Mônica Parreira e João Unes
Goiânia – Pré-candidato pelo MDB ao Governo de Goiás, o deputado federal Daniel Vilela criticou a postura de seus adversários diante das especulações sobre a formação de chapas. Durante visita ao jornal A Redação na manhã desta terça-feira (8/5), o emedebista reprovou o discurso que Ronaldo Caiado (DEM) vem adotando para sinalizar possível aliança entre os dois, e afirmou se tratar de uma “herança de convivência”.
"Sendo bem sincero, é uma política de bater e esconder a mão. Aliás, é uma política típica desse grupo que está aí, do governador José Eliton, do ex-governador Marconi Perillo. E como o senador Ronaldo Caiado esteve durante 16 anos do lado de lá, talvez seja por isso essa cultura de bater e esconder a mão", declarou Daniel.
Mesmo assim, o deputado ainda cogita formalizar aliança com o DEM, desde que Caiado esteja disposto a participar de seu projeto. “Se isso não for possível, não haverá aliança”, resumiu. Sobre parceria com o PSDB, a possibilidade “é zero”. De acordo com ele, o governo tucano caminha na direção contrária a qual ele defende. “A comoção social é pela renovação em Goiás, pela mudança de um grupo político que está há 20 anos no poder”.
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Confira a íntegra da entrevista com Daniel Vilela:
Jornal A Redação: O senador Ronaldo Caiado declarou que ainda se interessa por uma aliança com o MDB. Da sua parte, há alguma possibilidade?
Daniel Vilela: A possibilidade existe se o Democratas apoiar o nosso projeto. Se isso não for possível, não haverá aliança. Entendemos que o MDB tem a legitimidade da oposição. O senador Ronaldo Caiado esteve do lado desse grupo durante 16 anos, veio para a oposição na última eleição, depois que não conseguiu viabilizar a candidatura dele de senador do lado de lá, e nós o recebemos e apoiamos. E ainda tem mais quatro anos de mandato para ser exercido. Então a gente espera que de fato o senador possa ter um gesto de gratidão com aqueles que foram leais, que o apoiaram, e que foram decisivos na vitória dele no Senado. Estamos construindo um projeto renovador para Goiás e a gente gostaria muito de contar com esse apoio, mas não fomentamos essa política de dar pitaco em quintal alheio, em partido que não é o nosso. Não queremos nenhum tipo de tumulto no partido, e ele tem a legitimidade de ser candidato também, de buscar a postulação de uma candidatura. A decisão é deles. É lógico que a cada dia essa indefinição dificulta o bom ambiente entre os partidos e torna menos possível de uma aliança.
AR: Então está havendo um desgaste nessa conversa entre o MDB e o DEM?
DV: Não é conversa. O que o senador Ronaldo Caiado tem feito é tentar promover o diálogo com alguns integrantes do MDB, ele tem tentado assediar líderes do nosso partido. Então não há um diálogo institucional entre as lideranças do partido.

(Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)
AR: Mas esse diálogo já foi feito em uma outra oportunidade…
DV: Foi e não houve um acordo de definição. Também não entendo que poderia ter acontecido, em razão do momento de precipitação. Esse momento [de alianças] se dá às vésperas das convenções. É o momento onde os partidos se definem, efetivamente.
AR: Então esse suposto interesse de Caiado sobre uma aliança com o MDB seria uma tentativa de conseguir te fazer mudar de ideia sobre sua candidatura?
DV: Na verdade, sendo bem sincero, é uma política de bater e esconder a mão. De se apresentar como bonzinho e fomentar a discórdia, e mandar com que seus aliados promovam os ataques. Aliás, é uma política típica desse grupo que está aí, do governador José Eliton, do ex-governador Marconi Perillo. E como o senador Ronaldo Caiado esteve durante 16 anos do lado de lá, talvez seja por isso essa cultura de bater e esconder a mão.
