Adriana Marinelli
“Por causa da forte chuva, não vi o
buraco. Parei o carro e percebi que um dos pneus dianteiros, com menos
de quatro meses de uso, estava estourado”, afirma a vendedora Renata
Aparecida de Souza, de 26 anos. Situação semelhante à de Renata é vivida
nessa época de chuva por muitos motoristas que se deparam com a falta
de manutenção do asfalto. Em um segundo de distração, motoristas podem
ter o pneu do carro estourado, a roda amassada, a suspensão quebrada e,
em certos casos, até sofrer acidente.
A vendedora Renata Aparecida conta que o caso dela não foi o
pior. Segundo ela, outros motoristas já tiveram prejuízos ao caírem no
mesmo buraco, na Avenida Pedro Ludovico Teixeira, Setor Vila Canaã,
região Oeste de Goiânia. “Sei do caso de um homem que teve o eixo
dianteiro do carro quebrado ao cair naquela panela”, diz.
Além
da Vila Canaã, vários outros setores da Capital apresentam ruas e
avenidas com ondulações, desníveis causados por remendos no asfalto e
buracos de todos os tamanhos. No Setor Sudoeste, a Avenida C-17,
utilizada como linha de ônibus, encontra-se comprometida. A avenida
apresenta pequenos buracos e ondulações, causando desconforto para quem
passa de carro por ali.
No Setor Santa Genoveva a situação não é
diferente. Não precisa andar muito pelo bairro para se deparar com
buracos atrapalhando o acesso. Avenida do Café, Rua Itacora, Rua
Tamburil e Rua Serra Dourada são vias do Setor com imperfeições no
asfalto. No Setor Goiânia 2 é a Avenida Pedro Paulo de Souza que
incomoda os moradores da região e os motoristas que passam por ali. As
ruas Dona Mariquinha e Euvaldo Ludy, no Setor Negrão de Lima, também têm
buracos que atrapalham quem passa pelas vias e danificam os veículos.
Reclamação sem retorno
A
situação é um pouco mais complicada em algumas ruas da Vila Mauá. A Rua
Borba Gato é uma delas. De acordo com o funcionário de uma loja de
peças automotivas, Jadson Luiz de Freitas, a Borba Gato está com buracos
há muito tempo e com as fortes chuvas dos últimos dias, a situação
piorou ainda mais. “Já ligamos na prefeitura e ninguém apareceu aqui
para resolver o problema. São vários buracos que estão aumentando cada
vez mais”, lamenta. Os pedestres que caminham pela calçada também são
prejudicados. “Os buracos ficam cheios de água e quando os carros passam
molham as pessoas”, acrescenta Jadson.
O diretor de operações
da Agência Municipal de Obras (Amob), Paulo Kruk, explica que o problema
de buracos no asfalto é comum nesta época do ano, principalmente nos
asfaltos mais antigos e com grande fluxo de veículos. Paulo afirma que a
Amob, responsável pela restauração e manutenção do asfalto, está
trabalhando em vários pontos da Capital para evitar transtornos aos
cidadãos. Inclusive, segundo ele, o buraco que danificou o veículo da
vendedora Renata, na Avenida Pedro Ludovico Teixeira, Vila Canaã, já foi
tapado. “Vamos restaurar avenidas como a T-7, T-63 e Castelo Branco,
onde o fluxo de veículos, inclusive de ônibus, é intenso”, afirma.
O
diretor de operações orienta que, em casos de problemas com o asfalto, a
Amob seja acionada pelo número 156. Segundo ele, o órgão se esforça
para solucionar o problema o mais rápido possível. “Se a solicitação for
realizada hoje, deslocamos uma equipe em, no máximo, dois ou três dias
para fazer os reparos necessários”, garante. Ele também cita a
existência de fiscais de obras que atuam na observação e levantamento de
dados e locais em situações de emergência ou que necessitem de algum
reparo. “Trata-se de um planejamento para manutenção e recuperação da
camada de asfalto”, finaliza.
Novo programa com pneus triturados
Para evitar problemas como
estes, o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, lançou na manhã de
sexta-feira (25/11) o Programa Pavimentação Sustentável. Para minimizar
os problemas da camada asfáltica da Capital, pneus tritutarados,
misturados com brita e emulsão asfáltica modificada à base de água,
serão utilizados como matérias-primas. Trata-se de uma forma de
prevenção mais eficaz diante do desgaste do asfalto. A pavimentação será
aplicada inicialmente em trechos mais comprometidos, para evitar que o
problema piore. De acordo com a Agência Municipal de Obras (Amob), os
pneus triturados fazem com que o asfalto se torne mais resistente,
podendo durar de três a cinco anos. Graças aos pneus, os danos
provocados pelas chuvas também vão reduzir.
O serviço vai
abrangir bairros como os Setores Central, Oeste, Sul, Marista, Bueno,
Pedro Ludovico, Aeroporto, Universitário, Sudoeste, Aeroviário, Cidade
Jardim, São Francisco, Capuava, Campinas, Morada do Sol, Nova Suíça,
Urias Magalhães, Fama, Bela Vista e Vera Cruz II; Jardins Goiás,
América, Planalto, Guanabara e Europa; Vilas Boa, Mutirão, Nova e Lucy;
Conjuntos Morada Nova, Itatiaia e Guadalajara, além da Chácara São
Joaquim, dos Parques Amazonas e Laranjeiras e bairros Goiá e Ipiranga.
Esta
forma sustentável de pavimentação é utilizada há algum tempo em São
Bernardo do Campo, São Paulo, e em Recife, Pernambuco. O Programa vai
levar às ruas de Goiânia o mesmo sistema de injeção de spray
ambientalmente responsável que é utilizado em Nova York, New Orleans e
Washington, nos Estados Unidos. Em Goiânia, a ideia é que os reparos
sejam realizados durante a noite para minimizar possíveis transtornos
com a interdição de ruas.
Ressarcimento
É
importante que todos conheçam seus direitos. Em caso de veículo
danificado em função de um buraco ou defeito no asfalto, a pessoa
prejudicada poderá cobrar do poder público o ressarcimento. O advogado
Alex Neder ressalta que se trata de um processo demorado, mas que é
direito de todos que sofrerem algum tipo de dano provocado pela má
qualidade da camada de asfalto. Para pedestres a situação não é
diferente. Se uma pessoa sofre alguma lesão ao cair em um buraco, ela
também pode pedir indenização, afinal, a lei ampara aqueles que sofrem
danos físicos ou perdas materiais em caso de queda em buraco de via
pública.
Como proceder?
O advogado Alex Neder explica
que para pedir a indenização do veículo danificado por alguma falha na
pavimentação asfáltica, é necessário que o cidadão buque seus direitos
imediatamente. A pessoa deve se municiar com provas como fotos do
buraco, a documentação do veículo e testemunhas que reforcem a versão da
pessoa lesada. “Também são necessários pelo menos três orçamentos do
concerto do veículo para ser anexado ao processo”, completa o advogado.
Se
o veículo danificado é usado pelo cidadão para trabalhar, como é o caso
de taxistas, e por causa do estrago causado por alguma ondulação ou
buraco na pista ele perde dias de trabalho, existem outros direitos a
serem reivindicados. Além da indenização pelo dano material, é possível
contestar lucros cessantes, ou seja, prejuízos causados pela interrupção
de qualquer das atividades de uma empresa ou de um profissional, no
qual o objeto de suas atividades é o lucro.