A Redação
Goiânia – A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (24/8), a Operação Daia, que investiga a atuação de lobistas que favoreciam uma empresa operadora de portos secos. O esquema teria ocorrido no âmbito do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
São cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Goiás, Tocantins, São Paulo e no Distrito Federal. Segundo a polícia, a Justiça Federal também determinou o bloqueio de valores nas contas dos investigados e o afastamento de servidores públicos de suas funções.
A apuração aponta que, desde que venceu a licitação promovida pela Receita Federal para exploração do Porto Seco de Anápolis, a empresa em questão passou a enfrentar problemas na fase de habilitação em relação ao terreno apresentado por ela para a construção da estrutura.
Para superar essas dificuldades, a empresa contratou lobistas que atuavam na viabilização da aquisição de um terreno do Dnit situado no Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia) por um preço abaixo do valor de mercado.
Ainda segundo a investigação, os lobistas utilizaram-se do pagamento de propina para arregimentar servidores públicos do Dnit, que passaram a cuidar dos interesses da empresa junto à autarquia. A avaliação do terreno foi realizada pelo órgão federal por R$ 11 milhões, sendo que o valor de mercado era de R$ 44 milhões, conforme perícia realizada pela Polícia Federal.
Os envolvidos responderão pelos crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e associação criminosa.
A reportagem entrou em contato com o Dnit e aguarda posicionamento sobre a operação. Já o Grupo Porto Seco Centro-Oeste, que atualmente administra o espaço, se manifestou por meio de nota:
O Grupo Porto Seco Centro-Oeste reforça que a Operação Daia, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (24), envolve suspeitas de irregularidades cometidas pela empresa Aurora da Amazônia, que foi sua concorrente em licitação realizada em 2017. Atual operador do terminal alfandegado de Anápolis, o Grupo Porto Seco Centro-Oeste não é parte das investigações e tem, na verdade, denunciado nos últimos anos as manobras jurídicas e administrativas da concorrente com o objetivo de burlar o edital de licitação para assumir a prestação do serviço mesmo sem apresentar as condições exigidas pela Receita Federal. Confiamos na atuação dos órgãos de fiscalização e na justiça e seguimos à disposição para contribuir com as investigações.