Washington – O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu nesta quinta-feira (9/10) que a ajuda internacional na luta contra a epidemia de ebola seja multiplicada por 20. "Para aqueles que ainda não se comprometerem (em ajudar), eu peço que façam logo", afirmou Ban em uma reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial para discutir o surto da doença.
O presidente do Banco Mundial, Jim Yonk Kim, reforçou os pedidos da ONU para garantir que os profissionais de saúde infectados sejam tratados adequadamente. O objetivo é garantir que haja médicos e enfermeiros dispostos a trabalhar nas áreas mais afetadas pelo surto da doença.
Kim também afirmou que mais hospitais e centros de saúde devem ser construídos rapidamente nesses países. Ele afirmou que esta é a melhor maneira de conter o contágio do vírus. "Tentar bloquear as fronteiras e isolar esses países de alguma forma não vai funcionar", alertou às outras nações.
Bilhões
A estimativa divulgada na quarta-feira pelo Banco Mundial é que o impacto regional da crise chegue a US$ 32,6 bilhões ao final de 2015. A diretora do FMI, Christine Lagarde, disse que a instituição está disposta a fazer mais, afirmando que a crise do ebola é uma das raras ocasiões em que é bom para os países gastarem mais. Nenhuma das duas instituições informou detalhes sobre futuras ações.
Os presidentes de Serra Leoa, Libéria e Guiné, os três países mais atingidos pela epidemia de ebola, pediram nesta quinta-feira (9/10) que o mundo envie mais dinheiro, médicos e leitos para ajudar a conter o surto da doença. O presidente da Guiné, Alpha Conde, pediu por dinheiro, suprimentos, medicamentos e treinamentos para profissionais de saúde. "Nossos países estão em uma situação muito frágil", afirmou.
O presidente de Serra Leoa, Ernest Bai Koroma, afirmou que a resposta mundial não acompanha o ritmo da disseminação do vírus, que ele classificou como "uma tragédia nunca vista nos últimos tempos" e uma ameaça a todos. Ele pediu o envio de mais 5.000 médicos, enfermeiros e profissionais de apoio além de mais 1.500 leitos para Serra Leoa.
O Banco Mundial doou US$ 400 milhões às três nações e o FMI forneceu US$ 130 milhões em financiamentos emergenciais. A ONU estima que os custos do surto da doença vão chegar a US$ 1 bilhão. A crise de ebola na África Ocidental deixou mais de 3.879 mortos e infectou mais de 8.033 pessoas.
Espanha
O primeiro contágio pelo vírus ebola fora da África, que resultou na internação de uma auxiliar de enfermagem em Madri, tem gerado diversas críticas na internet por parte dos espanhóis. Teresa Romero, de 44 anos, foi contagiada enquanto tratava um missionário com a doença e está no hospital desde segunda-feira (6/10), em estado grave.
No Twitter, os comentários se dividem entre medo de sair de casa e críticas ao governo e à própria população. "Três mil pessoas morrem de ebola e todos ficam tranquilos, chega à Espanha e começa o pânico. Mas claro, 'apenas' eram africanos", criticou a usuária @silviavidal96. "Estou um pouco aterrorizado pelo tema do ebola, aqui na Espanha até agora era uma palavra tabu, mas agora está causando pânico", comentou @AGSVCF. "Que medo, já há contágios do ebola na Espanha. Estou a ponto de não sair de casa", escreveu @sanjoseva.
A ministra da Saúde da Espanha, Ana Mato, tem sido um dos principais alvos de críticas dos usuários do microblog. "Preocupa mais que o ebola chegou à Espanha ou que Ana Mato seja a maior autoridade para solucionar a crise?", questionou @rr_vega.
De acordo com matéria divulgada pelo jornal El País, o médico da primeira equipe a tratar da auxiliar de enfermagem afirmou que o processo envolveu diversos riscos de infecção. Ele precisou tirar e colocar o uniforme de proteção cerca de 13 vezes e usar uma bata curta nas mangas. O médico também disse ter descoberto o resultado positivo da análise do vírus pelo noticiário, não pela autoridade competente.
Em comentário na página do El País no Facebook, o usuário José Manuel Romera Esteban ironizou: "Diz o conselheiro de saúde de Madri 'quem manda o médico ser tão alto', um médico de saúde pública tem que ser baixo e os da saúde privada, altos, para isso que tratam as pessoas de classe alta". Outros usuários sugerem perguntar à ministra quantos mortos e contagiados é necessário para que se demita, como fez Juan Aguerre. "Me encantou o 'spanish way of thinking': acusamos a enfermeira, depois matamos seu cão e pronto, assunto resolvido. É de um conto de fadas", disse Glorieta Fuentes-Zúñiga. (Agência Estado)