A Redação
Goiânia –
Na segunda fase da Operação Compadrio, a juíza Placidina Pires, da 10ª Vara Criminal de Goiânia, determinou a prisão preventiva de Sandro Marcucci de Oliveira, proprietário da empresa Padrão Engenharia, e Warley Gomes, dono da Cardoso e Camargo e suspeito de ser laranja de Sebastião Costa, mais conhecido como Tiãozinho Costa. Danyllo Camargo, que também figura na lista de suspeitos de laranja do ex-deputado, foi preso temporariamente. Placidina Pires decidiu ainda pela condução coercitiva de outras cinco pessoas, além de autorizar nove mandados de busca e apreensão.
De acordo com a magistrada, há fortes indícios da existência de uma organização criminosa especializada e estruturada para a prática dos delitos de peculato, desvio, fraude em processo licitatório, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, infiltrada na Administração Pública Estadual e chefiada por Tiãozinho Costa e seu cunhado, Geraldo Magella Rodrigues. Em tese, a organização teria causado prejuízos de “grande monta” aos cofres públicos nos últimos anos, notadamente, a partir de 2006.
De acordo com as provas, o diretor de Obras da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), José Marcos Musse, utilizando-se de seu poder de gestão frente ao órgão, supostamente viabilizava para que empresas registradas em nome de terceiros formalizassem contratos com o poder público. Entre estas empresas, destaca-se, justamente, a Padrão Sistemas e Segurança Eireli – ME, que atualmente tem como sócio Sandro Marcucci e conseguiu firmar vários contratos com o Estado.
No entanto, de acordo com pesquisa realizada na base de dados da Receita Federal e Secretaria Estadual da Fazenda, várias pessoas já fizeram parte do quadro societário da empresa, entre elas, José Marcos Musse. Ele teria se associado à empresa, que presta serviços ao poder público desde 2013, em janeiro de 2011. Este fato, segundo Placidina Pires, “demonstra a atuação conjunta do direcionamento de contratações à referida empresa, com beneficiamento direto do investigado Sandro Marcucci”.
Além disso, a decisão da magistrada traz consulta ao portal da transparência do Estado de Goiás, a qual revela que, nos últimos cinco anos, foram efetuados nove empenhos em favor da Padrão Sistemas e Segurança, num total de R$ 17 milhões. “Vejo que as condutas supostamente praticadas por Sandro Marcucci são graves, havendo indícios veementes de que esteja envolvido na referida organização criminosa”, concluiu a Placidina Pires, para quem “é preciso assegurar a credibilidade e respeito às instituições públicas, em tese, vitimadas pelo referido grupo”.
Laranjas
De acordo com o Ministério Público de Goiás, Tiãozinho Costa e Geraldo Magela teriam fraudado procedimentos licitatórios, mais especificamente com a Agetop, utilizando-se de empresas registradas em nome de laranjas e, com eles, teriam, sistematicamente, praticado lavagem de dinheiro ou branqueamento de capitais. Ainda segundo o MPGO, as empresas de Tiãozinho Costa são a Divulgar Ideias Ambientais Ltda. e Camargo e Cardoso Eventos Ambientais Ltda – ME, que prestavam serviços principalmente à Agetop, no plantio de gramas e roçagem de canteiros nas margens das rodovias goianas.
A Camargo e Cardoso têm como sócios os investigados Artur Guilherme Fernandes Duarte e Warley Gomes dos Anjos, preso hoje. Artur confessou em depoimento prestado na sede do MP que a empresa pertence a Tiãozinho Costa e que ele atua como laranja, assim como Warley, que, ainda segundo ele, também empresta seu nome ao ex-deputado. Entre agosto de 2012 e fevereiro de 2014, a empresa recebeu R$ 1,8 milhão de um total de R$ 3,7 milhões empenhados por diversos órgãos públicos. (Com informações do TJGO)