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PC diz que atentado em Itumbiara foi motivado por surto psicótico

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28.11.2016 - 07:51:29
A Redação
 
Goiânia – A Polícia Civil informou, na sexta-feira (25/11), que um surto psicótico-etílico e mania de perseguição motivaram o atentado cometido pelo servidor público Gilberto do Amaral contra o candidato a prefeito de Itumbiara, José Gomes da Rocha, e do cabo da Polícia Militar, Vanilson João Pereira. O atentado aconteceu no último dia 28 de setembro. 
 
A conclusão do inquérito da Operação Paranaíba foi apresentada no Fórum de Itumbiara. De acordo com ela, o autor dos disparos agiu sozinho. As investigações apontaram que não houve rixa por conta de disputa de terras, nem agressão ou perseguição a Gilberto por parte do então candidato à Prefeitura de Itumbiara, Zé Gomes.

Leia mais:
Vídeo mostra momento do tiroteio que matou José Gomes em Itumbiara (GO)

Duas pessoas ficaram feridas no atentado, entre elas o vice-governador e secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária de Goiás (SSPAP), José Eliton e o ex-secretário de comunicação de Itumbiara, Célio Rezende.
 
 “Dentro da mente do Gilberto, ele se sentia perseguido, independente de ter ou não motivo para isto”, disse o delegado Douglas Pedrosa, responsável pela operação. “Ele era uma pessoa conturbada e de caráter duvidoso, que cometeu um ato de barbárie contra pessoas de bem. As provas que nós coletamos durante o período de investigação nos apontam para este desfecho”, conclui.
 
De acordo com a PC, Gilberto do Amaral tomava o remédio Anfepramona, utilizado para emagrecimento desde 2004, e o misturava com álcool. O delegado Douglas Pedrosa afirma que “isto fazia com que ele ouvisse vozes”. O surto, aliado a uma série de circunstâncias variadas, também motivou o atirador a cometer a barbárie, aponta o comandante da força-tarefa.
 
Motivações
A primeira peça deste complexo quebra-cabeça que culminou no atentado em Itumbiara foi iniciada anos antes, quando Gilberto ouviu um boato de que seria transferido para ser coveiro no cemitério municipal. As investigações apontam que esta situação não ocorreu, mas que, na lógica de Gilberto, seria orquestrada por Zé Gomes.
 
Em sequência, anos após, em fevereiro de 2016, Gilberto começou a trabalhar com um político adversário de Zé Gomes. Em julho, este candidato foi vítima de um assalto na cidade. Na época, surgiram boatos de que o crime teria sido orquestrado por Zé Gomes. “Isto foi desmentido, mas o Gilberto acreditava que o assalto foi encomendado pelo ex-prefeito”, analisa Douglas.
 
Em agosto, Gilberto foi trabalhar com a camiseta de um adversário político, e o seu chefe imediato pediu para que trocasse de roupa, devido ao impedimento legal em repartição pública. No dia seguinte, de acordo com Douglas Pedrosa, o autor do atentado faltou ao emprego na prefeitura e teve o ponto cortado. Nesta situação, Gilberto pediu para ser transferido da pasta.
 
Posteriormente, ele se arrependeu da transferência e pediu para seguir no mesmo cargo e local. “A partir dali, já havia sido iniciado o trâmite legal do pedido, o que irritou o Gilberto”, diz Douglas Pedrosa. Esta situação foi mais uma peça para que o autor do atentado seguisse acreditando que era perseguido por Zé Gomes.
 
O crime
Em 15 de setembro, em conversa com amigos em um bar de Itumbiara, ele afirmou que, mesmo que Zé Gomes fosse eleito, ele não assumiria a prefeitura, causando estranheza para quem ouviu o desabafo. Em 27 do mesmo mês, um dia antes do atentado, confidenciou que poderia cometer um crime e fugir para o Tocantins, mas sem especificar quem seria a vítima.
 
No mesmo dia, ele foi até Araporã, cidade mineira e vizinha de Itumbiara, e testou sua pistola, adquirida de maneira ilegal. Na manhã do dia 28, Gilberto saiu para comprar remédios, mas não conseguiu o produto, o que o frustrou profundamente. Por volta das 14h20, teve outra discussão com um aliado político do Zé Gomes. “Foi dito para ele que a eleição já estava ganha e que a carreata seria da vitória”, conta o Douglas Pedrosa.
 
Após o incidente, Gilberto seguiu até o comitê de campanha do candidato em que trabalhava na época. Lá, conversou com integrantes no local e partiu para sua residência, aonde pegou o Siena, propriedade de seu filho, veículo utilizado para cometer a barbárie.
 
A Polícia Civil destaca que Gilberto agiu, naquele momento, por impulso, já que deixou o celular em casa e carregando, tinha pouco dinheiro no bolso e o tanque do carro não estava cheio – todos indícios de que não poderia fugir. “Esta situação também denota que agiu como suicida. Ele sabia que não iria sair vivo daquela situação”, conclui Douglas Pedrosa.
 
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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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