Um alpinista experiente e ateu resolveu escalar sozinho o Aconcágua, a montanha mais alta das Américas, localizada na Cordilheira dos Andes, na Argentina, buscando a glória pessoal.
Durante sua subida, o tempo piorou e a escuridão da noite o alcançou.
Em um determinado ponto, já perto do cume, ele pisou em falso, escorregou e despencou no abismo.
Em meio à queda violenta e inesperada, sentiu um puxão forte: sua corda de segurança o sustentou, deixando-o suspenso no ar, no silêncio e na escuridão total da noite gelada.
Na hora do desespero, mesmo sendo ateu, ele clamou:
– Oh, Deus, se o senhor existe, de fato, me ajuda!
Uma voz poderosa e serena respondeu do céu:
– O que você quer que eu faça, meu filho?
O homem respondeu, aos prantos e sem muita esperança, o que lhe era peculiar.
– Me salva, Senhor! Por favor, preciso da sua ajuda! Tenho certeza que vou morrer!
A voz, então, disse-lhe:
– Se você realmente acredita em mim, demonstre sua fé e seu otimismo e solte a corda em que está pendurado.
O alpinista, completamente aterrorizado, concluiu que aquela voz não era real e, sim, alucinações de sua mente, talvez provocadas por seu grande pavor, e agarrou-se ainda mais firme à corda…
No dia seguinte, equipes de resgate o encontraram morto, congelado, agarrado à corda, a apenas meio metro do chão de um degrau existente na montanha logo abaixo de seus pés.
E se fosse conosco, soltaríamos a corda? Como está nosso otimismo para enfrentar os desafios do caminho?
De um modo geral, em nossas vidas, as provas, chamadas por alguns de mau agouro e por outros de bênçãos, “têm por objetivo exercitar a inteligência, assim como a paciência e a resignação”, pois ainda aprendemos bem mais pela dor do que pelo amor. Para isso comprovar, basta observarmos o tanto que aprendi e gravei as lições da vida que me trouxeram maior sofrimento, mas, também, que me fizeram superar o quase impossível, naquele momento.
Assim, sabendo que as provações são naturais e, aliás, molas propulsoras para nossa evolução moral, por que não as enfrentar com determinação e, principalmente, otimismo?… recordando que Deus está sempre conosco e nunca nos desampara; que a Justiça Divina é justa e imutável e que não existe a Injustiça Divina?
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“No mundo terei aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”, já nos havia ensinado o Mestre Jesus, em João 16:33.
Li uma frase, certa vez, do escritor Esse Capelli, que sempre a carrego comigo por onde vou: “O que não conseguires com um sorriso, jamais alcançarás com azedume.” Ou seja, o que não conquistar com equilíbrio, serenidade e alegria, não será na marra, aos gritos e no desespero, que obterei.
Dessa forma, o otimismo é um bálsamo de luz em nossa caminhada, que se manifesta através da coragem diante das adversidades, da disposição para o bem e da confiança na própria capacidade de superação, em momentos de desorientação, tão comuns nos dias atuais, em que a humanidade se encontra adoecida e mergulhada em uma crise moral sem precedentes.
Ele nos chama a olhar para o passado e perceber as forças que conquistamos, ao invés de apenas ficarmos presos, sem reação, em algum momento de derrota, sendo, também, uma importante vacina da alma, contra o desânimo (quando nos dá o vigor para a luta e a coragem para recomeçar), contra o egoísmo (ao buscarmos a felicidade para nós e para o próximo) e contra o medo (ao nos ajudar a tomar decisões mais saudáveis e corajosas em nossa jornada evolutiva).
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Imaginemos, por exemplo, um ser humano emburrado, reclamão e revoltado, 24h por dia, só pensando que tudo vai dar errado, que nada de bom irá acontecer. (Aquela pessoa que se você lhe disser, bom dia! Ela já logo responde: bom dia, por quê?! O que tem de bom?) O que ela atrai para perto dela, pela afinidade de seus pensamentos, palavras e atos? Só coisas ruins e situações desagradáveis, condizentes com a sua vibração.
Por outro lado, existe o indivíduo alegre, esperançoso em dias melhores, que tenta sorrir e se esforçar, demonstrando seu otimismo, mesmo com todas as dificuldades que enfrenta (que são comuns para todos nós). Essa pessoa já aprendeu que Deus não castiga ninguém.
E, “só” por ter esse otimismo em sua mente e em seu coração, já consegue afastar de perto dela, também, um tanto de contratempos, que poderiam vir a acontecer, pela lei da atração.
