Catherine Moraes
Goiânia completa hoje 78 anos e, certamente, há motivos para comemorar. A capital, considerada nova em um país com mais de 500 anos, ostenta bons índices de desenvolvimento humano, qualidade de vida e arborização. Mas a cidade idealizada por Pedro Ludovico Teixeira e planejada por Atílio Corrêa Lima para 50 mil habitantes se expandiu rapidamente e hoje conta com mais de 1,302 milhão de moradores. Junto com o crescimento desordenado veio uma série de necessidades. A modernidade tão falada está bem mais próxima dos discursos políticos que da realidade da população. Por esse motivo, o Jornal A Redação perguntou a representantes de diversas áreas: Qual o presente Goiânia mereceria ganhar?
Os principais pontos citados referem-se à mobilidade que hoje possui mais de 1 milhão de veículos e um trânsito cada vez mais caótico. Um transporte público de qualidade, um Veículo Leve sobre Trilhos e uma ciclovia, que foi planejada mas não sai do papel, foram as principais respostas. Confira a seguir.
Transporte de qualidade
“Goiânia merecia um melhor transporte público. Esse seria um presente que melhoraria a qualidade de vida da população. Uma rede que fizesse uma conjunção do sistema tradicional com novos módulos de transporte, como o BRT (Bus Rapid Transit) e VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), para garantir uma maior mobilidade urbana”
Luiz Fernando Cruvinel (Xibiu), arquiteto e urbanista nascido na Avenida Araguaia, no centro da cidade
“Acho que Goiânia precisa de um transporte público de qualidade. É preciso que deixar o carro em casa seja uma opção, o que hoje não é.”
José Eduardo Ribeiro, sociólogo e professor universitário, morador de Goiânia há 11 anos
Trânsito
“Goiânia precisa de um trânsito melhor, sem congestionamentos. Este problema está só se agravando e ainda não há perspectiva de melhorar nos próximos anos. Apesar de eu ter nascido em Minas Gerais, moro aqui há 37 anos e, se Deus quiser, vou morrer aqui.”
Henrique Tibúrcio, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-Goiás (OAB-GO)
“Goiânia deveria estar mais humanizada, principalmente no trânsito, que hoje é caótico e predomina a falta de educação. Nós saímos de casa já angustiados para saber se chegaremos no trabalho no horário. Em segundo lugar, precisamos da um basta na violência. Eu vi que encerramos o mês de setembro com mais homicídios que o ano passado. Isso é triste e preocupante.”
Luciano Leão, coordenador da Central de Transplantes
Ciclovia
“Gostaria muito que Goiânia tivesse uma ciclovia e aço que a cidade tem uma topografia boa porque é plana. Acredito que, com isso, muitos deixariam de andar de carro e usariam bicicletas. Hoje, os ônibus não têm qualidade nem respeitam horário. Fui a Curitiba e tive acesso a uma outra realidade, com uma baixa tarifa, ônibus limpos e pessoas sentadas. Queria que Goiânia fosse assim.”
Júlio César Motta, comandante da Academia da Polícia Militar, morador há 26 anos
“Minha resposta é muito óbvia. Gostaria que Goiânia ganhasse ciclovias para preparar a cidade para um futuro com mais mobilidade.”
Eduardo Costa, coordenador do Pedal Goiano, morador da cidade há 28 anos
Aeroporto e cidadania
“Um aeroporto decente. Goiânia praticamente não tem aeroporto. Mas também merece mais cidadania e respeito. Pessoas mais educadas, que respeitem o próximo, não joguem lixo na rua e respeitem o patrimônio público. Com isso a gente contrói uma Goiânia melhor.”
Edward Madureira Brasil, 48 anos, reitor da Universidade Federal de Goiás que se intitula um goiano do pé rachado
Distribuição de renda igualitária
“Eu gostaria que houvesse uma distribuição de renda mais igualitária em Goiânia. Dessa forma, mais pessoas teriam acesso à cultura, à educação de qualidade, alimentação mais saudável. Goiânia é uma cidade muito bonita, com um futuro cada vez mais promissor, mas a diferença entre as classes sociais é gritante. Sempre trabalhamos com um único grupo e temos dificuldade de atingir outras classes, algo que gostaríamos muito.”
Vera Bicalho, diretora geral do grupo Quasar
Iniciativa cultural
“Eu gostaria muito que as pessoas que cobram dos produtores passassem a produzir também ao invés de ficar só reclamando, de braços cruzados. Que essas pessoas participassem com ideias, que começassem a realizar e não ficassem só na crítica, falando mal na internet. É difícil realizar cultura e muitos não têm essa noção. Acho que o mercado cultural de Goiânia ficaria cada vez mais profissional se isso acontecesse.”
Carlos Brandão, diretor do Centro Cultural Goiânia Ouro e produtor cultural
Centros de cultura
“A cidade precisa de espaços de lazer e cultura popular e de bibliotecas em bairros. Em Goiânia, os jovens têm como opção shoppings e bares e nos bairros temos apenas praças. Praça é legal, mas precisamos de centros de cultura com teatro, filmes e livros.”
Luiz Carlos Fernandes, mestre em comunicação e professor universitário
E você, que presente acha que Goiânia deveria ganhar? Deixe sua sugestão nos comentários