Samuel Straioto
Goiânia – Oito dos 17 deputados federais de Goiás trocaram de partido durante a janela partidária, encerrada na sexta-feira (3). MDB, PSDB e Republicanos foram as legendas que mais cresceram na bancada goiana, enquanto PL e Republicanos perderam cadeiras. As mudanças refletem o reposicionamento dos parlamentares diante das eleições de outubro, com disputas por espaço em chapas para o governo estadual e o Senado.
O MDB foi o maior beneficiado ao lado do PSDB e do Republicanos. O partido do governador Daniel Vilela recebeu Flávia Morais, vinda do PDT, e Zacharias Calil, que deixou o União Brasil. O PSDB, liderado pelo ex-governador Marconi Perillo, ganhou Pastor Jefferson, vindo do Republicanos, e Professor Alcides, que saiu do PL.
O Republicanos, por sua vez, recebeu Marussa Boldrin, do MDB, e Lêda Borges, do PSDB. O PL perdeu ainda Daniel Agrobom, que foi para o PSD, partido do ex-governador Ronaldo Caiado.
| Deputado | Partido de origem | Destino |
|---|---|---|
| Zacharias Calil | União Brasil | MDB |
| Flávia Morais | PDT | MDB |
| Marussa Boldrin | MDB | Republicanos |
| Lêda Borges | PSDB | Republicanos |
| Pastor Jefferson | Republicanos | PSDB |
| Professor Alcides | PL | PSDB |
| Daniel Agrobom | PL | PSD |
| Magda Mofatto | PRD | PL* |
*O portal da Câmara dos Deputados registra Magda Mofatto como filiada ao PL. A reportagem não conseguiu contato com a deputada até o fechamento desta edição.
Brasil
Goiás ficou entre os estados com maior movimentação na Câmara durante a janela. Segundo levantamento nacional, ao menos 101 deputados federais trocaram de partido no período — volume que já supera o registrado em 2018, quando foram 85 mudanças, e se aproxima do recorde de 2022, com 121. O PL foi o maior vencedor no país, com saldo positivo de 13 deputados, enquanto o União Brasil sofreu a maior perda, com saldo negativo de 13 cadeiras.
Deputados estaduais
Pelo menos sete deputados estaduais oficializaram mudança de partido durante a janela — o número pode ser maior, já que a verificação completa das filiações na Assembleia Legislativa é mais difícil de rastrear. Clécio Alves saiu do Republicanos para o PSDB; Lucas Calil deixou o MDB pelo PRD; Paulo Cezar Martins foi do PL para o MDB; e Vivian Naves migrou do PP para o Republicanos.
“Inicio esse novo ciclo no Republicanos com o coração cheio de propósito e disposição para continuar trabalhando por quem mais precisa. Seguimos firmes, com responsabilidade e compromisso com cada goiano”, disse Naves. O Mobiliza foi o partido que mais cresceu na Assembleia, recebendo Cristiano Galindo (Solidariedade), Zeli Fritsche (União Brasil) e Veter Martins (União Brasil).
Dois casos chamaram atenção pela instabilidade. Gugu Nader chegou a trocar de partido duas vezes durante a janela: saiu do Avante, foi para o Mobiliza e terminou no PSDB. Já Julio Pina deixa o Partido Verde após poucas semanas de filiação — sua chegada ao PV foi contestada pelo PT, partido que integra com os verdes e o PCdoB a Federação Brasil da Esperança. Petistas vieram a público criticar o fato de Pina ser aliado de Ronaldo Caiado (PSD) e Daniel Vilela (MDB), sem compromisso com a programática da federação. Pina retorna ao Solidariedade, partido pelo qual se elegeu em 2022.
O que é a janela partidária?
A janela partidária é o único período em que deputados federais, estaduais e distritais podem trocar de legenda sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária. Prevista na legislação eleitoral desde a reforma de 2015, ela existe porque o TSE e o STF consolidaram, a partir de 2007, o entendimento de que nos cargos proporcionais o mandato pertence ao partido, não ao parlamentar. O mecanismo dura 30 dias e ocorre no último ano de cada mandato, funcionando como a principal janela de reorganização das bancadas antes das eleições.