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Pesquisadores da UFG colaboram com estudo internacional sobre a Antártida

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07.02.2025 - 08:55:26

A Redação
 
Goiânia – Um estudo internacional publicado nesta quinta-feira (2/6) na revista Science analisa o nível atual de conhecimento sobre a biodiversidade da Antártida, caracterizando tanto os avanços na pesquisa quanto as lacunas existentes. No artigo, os pesquisadores identificam as principais questões não respondidas sobre a ecologia e evolução do continente antártico.
 
O estudo é liderado pelo Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha (MNCN) e pelo Instituto de Pesquisa em Mudança Global da Universidade Rey Juan Carlos (URJC). Também estão entre os autores do artigo o professor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás (ICB/UFG), José Alexandre Felizola Diniz-Filho, e o pesquisador do MNCN Joaquin Hortal, professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da UFG. Ambos integram o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Ecologia, Evolução e Conservação da Biodiversidade (INCT-EECBio), sediado na UFG.
 
Os resultados mostram que, embora se saiba muito sobre a biologia dos vertebrados marinhos que se reproduzem ao longo da costa, como pinguins e focas, ainda falta conhecimento sobre grande parte da diversidade e do funcionamento dos ecossistemas terrestres do continente gelado.
 
Os pesquisadores enfatizam a necessidade de investir mais em estudos taxonômicos de grupos críticos, no monitoramento de populações, em levantamentos regionais em áreas menos exploradas e na caracterização de traços funcionais e respostas fisiológicas. Também é necessário padronizar métodos e integrar e tornar os dados mais acessíveis.
 
"Analisar as lacunas de conhecimento na biodiversidade nos permite identificar prioridades de pesquisa para os próximos anos. No caso da Antártida, é crucial investir em pesquisa taxonômica, monitorar populações, identificar espécies modelo, padronizar os métodos de estudo que usamos e integrar os dados que coletamos. Estas são algumas das medidas que propomos para enfrentar as incertezas que temos sobre este território importante e fascinante", explica Joaquín Hortal.
 
O professor José Alexandre lembra que, desde 2019, o INCT-EECBio, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e pelo CNPq, tem feito diversos workshops sobre novos métodos e abordagens para lidar com as lacunas de conhecimento em biodiversidade.
 
"Em uma dessas reuniões, em 2023, Joaquin Hortal trouxe essa possibilidade de aplicarmos as ideias para novos métodos para esses dados inéditos de biodiversidade na Antártida", acrescenta o professor da UFG. Às discussões se uniu o professor Richard Ladle, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), resultando no trabalho agora publicado em uma das mais importantes revistas científicas do mundo.
 
Território intocado
"Este estudo nos permitiu, pela primeira vez, obter uma visão abrangente do nível de conhecimento ecológico de um continente inteiro, estabelecendo um padrão para exportar esse tipo de pesquisa para a Europa e outros territórios com complexidade muito maior", afirma Luis Pertierra, líder do estudo.
 
"A Antártida é um dos poucos territórios quase intocados que restam no planeta, com características ambientais que sustentam uma biodiversidade única", explica a pesquisadora do MNCN, Asunción de los Ríos. "A pesquisa no continente gelado começou há apenas dois séculos e seu estudo revelou importantes descobertas sobre a evolução e o funcionamento da vida em locais tão isolados e com condições climáticas extremas", destaca.
 
"Além disso, esses ecossistemas desempenham funções cruciais, como a regulação do clima, por isso é fundamental entender como estão sendo afetados pelos impactos das mudanças globais", acrescenta Leopoldo García Sancho, pesquisador da Universidade Complutense de Madri.
 
Além do gelo
O estudo confirma que mais de 2 mil espécies de fauna, microbiota e flora terrestre já foram descritas para um sistema que aparenta ser inerte e cercado de gelo, mas muitas outras ainda precisam ser descobertas. Soma-se a isso a dificuldade de acessar dezenas de milhares de microrganismos (como bactérias e vírus) que podem estar sob o gelo.
 
Os pesquisadores compilaram e analisaram informações dos principais bancos de dados globais de biodiversidade. A análise desses dados mostra que cerca de 20 vertebrados ocupam grande parte do foco entre as quase 400 espécies animais, com um conhecimento minoritário, mas crescente, sobre invertebrados.
 
"Vale destacar que esse conhecimento sistematizado está principalmente focado em descrever as tolerâncias climáticas das espécies", enfatiza Miguel Ángel Olalla Tárraga, pesquisador da URJC. Isso provavelmente ocorre porque "há uma demanda urgente por informações sobre essas tolerâncias para entender as respostas das espécies ao aumento das temperaturas", observa Pablo Escribano, também da URJC.
 
Em contraste, sabe-se muito pouco sobre a estrutura das redes alimentares nos ecossistemas antárticos. Também há uma falta significativa de informações sobre os traços funcionais da maioria das espécies, dificultando a identificação dos mecanismos que permitem que elas adaptem sua fisiologia a condições extremas.
 
Microrganismos desconhecidos
O desconhecimento sobre microrganismos é ainda maior, embora "estudos recentes sobre o ciclo de nutrientes e o funcionamento das comunidades microbianas, bem como seu movimento de uma área para outra, forneçam pistas sobre como a vida microscópica se desenvolve em um clima tão extremo", explica Antonio Quesada, pesquisador da Universidade Autônoma de Madri.
 
O estudo enfatiza que esse desequilíbrio no conhecimento sobre a biologia de tantos grupos de organismos impede a compreensão de como os processos ecológicos se desenvolvem na Antártica – um fator essencial para orientar medidas de conservação diante das mudanças globais.
 
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por José Abrão

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

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