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Outra reforma ortográfica?

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25.08.2014 - 20:41:43

Goiânia – Na semana passada, reportagens, boatos e comentários acerca de uma nova reforma ortográfica deixaram muita gente de cabelo em pé. A frase mais famosa para retratar as supostas mudanças,“oje o omen comeu qeijo”,  foi reproduzida em blogs e em grandes portais de notícias.

Na última quinta-feira (21/8), diante do impacto causado pelas informações de que nossa ortografia seria radicalmente alterada, o senador Cyro Miranda (PSDB-GO), presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte correu para acalmar os ânimos e desmentiu a existência de qualquer iniciativa nesse sentido.

O que o senador não disse – e é bom que se saiba – é que existe muita gente trabalhando para simplificar a ortografia, e não é de hoje. Desde a homologação, em  2009,  do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, aquele que extinguiu o trema e alterou as regras dos hifens,  um grupo encabeçado pelos professores Pasquale Cipro Neto e Ernani Pimentel trabalhou para alertar sobre algumas inconsistências das novas regras e a necessidade de adaptá-las e, talvez, de acrescentar mais algumas.

Por causa desse movimento, intitulado Acordar Melhor, o acordo, que passaria a valer a partir de 2012, teve sua implantação obrigatória no Brasil adiada para 1º de janeiro de 2016. Cumprido o objetivo, o grupo deixou de existir, mas muitos dos seus membros atuam hoje, como consultores, dentro da Comissão de Educação do Senado, no grupo que analisa as propostas para melhorar o ensino da língua no Brasil.

Cyro Miranda não mentiu quando disse que não havia um projeto para alterar a ortografia, mas omitiu a presença desse grupo que tem uma proposta de simplificação e muitas ressalvas ao acordo já em vigor. Talvez sua preocupação tenha sido “apagar o incêndio” alastrado pelas redes sociais, que provocou toda sorte de comentários. Esperamos que ele retome o assunto com mais calma e registre a “luta” desses professores.

O portal R7 publicou, didaticamente, as propostas de autoria de Ernani Pimentel, que reproduzo:

“1. Deixa-se de escrever o “h” no início das palavras porque ele não é pronunciado. Exemplos: omem, oje, ora, istoria etc.

2. Deixa-se de escrever o “u” porque não é pronunciado. Exemplos: qeijo, qero, aqilo, leqe etc.

3. Somente a letra “x” poderia representar esse som. Exemplos: xá, flexa, maxo, caxo etc.

4. Somente a letra “z” seria usada para representar o som de Za, Ze, Zi, Zo, Zu. Exemplos: bluza, analizar, ezuberante, ezemplo etc.

5. Os encontros “ss”, “ç”, “sç”, “xç” e “xc” seriam eliminados. O som de “s” seria, então, representado apenas pela letra “S”. A atual forma exceção, por exemplo, seria substituída por “esesão”.”

Em debate sobre o assunto, alguns dos meus alunos ficaram indignados e apavorados com a possibilidade de essa mudança se concretizar. Um deles, mais curioso, pesquisou e enviou sua opinião para que eu concluísse essa coluna:

“Já fizeram parte de nossa escrita palavras como: architectura (arquitetura), augmentar (aumentar), chlorophylla (clorofila), communicação (comunicação), pharmacia (farmácia) etc. A alteração da escrita delas causou estranheza na sociedade da época. Antes  de demonstrarmos oposição ao assunto, ao menos tenhamos a preocupação de conhecê-lo, examinar de forma intelectiva as mudanças. Antes se comprava medicamentos na pharmacia, hoje se compra na farmácia e possivelmente, isso será feito na farmásia”.

Se você quer saber mais sobre as propostas, o trabalho do grupo técnico e o abaixo-assinado para apoiar as mudanças, clique aqui.

Não estou fazendo campanha, até porque embora compreenda a lógica fonética das mudanças, ainda não tenho certeza de ser esse o melhor caminho. Mas o debate sempre é.

*Coluna escrita por sugestão e com a colaboração do Daniel José de Souza, aluno do curso de redação empresarial.

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por Leticia Borges

*Leticia Borges é especialista em Língua Portuguesa, jornalista, professora e palestrante.

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