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Os desafios do novo governador de Goiás

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05.01.2019 - 10:35:47

 
Para quais áreas da administração pública o novo governador do estado, Ronaldo Caiado, deve ter um olhar especial? Em meio a escassez de recursos, todo gestor público deve avaliar as áreas em que a administração anterior foi bem-sucedida e redefinir programas em setores em que houve avanços pouco significativos ou até mesmo retrocesso. 
 
Esta não é uma tarefa fácil, sobretudo pela complexidade dos elementos em discussão. Saúde, educação, emprego, segurança: cada área sujeita à administração pública possui uma infinidade de subáreas.
 
Uma ferramenta que pode dar relevante contribuição a essa tarefa é o Ranking de Competitividade dos Estados, desenvolvido pelo Centro de Liderança Pública (CLP), em parceria com a Economist Intelligence Unit e a Tendências Consultoria Integrada. Trata-se do maior estudo acerca da gestão pública no País. Nele, estão reunidos 68 indicadores de dez áreas-chave para o desenvolvimento dos estados e do Brasil. A partir de sua 7ª edição, recém-divulgada, é possível verificar em que setores cada Unidade da Federação teve um avanço mais veloz ou mais lento, nos últimos quatro anos, que o resto do País.
 
Ao longo dos últimos quatro anos, Goiás melhorou em diversos aspectos. Em 2015, o estado se encontrava na 10ª posição, e embora tenha variado negativamente em 2016 e 2017, retornou a mesma 10ª colocação em 2018. Um dos principais destaques se deu no pilar de Solidez Fiscal, no qual o estado evoluiu 18 posições, passando da 23ª para a 5ª entre os estados da federação. Esse avanço se deve, em grande parte, as melhoras no indicador de “Capacidade de Investimento”, no qual o estado cresceu 13 posições, e no indicador de “Sucesso de Execução Orçamentária”, onde Goiás evoluiu 14 posições.
 
Além disso, o estado também evoluiu no pilar de Eficiência da Máquina Pública, evoluindo da 15ª para a 11ª posição. Essa melhora foi gerada, principalmente, pelo aumento da transparência do governo do estado e pela queda no número de servidores comissionados no estado, que se encontra em torno de 6,1%.
 
Todavia, é notório a partir dos dados do Ranking, que Goiás apresentou mau desempenho, em relação aos outros estados, nos indicadores que mensuram a educação, o capital humano e, especialmente, o potencial de mercado. Em relação a essa última área, o estado sofreu uma queda de 4 posições, deixando de ser o 9º maior potencial de mercado para se tornar o 13º. Contribuiu para tanto, particularmente, a baixa taxa de crescimento de Goiás, que, se no início da última gestão, era a 8ª melhor do País e hoje é apenas a 14ª. 
 
O governador não é o único responsável pela taxa de crescimento regional. Ocorreu nos últimos anos, uma queda na média de crescimento de todas as unidades da federação no país, com a crise econômica nacional afetando de forma notória o crescimento local. Mas, tendo em conta o comparativo com as outras Unidades da Federação, pode-se dizer que o novo governo precisa tomar medidas para que Goiás cresça, ao menos, em ritmo semelhante ao dos demais Estados bem colocados no Ranking. Para isso, o novo governador deve investir na ampliação do mercado local e no crescimento da força de trabalho qualificada.
 
Os indicadores relativos ao capital humano indicam um ponto que merece um olhar especial por parte do novo governante. Em quatro anos, Goiás patinou, oscilando da 17ª posição na área para a 18ª. Nessa área, o Estado teve maus resultados sobretudo em relação à sua população economicamente ativa com ensino superior, cuja taxa era, há quatro anos, a 14ª e hoje é apenas a 16ª do País. Somente 14,44% dos trabalhadores do Estado têm mais de 15 anos de estudo, número que se encontra abaixo da média nacional, que é de 16,1%, e da média da Região Centro-oeste, que é de 18,6%.
 
O Ranking indica ainda que os índices de educação do Estado também merecem entrar no radar de Ronaldo Caiado. O Estado, que estava há quatro anos com a 7º colocação na área, hoje figura na 9ª posição. Embora tenha apresentado um importante avanço na pontuação do PISA, subindo 6 posições, o estado recuou no indicador de “Taxa de frequência líquida do ensino fundamental”, passando da 18ª posição em 2015 para 20ª em 2017. 
 
Independentemente do viés ideológico, são essas as áreas para as quais o eleito deve voltar seus olhos e seus esforços. Afinal, a partir de um diagnóstico preciso, atuar nos setores que mais carecem de atenção em cada Estado é fundamental para que o governo cumpra a missão de garantir o bem-estar da população e o desenvolvimento socioeconômico sustentável.
 

*Luana Tavares é diretora-executiva do Centro de Liderança Pública (CLP), é pós-graduada em Administração de Empresas pela FGV com especialização em Gestão Pública e Desenvolvimento de Lideranças, ambas pela Harvard Kennedy School. 
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por Luana Tavares

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