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Os vizinhos sofrem e isso diz respeito a nós

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27.02.2019 - 18:07:46

A situação da Venezuela como um todo é de uma instabilidade sem precedentes na América do Sul. Visto do maior país do continente, é assombroso o ponto em que nosso vizinho chegou. Nos tempo de Hugo Chavez, já víamos amostras terríveis do que poderiam sofrer de consequências de um regime ditatorial maquiado de socialista.
 
Por muitos anos construíram uma relação nociva com Cuba, cujo ditador Fidel Castro se apossou por décadas do poder, e na sucessão com seu irmão Raul Castro abrandou um pouco as relações diplomáticas. Ao contrário da ilha, o sucessor de Chavez pegou uma batata quente maior, e não tinha como segurar por mais anos passivos dessa tentativa desastrosa de poder. O petróleo como menina dos olhos de alguns regimes poderosos no Oriente Médio e Ásia encobrem uma intervenção mais severa.
 
Nicolás Maduro está sem o reconhecimento de cerca de 50 países, que apoiam o seu principal opositor no parlamento, que ousadamente se auto-declarou presidente. Em meio ao conflito da cúpula, os cidadãos desse país seguem em busca desesperada de saída, cada vez mais engrossando as estatísticas de refugiados em países como Peru, Equador e nosso Brasil.
 
O estado de Roraima vive meses atípicos, cada vez mais recebendo os venezuelanos, assim como o Amazonas, dentre outros. A Agência para Refugiados das Nações Unidas (ACNUR-ONU) faz um excelente trabalho no acolhimento, o governo nas três esferas tem participado, mas ainda é necessário envolvimento da sociedade civil: doações, tolerância, gerar oportunidades, etc.
 
Em poucos anos o que restará dessa nação arrasada? São cerca de 3.500.000 venezuelanos que já deixaram seu país, em um território vasto. De quase 32 milhões que constava a população em 2017, esse número já caiu para a casa dos 29 milhões. A crise de abastecimento é estarrecedora. Vemos uma das maiores potências petrolíferas mundias se sucumbir e abandonar seus habitantes.
 
Como todo esse show de horrores, estamos falando de direitos fundamentais do homem serem negligenciados por autoridades sanguinárias. Muitos não sabemos o que é passar fome e não ter o que conseguir para comer. Milhões de venezuelanos estão sabendo. Como não se mobilizar em prol de nossos vizinhos? Que atitude podemos fazer hoje para amenizar esse quadro?
 
Doações para a ACNUR, voluntariado para fazer contatos para acolhimento, ministrar cursos rápidos para qualificar visando terem fonte de renda, são algumas das opções. Infelizmente as previsões para os próximos dias, semanas, meses e anos da Venezuela não são nada otimistas, mas remando na contramão podemos apenas servir alguém muito próximo geograficamente que não desfruta das garantias e paz que hoje nós desfrutamos.
 

*Paullo Di Castro é jornalista, teólogo e músico, atuando com Terceiro Setor, pastoreio e produção de conteúdos digitais.
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por Paullo Di Castro

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