O concerto, agendado para o próximo dia 12 de novembro, às 20h30, será realizado no Teatro Escola Basileu França.
III. Allegro
(12 NOV, 20h30, Teatro Escola Basileu Toledo França, Entrada Gratuita)
J. S. Bach: Concerto de Brandenburgo No. 1 em Fá Maior, BWV 1046 (20’)
J. S. Bach: Concerto de Brandenburgo No. 2 em Fá Maior, BWV 1047 (13)
J. S. Bach: Concerto de Brandenburgo No. 3 em Sol Maior, BWV 1048 (10’)
J. S. Bach: Concerto de Brandenburgo No. 4 em Sol Maior, BWV 1049 (17’)
J. S. Bach: Concerto de Brandenburgo No. 5 em Ré Maior, BWV 1050 (21’)
J. S. Bach: Concerto de Brandenburgo No. 6 em Si Bemol Maior, BWV 1051 (18’)
Helena Jank, cravo
Madeleine Easton, regente e violino
Músico numa pequena capela, aos 36 anos de idade, Bach juntou seis concertos e os enviou de presente a um importante nobre em Brandemburgo. Não são claras as razões do presente de Bach, mas parece que o compositor buscava as graças do nobre e um cargo melhor como compositor oficial da corte prussiana.
A estratégia não deu muito certo, já que o marquês nem tinha um grupo orquestral à disposição para executar as peças. O presente de Bach, o manuscrito com os concertos, ficou portanto sem uso, guardado na biblioteca do marquês por quase 20 anos. Após sua morte, as partituras entraram no bolo do espólio vendido pela família, e renderam o equivalente a R$ 100. Os manuscritos ficaram guardados num arquivo e só foram descobertos mais de cem anos depois, em 1849, quando foram executados pela primeira vez e em seguida publicados.
Dos seis concertos, vários foram arranjados a partir de obras anteriores de Bach. A compilação de Bach pode ser vista como um antepassado do costume atual de uma dupla que grava um CD como demonstração de sua arte para enviar a um produtor. O primeiro concerto, por exemplo, é adaptado da abertura da Cantata nº 208. Um arranjo do quarto concerto, por sua vez, foi usado em outro seu concerto para cravo.
Importante lembrar que, diferentemente do significado atual, o termo concerto era usado nesta época ainda para designar uma obra para conjunto de instrumentos. Fiel ao propósito de demonstração das habilidades do compositor, a compilação exibe obras bastante distintas entre si, desde a duração (que varia de dez a mais de vinte minutos) até a instrumentação e a forma. Alguns são virtuosísticos, outros mais simples, mas todos com a riqueza e a inventividade melódica característica da obra do compositor alemão.
Convém lembrar que o primeiro movimento do segundo concerto foi selecionado pela equipe do astrônomo Carl Sagan para integrar o projeto Voyager: a espaçonave que foi lançada em 1977 para fora do Sistema Solar, com amostras da produção humana para um eventual encontro alienígena. Isso significa que o primeiro som humano que um extraterrestre ouvirá ao se deparar com a nave é parte do concerto que ouviremos hoje. Atualmente a espaçonave está já a cerca de 20 bilhões de km de distância da Terra, viajando a uma velocidade de 61 mil km/h. Não se tem notícia de encontro da nave com nenhum ser apreciador de música até o momento.
(Com Isabel Blum Schneider)
26 NOV, 20h30, Centro Cultural Oscar Niemeyer, Entrada Gratuita
B. Bartók: Concerto No. 3 para Piano e Orquestra (23’)
A. Bruckner: Sinfonia No. 4 em Mi Bemol Maior, “Romântica” (70’)
Fábio Martino, piano
Neil Thomson, regente
Com a piora da situação política na Europa logo após o início da II Guerra Mundial, Béla Bartók, notoriamente antifascista, teve de deixar a Hungria. Passou os últimos cinco anos de sua vida inteiramente nos Estados Unidos, praticamente sem produzir nada, até o convite para compor um concerto para piano. Com a piora de sua saúde, Bartók teve de lutar contra o relógio para terminar sua obra. Ao terminar o último compasso, Bartók escreveu a palavra "vége", o fim, em húngaro, antevendo sua morte apenas quatro dias depois.
O concerto tem um espírito sereno e lírico, e homenageia sua esposa Ditta. O Allegretto começa de forma delicada, com uma melodia simples acompanhada por cordas. O segundo movimento é baseado num cântico de Beethoven, escrito como graça por ter se recuperado de uma doença grave. Bartók começa o movimento como em Beethoven, mas logo as cordas dão lugar a imitações de sons naturais, como insetos e cantos de pássaros. O final exibe o otimismo típico dos terceiros movimentos de Bartók, atonal e com grande complexidade rítmica.
Bruckner era um professor de música do interior da Áustria, admirador de Wagner. Compositor de obras longas e densas, o austríaco se insere em meio à passagem da grande geração romântica de Chopin, Schumann e Liszt, 1811, para a retomada do classicismo formal de Brahms.
Entre tantos grandes nomes, Bruckner ficou reconhecido por suas longas e densas sinfonias, das quais a nº 4, Romântica, é uma das mais populares. Seu subtítulo se refere ao romance medieval, cavaleiros às voltas com belas e indefesas princesas. Escrita em 1874, a obra foi revisada sucessivas vezes até a versão final de 1888. Nas várias revisões que fez, Bruckner chegou a discutir com diretores de orquestra e compositores de modo a obter uma obra coerente com a ideia que ele tinha do romance medieval. O primeiro movimento representaria portanto uma larga noite de sono, com o som das trompas anunciado um novo dia. No segundo movimento, o tema remeteria à aura da canção, de uma serenata, enquanto o terceiro descreveria a diversão dos caçadores num bosque medieval. Por fim, no quarto movimento haveria um grande almoço em meio às árvores de um bosque.
Entretanto, não custa lembrar que, como a música tem seu significado livre, o ouvinte fica à vontade para tecer novos e próprios imaginários para a sinfonia, discordando das sugestões de Bruckner.
(Com Jason Arnoldt e Rodrigo Oliveira dos Santos)
(Por Wolney Unes e Isabel Blum Schneider)