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Orquestra Filarmônica recebe maestro Isaac Karabtchevsky

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03.12.2015 - 12:25:37

Yuri Lopes
 
Goiânia – A penúltima apresentação da temporada 2015 da Orquestra Filarmônica de Goiás está marcada para a próxima quinta-feira (10/12), no Centro Cultural Oscar Niemeyer, a partir das 20h30, com presença especial do maestro convidado Isaac Karabtchevsky. A entrada é gratuita.
 
O programa do concerto inclui a Bachiana Brasileira nº4, de Heitor Villa-Lobos e a Sinfonia nº5 do russo Tchaikovsky.
 
O encerramento da temporada deste ano será no dia 20 de dezembro, às 11 horas, também no Centro Cultural Oscar Niemeyer. Na ocasião, a Filarmônica vai receber como convidados Mônica Salmaso, Nelson Ayres e Sávio Sperandio.
 
Conheça o maestro
Em 2009, o jornal inglês The Guardian indicou o Maestro Isaac Karabtchevsky como um dos ícones vivos do Brasil. A expressão do jornal tem sua razão de ser: desde os anos 70, Karabtchevsky tem desenvolvido uma das carreiras mais brilhantes no cenário musical brasileiro, atuando por 26 anos como Maestro da Orquestra Sinfônica Brasileira, comandando o projeto mais ousado de comunicação popular da América Latina, o Aquarius, que reuniu durante anos milhares de pessoas ao ar livre e favoreceu, dessa forma, a formação de um público sensível à música de concerto.

O Programa

H. Villa-Lobos: Bachiana Brasileira No. 4 (22’)
P. I. Tchaikovsky: Sinfonia No. 5 em Mi Menor, Op. 64 (50’)  
Isaac Karabtchevsky, regente
 
Piano ou orquestra? É essa uma das discussões centrais em torno dessa 4ª Bachiana. Composta originalmente para piano em 1930, a obra recebeu novo arranjo para orquestra de cordas em 1941. Ainda hoje as duas versões convivem não sem controvérsia, com admiradores de ambas as versões. O primeiro movimento, o Prelúdio, é inteiramente construído sobre uma simples sequência de cinco notas: a genialidade do compositor se deixa entrever na sua capacidade de conseguir a máxima expressividade a partir desse pequeno motivo. Verdadeira ode à melancolia da Belle Époque, não por acaso, é uma das obras mais populares do compositor. Há quem identifique essa introdução com a essência da brasilidade: insistente, dramática, intensa. O movimento termina numa inusitada sequência harmônica, mas num simples acorde de sétima. 
 
No segundo movimento, Canto do Sertão, o compositor evoca o Planalto Central, valendo-se de uma melodia longa e arrastada e sobre a qual o insistente si bemol do xilofone e das flautas traduz o pio metálico da araponga, ave comum a este território. Na ária, Cantiga, Villa-Lobos emprega um tema folclórico em modo dórico, "Ó mana, deix'eu ir", oriundo do Nordeste do Brasil, numa espécie de tema com variações. O final, a dança Miudinho, é uma alusão a um dos vários passos do samba de roda, típica dança ainda do Nordeste brasileiro.
 
Ao dedicar-se à sua quinta sinfonia, fazia já dez anos desde que Tchaikovsky havia escrito sua quarta sinfonia. Sempre duvidoso em relação às suas próprias composições, Tchaikovsky acreditava que já tinha usado suas melhores ideias e que não seria capaz de criar outra grande obra de qualidade. Mas ao começar seus primeiros esboços da sinfonia, animou-se, concluindo a obra durante o verão de 1888. 
 
O primeiro movimento é trágico, como convém às grandes obras do autor. O segundo movimento, o mais longo de toda a obra, é baseado sobre uma melancólica melodia, e vem sendo utilizada em várias releituras, inclusive em filmes de Hollywood e numa conhecida adaptação de Glenn Miller, Moon Love. O último movimento já foi chamado de pandemônio, associado a um ataque de delirium tremens e comparado à luta de cossacos na aridez das estepes centro-asiáticas. 
 
Em 1941, em plena Segunda Guerra, a sinfonia foi tocada em Leningrado num concerto transmitido ao vivo pela rádio da cidade, para animar a população. Ali pelo final do segundo movimento, bombas começaram a cair próximo ao teatro, mas a orquestra continuou firme até a última nota. Tchaikovsky mesmo via essa obra como uma homenagem ao destino, começando, em suas próprias palavras, com "hesitação e reclamações", passando pela "réstia de luz" do solo das trompas no segundo movimento, para terminar numa explosão de autoafirmação. 
 
(Wolney Unes e Jason Arnoldt)
 

 
Serviço:
Quando: 10/12
Horário: 20h30
Local: Centro Cultural Oscar Niemeyer
Entrada gratuita

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por Adriana Marinelli

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