Jales Naves
Especial para o AR
Goiânia – Um dos principais pesquisadores sobre os Naves no Brasil, tendo realizado o difícil trabalho de organizar a árvore genealógica, registrando a presença da família há 370 anos no país, o economista Nilson N. Naves está concluindo mais uma etapa dessa importante iniciativa. Em seus levantamentos e interpretações de dados, desenvolveu a tese de que Maria Victória de Jesus e Maria Joana de Jesus, ambas de Minas Gerais, são a mesma pessoa. Com essa conclusão ele preenche uma lacuna na genealogia dos Naves brasileiros, em especial dos familiares que migraram da região Nordeste de São Paulo, mais especificamente de Igarapava, para Buriti Alegre, em Goiás, e que ainda não tinham sido incluídos.
Analisando os microfilmes da Igreja Mormon constatou que Maria Joana, que nasceu em Perdões, MG, em 9 de abril de 1815, filha de João Brás dos Reis Naves e Mafalda Maria de Jesus, casou-se com o viúvo Felisbino Francisco de Almeida, em 1872, em São Sebastião do Paraíso, MG, quando já tinha 57 anos, “idade bastante avançada para ser o primeiro casamento, o que me faz crer que ela também era viúva”, afirmou. Em 9 de março de 1856 Maria Victória comparece como madrinha de Casemiro, filho de Anna Rita Naves e Antônio Correia Affonso. “Caso minha teoria esteja correta, ela seria irmã da Anna e estaria, assim, batizando um sobrinho. Sabemos que era praxe, naquela época, que os padrinhos fossem parentes próximos do batizando, o que validaria minha tese”, completou.
No dia 24 de fevereiro de 1868, no casamento de Luíza Clara da Luz, Maria Victória Naves, mãe da noiva, já era viúva. Com o casamento de Maria Joanna em 1872, “cronologicamente minha tese é viável”, explicou. “Tratam-se apenas de conjecturas. Não tenho nada que prove isso, mas também não tenho nada que não prove. Estou à procura de algo mais concreto”, arrematou.
Levantamentos
Nas exaustivas pesquisas já realizadas os dados começavam com Maria Victoria Naves, que teria nascido em Lavras, MG, possivelmente em 1829, casado com Antônio José de Souza, de Monte Santo de Minas, MG, ainda não conhecidos os nomes dos pais dos dois, e o casal teve seis filhos. O primeiro foi João Naves de Souza, que teria nascido em 1838; e a segunda, Luiza Clara, que possivelmente nasceu também em Monte Santo de Minas, mas ainda sem uma data precisa, cujos descendentes vieram para a região Sul de Goiás no início do século passado e se fixado em Buriti Alegre, formando um dos mais organizados e dinâmicos núcleos da família.
O terceiro, Theodoro Naves de Souza, teria nascido em Perdões, igualmente sem uma data conhecida, e o quarto seria Francisco Aprígio Naves, com nascimento anotado em Itamogi, MG, em 1850. A quinta, Constância Souza de Jesus, também seria de Perdões, de 1850; e a sexta filha, Maria Leocádia de Jesus, de Monte Santo de Minas, de 1855.
Nas anotações, ainda sem confirmação, Maria Victoria Naves e Antônio José de Souza teriam falecido em 1878, possivelmente em Monte Santo de Minas.
Segunda filha
A segunda filha do casal Maria Victoria Naves e Antônio José de Souza, Luiza Clara da Luz, casou-se com João Cardoso de Souza, que tinha o apelido de João Patrício, também era de Monte Santo de Minas, filho de Manoel Cardoso da Silva e Maria Cândida de Jesus. O casal teve nove filhos: Calista Naves de Souza nasceu em Igarapava, em 1866; Guilherme Naves de Souza, de Monte Santo de Minas, nascido no dia 20 de julho de 1870; José Naves de Souza, também de Igarapava, de 18 de outubro de 1880, conforme a certidão de batismo; Maria Vitória Naves de Souza; Delfino Naves de Souza; Apolinário Naves de Souza, João Naves de Souza e Cândida Naves de Souza, igualmente de Igarapava, de 5 de outubro de 1884, de acordo com a certidão de batismo.
O segundo filho de casal Luíza Clara da Luz e João Cardoso de Souza, Guilherme Naves de Souza, foi um dos comandantes da vinda dos familiares para Goiás, no início do século passado, sendo um dos pioneiros na construção de Buriti Alegre, pois chegou à região antes da criação da cidade. Como não foram guardados os documentos ou os que existiam foram perdidos, somente agora os pesquisadores, com seu dedicado trabalho, estão montando essa parte da árvore genealógica dos Naves brasileiros.