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Oh, não, você de novo!

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14.10.2011 - 11:12:00

A noite de sábado para domingo será mais curta. Todos teremos que adiantar nossos relógios para uma da manhã quando as doze badalas que anunciam a virada do dia soarem no sino da igreja. Terá chegado o horário de verão e eu já estou com preguiça adiantada de pensar na manhã da segunda-feira. Acordar com o breu é coisa para estóicos. Admiro quem faz isso diariamente. Eu também acordo cedo, mas felizmente quando o sol já nasceu. A partir de segunda, estarei também inserido no grupo dos que despertam forçadamente antes do raiar do sol para ir ao trabalho. Já diz o ditado: quem é rico, ganha dinheiro; quem é pobre, trabalha; e quem trabalha não tem tempo para ganhar dinheiro.

O pior de tudo é que quando a gente já se acostumou a aproveitar mais o final da tarde claro por mais tempo com atividades esportivas, passeios no parque ou um chope esperto, a coisa volta ao normal. Isso é o que realmente enche o saco: a mudança. A fase de adaptação do horário convencional para o de verão e seu retorno em fevereiro é o mais chato de todo processo. Seria melhor esse horário de verão virasse permanente, fosse adotado esse fuso como o padrão e nunca mais viessem para o nosso lado com esse papinho furado. Ou então deixem essa ideia de lado.

Sei que o fator motivador do horário de verão é nobre. Embora a economia de energia seja percentualmente pequena, sei que o lance é feito nem tanto pela redução de consumo mas sim pela variação do horário de pico. E é óbvio que precisamos reduzir nosso consumo de tudo da forma mais urgente possível. Porém, veja você a contradição: enquanto eles colocam essa medida restritiva ao consumo de energia elétrica, quando a indústria entra em crise a primeira medida é a redução de impostos para incentivar o consumo! Calma aí, então é para comprarmos os eletrodomésticos e deixá-los desligados em casa?!? Está claro que não existe uma política unificada quando tratamos de sustentabilidade e crescimento econômico no Brasil.

A real é que a implantação do horário de verão apresenta uma relação custo-benefício horrível. O bem social da medida é infinitamente menor que o transtorno gerado à população. Mudar o metabolismo de todos tem um preço caro para a saúde. Além disso, tem a questão social como o aumento da criminalidade nas primeiras horas do dia, quando ainda está escuro. Será que compensa mesmo todo esse transtorno? Confesso que tenho minhas dúvidas.

O mais racional seria uma ação para sobretaxar produtos que não são econômicos no consumo de energia; estipular a conta de energia progressiva com o valor cobrado pelo quilowatt-hora crescendo quanto maior for o consumo; e o Estado promover um verdadeiro arrastão evitando perdas na geração e redes de transmissão. Acredito que assim o consumo diminuiria de forma efetiva.

Até isso acontecer, vamos sofrendo para acordar uma hora mais cedo todos os dias até o final de fevereiro…

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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