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Keiko Fujimori (Foto: reprodução)

Keiko Fujimori toma posse como nova presidente do Peru

Esta foi sua quarta candidatura ao Executivo do país

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28.07.2026 - 17:12:20

Brasília – Keiko Fujimori assumiu nesta terça-feira, 28, o cargo de presidente do Peru, após prestar juramento em uma cerimônia no Congresso, com o desafio de enfrentar o aumento do crime organizado e uma grave instabilidade política.

No juramento, ela prometeu que defenderá a soberania nacional, a liberdade, a democracia e a independência dos poderes. Acrescentou que cumprirá e fará cumprir a Constituição, respeitará as leis e zelará pela integridade física e moral de todos os peruanos, “especialmente daqueles que foram historicamente marginalizados”.

Em seguida, colocou uma faixa presidencial nas cores vermelho e branco, confeccionada com um tecido brilhante e fios banhados a ouro.

Fujimori foi recebida no Congresso com aplausos dos senadores e deputados de seu partido político, a Força Popular, e das delegações estrangeiras. Ela havia se deslocado em um veículo cercado por guarda-costas pelas poucas quadras que separam o Ministério das Relações Exteriores do Parlamento, no centro histórico de Lima.

Na tribuna do Congresso estavam suas duas filhas, de 18 e 17 anos, e dois de seus irmãos que não participam da política local. Chamou a atenção a ausência de seu irmão mais novo, Kenji Fujimori, que foi um legislador popular que disputou com ela a liderança da Fuerza Popular em 2018 e acabou sendo expulso do partido.

A programação começou com a tradicional missa do Dia da Independência, celebrando os 205 anos da independência do país, e foi concluída no Congresso, onde ocorreu a transferência de poder e o primeiro pronunciamento da nova presidente.

Keiko prometeu endurecer combate ao crime organizado

Após tomar posse, Keiko apresentou ao Congresso as principais diretrizes do novo governo. Durante seu discurso, ela reforçou as promessas de endurecer o combate ao crime organizado, considerado o principal desafio da nova gestão, além de abordar medidas para recuperar a estabilidade política, impulsionar a economia e enfrentar os possíveis impactos do fenômeno El Niño no país. “Temos medo por nossas vidas ao sair de casa ou de que nossas casas sejam inundadas nos próximos meses”, declarou.

A presidente eleita afirmou que as Forças Armadas deverão liderar as operações de segurança temporariamente em regiões do país com altos índices de violência e criminalidade, em coordenação com a Polícia Nacional.

“Faremos uso de todas as ferramentas que a Constituição permite ao governo”, disse. Segundo ela, a situação em que recebe o Estado é tão catastrófica que fez com que o Peru tenha hoje uma das maiores desigualdades sociais.

Entre suas prioridades, ela destacou o fortalecimento da Polícia Nacional e um processo de modernização que incluirá sistemas de vídeo, inteligência artificial (IA) e centros de comando capazes de dar uma resposta rápida à criminalidade.

Fujimori afirmou ainda que “a luta não será apenas contra o criminoso comum: iremos atrás das máfias nacionais e internacionais que financiam a extorsão, os assassinatos por encomenda, o tráfico de drogas e a mineração ilegal”.

“Nenhum integrante que se dedique à prática de crimes encontrará proteção em nosso governo”, afirmou. Ela ainda afirmou que deverá promover uma reforma penitenciária, para que as prisões “voltem a ser centros de reclusão e não centros de operação do crime organizado”.

Keiko afirmou também que agora se inicia uma contagem regressiva irreversível, na qual cada órgão terá de trabalhar intensamente, com metas e prestação de contas constantes.

Presidente recebeu representantes de delegações estrangeiras

Antes da sessão solene, Keiko recebeu representantes das delegações estrangeiras na sede do Ministério das Relações Exteriores, no Centro Histórico de Lima. A cerimônia de posse reuniu autoridades de diversos países, entre elas os presidentes da Argentina, Javier Milei, do Equador, Daniel Noboa, do Paraguai, Santiago Peña, e do Uruguai, Yamandú Orsi, além do rei espanhol Felipe VI. O Brasil é representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Antes de seguir para o Congresso para a cerimônia de transmissão da faixa presidencial, o presidente interino, José María Balcázar, falou com a imprensa ao deixar a celebração religiosa. Na ocasião, desejou sucesso à sucessora e afirmou que entregava “um país com uma economia saudável, tudo em ordem”.

Na véspera da posse, a presidente definiu os primeiros nomes do gabinete. O vice-presidente Luis Galarreta foi escolhido para comandar o Conselho de Ministros, cargo equivalente ao de primeiro-ministro. Também foram anunciados o economista Elmer Cuba para o Ministério da Economia e o ex-jornalista e ex-candidato à Presidência Carlos Espá para o Ministério das Relações Exteriores. Os demais integrantes da equipe, formada por 19 ministérios, devem ser apresentados após a cerimônia.

Aos 51 anos, Keiko retorna o fujimorismo ao poder após vencer a eleição presidencial de junho por uma diferença inferior a 50 mil votos sobre o candidato de esquerda Roberto Sánchez. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela assume um mandato até 2031 em um país que teve oito presidentes desde 2016 e enfrenta um período de intensa polarização política.

Posse ocorreu em meio a protestos de familiares

Um grupo de parlamentares da oposição retirou-se do plenário do Parlamento pouco antes de Keiko Fujimori iniciar seu discurso de posse, ao grito de “justiça para as vítimas”, em referência às 50 pessoas assassinadas entre 2022 e 2023 nos protestos contra o governo da ex-presidente Dina Boluarte, aliada de Fujimori.

A saída dos membros da oposição, especialmente do Juntos pelo Peru, foi recebida com aplausos dos parlamentares conservadores da Força Popular, o partido de Fujimori, e de seus aliados. Fujimori observou o ocorrido em silêncio.

Familiares dos manifestantes mortos nos protestos de 2022 e 2023 e das pessoas assassinadas durante o governo do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) lavaram bandeiras vermelho e brancas do Peru e afirmaram que a presidente eleita não os representa.

“A justiça está longe de nós; hoje lavamos a bandeira em memória desses mártires que foram assassinados desde 12 de dezembro de 2022… mas também por aqueles irmãos que continuam esperando há 35 anos, por aqueles mortos que até hoje não foram encontrados”, disse Milagros Samillán, irmã de Marco Samillán, um estudante de medicina assassinado em 2023 pelas forças de segurança enquanto prestava socorro a manifestantes feridos.

Ela acrescentou que “Keiko Fujimori não nos representa, não é nossa presidente; lavamos a bandeira que deveria estar limpa, mas continua manchada de sangue, injustiça, corrupção e impunidade”.

O partido de Fujimori no Parlamento protegeu, com seus votos, a então presidente Dina Boluarte de sete pedidos de impeachment. Por fim, Boluarte foi destituída pelo Parlamento em outubro de 2025.

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por Agência Estado

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