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Padronização da roupa pode causar revolução no setor

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19.10.2011 - 10:24:41

O setor de vestuário prepara-se literalmente para uma revolução na maneira como as peças são fabricadas e vendidas no País. Com base no levantamento das medidas médias do corpo da população brasileira estão sendo estabelecidas referências para o tamanho das roupas infantil, masculina e feminina. Segundo o presidente da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), Roberto Chadad, a expectativa é de que nos próximos dois anos ao menos metade da produção nacional de vestuário, atualmente em 5,5 bilhões de peças anualmente, possa estar padronizada.

“Para a indústria, a padronização das medidas poderá gerar uma economia de até 8% na compra das matérias-primas (tecidos). Já no varejo cairão os custos para conferência interna do tamanho das peças e as trocas de roupas por parte do consumidor final”, afirmou Chadad. Outro canal que poderá ser desenvolvido é o de vendas por meio da internet, que ainda engatinha no Brasil. “Em virtude das diversas grades de numerações existentes, a venda de vestuário na internet enfrenta o desafio do alto volume de solicitações de trocas e devoluções”, disse.

No caso masculino, as novas normas sugerem medidas diferenciadas para homens a partir dos biotipos “normal”, “atlético” e “obeso” que deverão gerar mais de vinte referências de tamanho. “Os tamanhos P, M e G deixarão de ser medidas de referência”, destacou Chadad. As calças, por exemplo, contarão com especificações como “perímetro de cintura”, “comprimento entrepernas” e “estatura” para as quais foram confeccionadas. Já as camisas terão informações do “perímetro de cintura”, “perímetro de tórax”, “comprimento do braço” e “estatura”.

Segundo a Abravest, as padronizações masculinas estão na fase final de consulta pública, processo que deverá ser encerrado entre o final de outubro e início de novembro. A homologação das medidas, na sequência, seguirá os padrões da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com o instituto Totum – credenciado pelo Inmetro – encarregado pela qualificação e auditoria das empresas. A Associação Brasileira do Varejo Têxtil também participa das discussões.

Dessa forma, as confecções que aderirem à padronização deverão oferecer roupas com a respectiva numeração e medidas adequadas a cada perfil de consumidor. Além disso, serão criadas novas etiquetas – adicionalmente à obrigatória costurada na roupa, com a origem do produto e CNPJ do fabricante – penduradas com informações mais detalhadas, como a composição dos tecidos e as orientações sobre lavagem e conservação, “que não encontram espaço” nas peças atualmente, disse Chadad.

Após a finalização das padronizações das vestimentas masculinas, será a vez das femininas. “Isso deverá ser finalizado até abril do próximo ano”, destacou o presidente da Abravest. Nas roupas femininas, as etiquetas vão indicar a “estatura”, “medida ombro a ombro” (no caso dos casacos), “busto”, “cintura”, “quadril” e “comprimento”, conjuntamente aos biotipos “normal”, “atlético” e “obeso”. A expectativa da entidade é de que as roupas femininas também contenham mais de vinte referências de tamanho.

Desde o início deste ano, as roupas infantis já contam com a padronização dos tamanhos, num total de 22 referências de medidas. Segundo Chadad, as indústrias estão reestruturando sua produção com as novas normas. “Por enquanto, apenas 5% das fábricas, principalmente as de uniformes escolares, já se adequaram”, disse. Mas esse número deve subir. “Mais de 100 fábricas em São Paulo devem se adequar até o final deste ano, porque os colégios estão passando a exigir as novas padronizações.”

O dirigente da Abravest destacou que as padronizações são apenas uma referência, e não uma obrigação prevista na legislação. Segundo ele, a entidade investiu mais de R$ 400 mil na elaboração e nos estudos das medidas, que contaram com mais de cem reuniões com representantes da indústria, varejo, matéria-prima e consumidores, por meio da ABNT. A entidade vai disponibilizar assessoria técnica gratuita aos fabricantes para que as empresas se adaptem às padronizações. “Ninguém vai pagar pelas normas.” (Agência Estado)

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por Redacao Jornal

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