Há um belo texto, intitulado Não estás deprimido, estás distraído, do escritor e filósofo argentino Facundo Cabral, que assim nos alerta (peço licença para ler algumas partes dele, para nossa melhor reflexão):
“Não estás deprimido, estás distraído, distraído da vida que lhe habita. Tens coração, cérebro, alma e espírito… então como podes sentir-se pobre e desprezado? Distraído em relação à vida que te rodeia: Golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
(…) Não caias no que caiu teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin, com maestria, aos noventa. Só para citar dois casos conhecidos.
Não estás deprimido, estás distraído, por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só fio de cabelo de tua cabeça, portanto não podes ser dono de nada.
Além disso, a vida não te tira coisas, a vida te liberta de coisas. Te alivia para que voe mais alto, para que alcances a plenitude. Do útero ao túmulo, vivemos numa escola, por isso, o que chamas de problemas são lições.
(…) aquele que morre simplesmente está adiantado em relação a nós, porque para lá vamos todos. Além disso, o melhor é o amor que segue em teu coração.
(…) Não encontras a felicidade e é tão fácil, só deves escutar teu coração antes que lhe intervenha tua cabeça, que está condicionada pela memória, e complica tudo com coisas velhas, com ordens do passado…
(…) Deus te tornou responsável por um ser humano, e é tu mesmo. A ti deves fazer livre e feliz, depois poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros. Lembra-te de Jesus: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”. Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que estás vendo é uma obra de Deus; e decide agora mesmo ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição. Não algo que chegará de fora.
Aliás, a felicidade não é um direito, e sim um dever, porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os que te amam.
(…) Quando a vida te trouxer mil razões para chorar, mostra que tens mil e uma razões para sorrir.” – encerra.
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Se, por um acaso, ainda ficou alguma dúvida sobre o fato de que ser otimista é o melhor para nós; e caso ainda penso que tenho problemas demais e que não sou capaz de superá-los, vamos a ela, para demonstrar que estou equivocado e devo mudar, imediatamente, antes de sair daqui, desta reunião, na tarde de hoje.
Com todos nós, a “professora” gratidão.
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O mandamento “Em tudo dai graças”, encontrado em 1° Tessalonicenses 5:18, instrui os cristãos a manterem uma atitude de gratidão constante a Deus, confiando na Sua soberania e propósito, seja nas alegrias ou nas dificuldades.
Deste modo, a gratidão, amigos, vai muito além do agradecimento, atuando como mais uma vacina para a alma, promovendo a reforma íntima (ou o autoaperfeiçoamento), a aceitação, e, em consequência, é claro, o otimismo.
A esse respeito, já para finalizar, trago partes do belíssimo Poema da Gratidão, de Amélia Rodrigues, um poema em forma de oração, poderíamos defini-lo assim, que diz:
“Muito obrigado Senhor!
Muito obrigado pelo que me deste.
Muito obrigado pelo que me dás.
Obrigado pelo pão, pela vida, pelo ar, pela paz.
Muito obrigado pela beleza que os meus olhos vêem no altar da natureza. […]
Muito obrigado Senhor!
Porque eu posso ver meu amor.
Mas diante da minha visão
Eu detecto cegos guiando na escuridão
que tropeçam na multidão
que choram na solidão.
Por eles eu oro e a ti imploro comiseração […]
Muito obrigado Senhor!
Pelos ouvidos meus que me foram dados por Deus. […]
Pela minha alegria de ouvir, pelos surdos, eu te quero pedir […]
Obrigado pela minha voz
Mas também pela sua voz
Pela voz que canta
Que ama, que ensina, que alfabetiza,
Que trauteia uma canção
E que o Teu nome profere com sentida emoção!
Obrigado Senhor!
Pelas minhas mãos
Mas também pelas mãos que aram
Que semeiam, que agasalham.
Mãos de ternura que libertam da amargura
Mãos que apertam mãos […]
Obrigado Senhor!
Porque me posso movimentar.
Diante do meu corpo perfeito
Eu te quero rogar
Porque eu vejo na Terra
Aleijados, amputados, decepados, paralisados, que se não podem movimentar. […]
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Obrigado por fim, pelo meu Lar.
É tão maravilhoso ter um lar! […]
Que dentro dele, exista a figura
do amor de mãe, ou de pai
De mulher ou de marido
De filho ou de irmão
A presença de um amigo
A companhia de um cão
Alguém que nos dê a mão!
Mas se eu a ninguém tiver para me amar
Nem um teto para me agasalhar,
nem uma cama para me deitar
Nem aí reclamarei.
Pelo contrário, eu te direi
Obrigado Senhor!
Porque eu nasci!
Obrigado porque creio em ti
Pelo teu amor, obrigado senhor!”
*Marcelo Arruda, advogado das áreas do Direito das Sucessões e de Família, ocupa a cadeira nº 22 da Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás.
