A Redação
Goiânia –
O advogado e pré-candidato à Presidência da Ordem do Brasil – Seção de Goiás (OABGO), Pedro Paulo de Medeiros, questionou, nesta quinta-feira (6/9), a posição adotada pela bancada da OAB-GO no Conselho Federal, durante sessão plenária realizada na última terça-feira (4), quando votou contra a entrada em vigor, já nas eleições deste ano, da exigência da cota mínima de 30% de mulheres nos cargos de direção da instituição.
Segundo ele, a decisão de empurrar a nova regra para o pleito de 2021 se deu por maioria de votos das seccionais do País, tendo divergido apenas as bancadas das OABs de São Paulo, Distrito Federal, Minas, Rio Grande do Norte, Sergipe e Maranhão.
Apesar disso, na visão de Pedro Paulo, tanto a OAB Nacional quanto a OAB-GO estão noticiando o fato como se tivessem trabalhado pela causa positivamente: “Estão anunciando por aí que conseguiram aprovar a cota para as eleições de 2021. O que não estão contando é que a proposta era para que essa regra passasse a valer imediatamente e que eles votaram contra isso. Distorcem os fatos. Nisso são muito bons”, critica.
Segundo o conselheiro federal Leon Deniz, que não presenciou a sessão tampouco votou porque estava de licença, colegas de outros estados lhe contaram que houve um burburinho das mulheres presentes, que obrigou o presidente do Conselho Federal OAB, Cláudio Lamachia a exigir ordem no plenário. “Foi um ruído de insatisfação por ter de ouvir uma mulher votar contra a inserção imediata de mulheres nos cargos de direção da OAB. Se eu estivesse presente, seria o voto divergente da bancada”, comenta.
Para Pedro Paulo, já passou da hora de as mulheres se fazerem mais presentes nos quadros de direção na Ordem. “Isso não ter mudado até hoje é um absoluto atraso”, comenta o pré-candidato, ao adiantar com exclusividade ao Jornal A Redação que em sua chapa a regra já será cumprida este ano. “Pra mim não bastam palavras. É preciso atitude. Faço questão absoluta de montar uma equipe com, no mínimo, 30% de mulheres no Conselho Seccional, na Diretoria, na Casag e no Conselho Federal”.
Pedro Paulo afirma que era esperado que a bancada da OAB-GO no Conselho Federal estivesse entre as seccionais que votariam a favor da aplicação imediata da nova regra, uma vez que a atual gestão da Seccional havia prometido, durante a campanha de 2015, batalhar arduamente por uma maior inserção das mulheres nos quadros da Ordem. “Fico completamente chocado com a capacidade que esse pessoal tem de virar às costas para os próprios apoiadores. Todos sabemos que grande parte dos votos obtidos por eles nas eleições vieram das mulheres advogadas e dos jovens advogados, que também foram traídos”, afirma.
Advocacia jovem
Sobre esta última afirmação Pedro Paulo justifica que, durante sua campanha, Lúcio Flávio prometeu que batalharia contra a cláusula de barreira, prevista no artigo 63 do Estatuto da Advocacia e da OAB, que impede advogados com menos de cinco anos de inscrição na Ordem de ocuparem cargos eletivos na instituição.
“Embora tenha se comprometido nesse sentido, após tomar posse, ele mudou de posição: em outubro de 2017 assinou a Carta de Goiânia, elaborada durante o 36º Colégio de Presidentes de Subseções da OABGO. A Carta de Goiânia, em seu ítem 4, repudia um projeto de lei que estava em tramitação no Senado Federal para que fosse derrubada a cláusula de barreira. A justificativa deles é que a iniciativa era meramente eleitoreira. Ora, ao fazer essa afirmação a gestão admite que se comprometeu com essa causa da advocacia jovem só para ganhar as eleições. Uma vez ganhando, se voltaram contra”, frisa.