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Os Poros da cidade

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12.08.2011 - 19:55:21

 

Em algumas localidades, acontecem várias manifestações de resistência e de resgate à ideia de “cidade para pessoas” (e não para carros e prédios). Nesse sentido, começou ontem em Goiânia a Revirada Cultural, evento que propõe usos diferentes para o espaço público, com centenas de exposições, oficinas, shows e outras manifestações artísticas, que ocorrerão em diversos pontos da cidade – na maioria dos casos, ao ar livre. E como a Revirada tem tudo a ver com um projeto muito bacana de Belo Horizonte, Minas Gerais, resolvi falar dele.

“Trazer à tona aspectos da cidade que se tornam invisíveis pela vida acelerada nos grandes centros urbanos”, “estabelecer discussões sobre os problemas das cidades” e “reivindicá-las como espaço para a arte” são alguns dos objetivos do Poro, uma dupla de artistas que transita por BH colando serigrafias por paredes descascadas, distribuindo panfletos provocativos e, de diversas maneiras, colorindo a capital mineira.

Outras atividades de Marcelo Terça-Nada, um dos integrantes do Poro, são seu trabalho como designer gráfico (junto com uma sócia, cria sites, logomarcas e embalagens para comunidades produtoras de alimentos) e sua atuação junto ao movimento Slow Food. Periodicamente, ele organiza com o grupo local de comensais piqueniques em parques belo-horizontinos. Ou seja, o moço faz muitas coisas legais. A seguir, uma entrevista com ele:

Provavelmente, muitos dos problemas de Belo Horizonte se parecem com os de Goiânia. O que é que mais aflige vocês?

Marcelo: A maioria das grandes cidades do Brasil passa hoje pelos mesmos problemas. Entre eles, os que mais nos afligem são o crescimento desordenado, o esvaziamento do espaço público, a diminuição dos espaços verdes (jardins, praças, parques e quintais), deixando as cidades cada vez mais áridas e cinzas, a poluição, o privilégio no modelo de “cidade para os carros” em detrimento a modelos de cidades para as pessoas, a homogeneização das cidades, que perdem suas caras e memória para se tornarem todas um mar de prédios e engarrafamentos.

Qual é seu grau de esperança de que as pessoas se unam para resistir a essas mudanças negativas? Você tem alguma boa história a esse respeito para nos contar?

Marcelo: Eu acredito na mobilização e vejo grandes exemplos em movimentos como o Nossa São Paulo, que conseguiu engajamento de grandes empreendimentos com relação à origem e à legalidade da carne e da madeira vendidos em seus estabelecimentos na capital paulista. Ou o Praia da Estação que, com muito humor e irreverência, conseguiu pressionar a prefeitura de Belo Horizonte a rever a proibição de eventos públicos na maior praça do Centro da cidade.

O que o motiva mais no seu trabalho?

Marcelo: Atuar de modo construtivo para fazer um mundo mais bacana de viver.

Qual é sua formação?

Marcelo: minha formação acadêmica é em Artes. Desde 1998 sou bastante envolvido com arte contemporânea. Mas eu acredito que a gente se forma com as opções que faz e com as atividades em que se envolve. Sempre fui ligado a mobilizações sociais – como o movimento estudantil e o Fórum Social Mundial – e apaixonado por questões como o comércio justo, a alimentação de qualidade, as tradições populares, o turismo de base comunitária, a intervenção urbana, a comunicação e o design. Meu envolvimento com esses temas e toda a experiência em fundar e construir a DoDesign-s e o Poro foram fundamentais no meu processo formativo.

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por Elisa A. França

*Jornalista formada pela UFG, especializada em comunicação ambiental, com passagem pelo Greenpeace e pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

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