Michelle Rabelo
Atualizado às 14h20
A Polícia Civil (PC) divulgou nesta segunda-feira (5/12) o balanço da Operação Gota d’Água realizada desde o dia 11 de setembro em todo o Estado. No total, 452 pessoas foram presas por envolvimento com o tráfico de drogas. De acordo com a Polícia Civil, foram feitos 308 flagrantes. Somente na Primeira Delegacia Regional de Polícia (1a DRP), no Setor Central da capital, foram registradas 70 ocorrências.
A iniciativa surgiu por causa do aumento significativo da violência nos últimos meses, que culminou na troca dos comandos dos órgãos que compõem a Secretaria de Segurança Pública (SSP). A associação dos crimes de homicídio com o tráfico de drogas vem sendo feita pelas polícias, e outras ações como a operação Gota d’Água já são prometidas para a próxima semana. O evento aconteceu no Conselho Superior da Polícia Civil, em Goiânia, e a operação foi classificada como “altamente positiva” pelo delegado adjunto da Polícia Civil, Álvaro Cássio dos Santos.
O objetivo dos Grupos Especiais de Repressão a Narcóticos (Genarcs) e das Delegacias Regionais da Polícia Civil (Denarc) era combater o tráfico de drogas com mandados de busca e apreensão, prisão preventiva para suspeitos e prisão para os criminosos pegos em flagrante. Houve ainda apreensão de armas de fogo.
O perfil traçado através do resultado da Gota d’Água é de um traficante homem (82% do total) com idade entre 18 e 30 anos (porcentagem que atinge 60%). De acordo com a delegada geral da PC, Adriana Accorsi, os problemas de infraestrutura que o órgão enfrenta não atrapalharam as investigações, que foram direcionadas para o grande e pequeno táfico. “Operações como esta vão acontecer com muita frequência e abordar todos os pontos da cidade, todos os tipos de tráfico. O enfrentamento será cada vez mais forte”, pontuou.
No mês de agosto a PC realizou a Operação Xadrez 121, com duração de 40 dias e participação de 14 delegacias regionais. Foram no toral, 242 mandados de prisões nas regiões de Goiânia, Aparecida de Goiânia e Entorno de Brasília. De acordo com Álvaro são ações quase conjuntas, “uma vai completando a outra”, disse.
Apreensões
Em cerca de 70 dias de operação, foram apreendidas 105 armas de fogo (só na 1DRP foram 42), cerca 1,6 tonelada de maconha (sendo praticamente toda retida no 2DRP), 38 quilos de pasta base cocaína (14 do total no 14DRP), 17 de crack (12 no 1DRP), 34 micropontos de LSD e 773 comprimidos de êxtase.
No ano de 2011, até o mês de novembro, a quantidade de maconha apreendida cresceu cerca de 3 tonaladas, a de cocaína aproximadamente 280 quilos e a de crack uma média de 65 quilos. “Podemos perceber que os traficantes são experientes e a maioria são do Estado de Goiás. Eles conhecem a área, mas outras operações vão acontecer, provavelmente semana que vem”, afirmou Álvaro Cássio.
Recapturado
Um ponto positivo da Operação foi a prisão do ex- vereador de Cachoeira Dourada, Elmo João da Silva (PR), acusado por tráfico e identificado como um dos chefes do esquema na região. O acusado estava sendo procurado desde 2007, quando Ana Maria Gonçalves, 38 anos, foi presa com 1 quilo de pasta-base de cocaína. Segundo o delegado Ricardo Torres Chueire, chefe do Genarc, ela confessou que a droga era de João. Um quilo da pasta-base, depois de processada, renderia cerca de 3 a 4 kg de cocaína. A droga foi avaliada em R$ 11 mil.
O vereador quase foi preso em flagrante. No momento em que pegava a droga no trevo da cidade, viu a polícia e fugiu em um carro. Houve perseguição, mas Elmo deixou o veículo e a esposa Gesiane Izidoro Neto, 23 anos para trás. Com um mandado de busca e apreensão, o Genarc encontrou na casa do vereador, munição e recibos de depósitos para contas na cidade de Cáceres (MT). Mais tarde houve a confirmação de que o dinheiro era o pagamento para compra da droga.
Durante a Gota d’Água, João foi encontrado no município de União de Minas, onde trabalhava como balconista em uma Casa Agopecuária. Ele foi encaminhado para o presídio local e está a disposição do Poder Judiciário. A pena para o tráfico de drogas é de 5 a 15 anos e mais 3 a 10 anos pela associação com o tráfico. Elmo pode responder ainda por quebra do decoro parlamentar.