos os países", disse ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o economista-sênior da consultoria Oxford Economics, Adam Slater. Ele estima que o PIB mundial avance de 2,6% neste ano para 2,8% em 2015.

Em média, as economias desenvolvidas devem registrar uma aceleração do crescimento do PIB em 2015, em particular os Estados Unidos, segundo Slater. Já os países emergentes devem ser a maior fonte de preocupação, diante das incertezas que pairam sobre várias dessas economias, disse o economista inglês. "Estamos bem pessimistas em relação à Rússia e com a contínua queda no preço do petróleo, as economias de outros países emergentes grandes produtores de petróleo podem desacelerar em 2015", explicou.

Slater estima uma contração de 3% do PIB russo no ano que vem como reflexo da queda no preço do petróleo e das sanções econômicas por conta da crise com a Ucrânia.

Para o Brasil, o economista da Oxford Economics vê um crescimento de apenas 0,7% em 2015 uma vez que o País "terá de lidar com taxas de juros mais elevadas e sérios problemas estruturais, incluindo elevado endividamento dos consumidores".

China
Já a China, segundo Slater, deve crescer apenas 6,5% em 2015, mas o risco é de uma expansão menor ainda como parte do esforço das autoridades chinesas de resolver os desequilíbrios gerados na economia nos últimos anos, como o superaquecimento dos investimentos no mercado imobiliário.

"A China, por muitos anos, contribuiu mais com o crescimento da economia mundial e uma desaceleração da sua expansão do PIB terá impacto substancial sobre vários outros países", explicou o economista-chefe internacional do banco ING, Rob Carnell. Ele espera um crescimento de 7,1% do PIB chinês em 2015, mas o risco para a economia mundial é que a expansão chinesa caia abaixo do patamar de 7%.

Os analistas do banco Credit Suisse resumem a expectativa para 2015 numa melhora do crescimento mundial pontuado pelo início em meados do ano do aperto monetário nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed). "O risco de o crescimento global permanecer devagar é elevado e uma falta de melhora significativa para além da economia dos Estados Unidos pode levar a uma forte valorização do dólar e uma significativa reorientação dos fluxos de capitais", alertaram Neville Hill e James Sweeney, do Credit Suisse, em recente relatório enviado a clientes.

Estados Unidos
Entre os riscos, eles citam as incertezas geopolíticas, a volatilidade nos preços do petróleo e a desaceleração da economia chinesa. O Credit Suisse prevê que o PIB mundial irá acelerar de 2,6% em 2014 para 2,9% em 2015, puxado pela expansão da economia americana, cujo PIB subirá de 2,2% para 3,1% no mesmo período.

Já a China, segundo os analistas do banco suíço, crescerá apenas 6,8% em 2015. Sendo a maior economia do planeta, o que acontecerá com os Estados Unidos em 2015 poderia ter impacto muito maior sobre o PIB mundial, mas os analistas internacionais estão confiantes de que a recuperação americana finalmente ganhou tração.

"Uma aquecida economia americana será o principal motor do crescimento global em 2015", afirmam os economistas da Fitch Ratings em nota enviada a clientes. Eles estimam que o PIB mundial avançará 2,9% em 2015, com os Estados Unidos crescendo 3,1%.

"O maior risco à economia americana em 2015 é o potencial para uma resposta turbulenta dos mercados financeiros à medida que o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, do Fed) comece a subir a taxa de juros", argumentaram os economistas da corretora japonesa Nomura Securities. Eles esperam que o Fed eleve os juros básicos para entre 1,50% e 1,75% até o último trimestre de 2016, em comparação com o nível atual de zero e 0,25%.

Zona do Euro
Se a expectativa em relação aos Estados Unidos é de uma recuperação robusta, o mesmo não se pode esperar para a zona do euro e o Japão, apesar da expectativa de que o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ) adotem estímulos monetários mais agressivos em 2015 para reanimar o crescimento econômico e evitar o fantasma da deflação.

A Nomura Securities projeta um crescimento de 0,8% para o PIB japonês em 2015, enquanto a zona do euro deverá ter expansão de apenas 0,9%. Já a Fitch Ratings classifica a recuperação econômica da zona do euro como "frágil" e prevê um crescimento de 1,1% em 2015. "Os problemas da zona do euro ainda não ficaram totalmente para trás e com a recente turbulência política na Grécia (agravada pelo risco de o partido contrário aos acordos com a troica vencer as eleições gerais), o temor com a dívida soberana pode emergir novamente em 2015, afetando a confiança de consumidores", explicou Rob Carnell, do ING.

Mas para a economia mundial, segundo Carnell, a zona do euro não é tão preocupante, pois a região já não vem contribuindo com o PIB global há alguns anos e, portanto, não fará tanta diferença em 2015. Essa é a mesma situação do Japão. O problema é contaminar o humor dos mercados financeiros mundiais. (Agência Estado)

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por Leandro Coutinho

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