AR: E como anda o diálogo com o PSDB? Recentemente o Maguito declarou, em entrevista, que não descarta uma aliança com o PSDB…
DV: Ele não declarou isso. Ele declarou que acha que todos os políticos e partidos devem dialogar. Em nenhum momento ele falou sobre aliança com o PSDB. O que houve foi uma distorção dentro do ambiente político. Em nenhum momento ele se manifestou favorável a uma aliança com o PSDB. Da mesma forma o prefeito Iris, nesse final de semana, que falou que não seria empecilho se houvesse uma comoção da sociedade por uma aliança dessa, o que não acontece. Pelo contrário, a comoção é pela renovação em Goiás, pela mudança de um grupo político que está há 20 anos no poder, que prometeu muito e entregou pouco. Um grupo atrasado do ponto de vista de gestão, das práticas políticas, um grupo político que o principal ato do governador que assume e se coloca como candidato é nomear o cunhado do ex-governador para um cargo vitalício no Tribunal de Contas. Então a comoção é exatamente para a gente mudar essas práticas políticas e administrativas.
AR: Nesse caso, uma aliança entre MDB e PSDB fica cada vez mais distante?
DV: Não há possibilidade de aliança. Zero. Impossível uma aliança com o PSDB. Totalmente descartada.
AR: Como vem construindo a sua base? Já tem algum nome para vice?
DV: Essa questão de vice acaba sendo a última decisão. Mas nós temos dialogado com muitos partidos que têm relevância, história, bons quadros para uma composição eleitoral e bons quadros para uma gestão eficiente. Temos dialogado com o PP, não é novidade para ninguém. Com o PSD, PRB, PDT, alguns outros partidos menores a gente tem tido um diálogo, como a Rede, PRP e PRTB. Esses são os partidos que hoje temos interesse e temos dialogado na construção de uma aliança convergente de um projeto renovador para Goiás.

(Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)
AR: Dentro desse diálogo, o nome do Vanderlan tem sido citado. É um nome interessante?
DV: O Vanderlan é um grande quadro, tanto politicamente quanto pelo fato de ser um empresário de sucesso. Politicamente falando, foi duas vezes candidato a governador, disputou a eleição de prefeito aqui em Goiânia e chegou ao segundo turno. É um ex-prefeito que foi bem sucedido na sua administração em Senador Canedo. Como empresário, construiu uma empresa através do seu esforço, com muita competência. Entendo que é uma pessoa de bem, bem intencionada, então por essas razões é lógico que a gente observa ele como um ator importante nesse cenário político. Agora, estamos buscando alianças com o PP. As decisões de composição, de indicação de nomes passam por uma definição interna deles, e não nossa.
AR: Como está sua relação com o prefeito Iris?
DV: Excepcional. Tenho conversado quase diariamente com ele, tenho assumido os desafios que ele tem colocado em relação aos pleitos em Brasília. O Iris tem sido muito importante no ponto de vista político, de estimular, de me ajudar e reconhecer minha candidatura como uma candidatura que apresenta um projeto para Goiás. É o que ele deseja, que a gente possa voltar a ter um governo eficiente, comprometido e que trabalhe e fale menos. Hoje temos um governo que fala demais e trabalha pouco, e precisamos inverter essa lógica. Então Iris tem sido importantíssimo e eu tenho tido privilégio de ter alguém com a bagagem que ele tem para nos orientar.
AR: E o Maguito? Como está a participação do seu pai na construção desse ambiente de campanha?
DV: É um grande conselheiro, alguém que sempre está muito próximo. Foi governador, senador, prefeito, e é lógico que a gente tem que ouvir. Nem sempre os nossos pensamentos são convergentes, mas a gente tem maturidade para dialogar e encontrar o melhor caminho. Ele tem demonstrado entusiasmo muito grande nesse projeto, acredita e reconhece essa necessidade de se apresentar um projeto inovador para Goiás. O diálogo é constante e ele tem sido um importante conselheiro e articulador desse processo.