Michelle Rabelo
O delegado Edemundo Dias assumiu, nesta quarta-feira (30/11), a presidência da Agência Goiana do Sistema de Execução Penal (Agsep). Ele entra no lugar de Edilson de Brito, que será nomeado superintendente de Direitos Humanos da Secretaria de Segurança Pública (SSP), cargo ocupado anteriormente pela delegada Adriana Accorsi. A troca faz parte do conjunto de mudanças nas pastas da Secretaria da Segurança Pública anunciadas no dia 25 deste mês, pelo governador Marconi Perillo.
Edemundo, que respondia pela Polícia Civil (PC), afirma que o plano de combate à violência, elaborado a pedido dele e apresentado no dia 11, será mantido. O objetivo é mudar os números que apontam 2011 como o ano mais violento da capital, com 444 homicídios apurados até a noite desta terça-fera (28/11). “Assumo a Agsep por uma convocação do governador e não poderia pretender outra coisa além da retomada do poder intimidatório da polícia. Ela precisa ser respeitosa, mas acima de rudo, respeitada”, pontuou.
Quanto ao compromisso feito pelo ex-presidente Edilson de Brito, em parceria com a SSP e PC, de criar a curto, médio e longo prazos, 600 novas vagas para abrigar detentos, Edemundo garante que a meta será cumprida e ampliada. “Dentro de 90 dias vamos abrir vagas para os Centros de Triagem das especializadas. Será pedido estado de emergência, não há tempo para licitações. Outras 4 mil vagas devem ser abertas imediatamente”, afirmou.
Tendo em vista os 60 hectares de terra atualmente não cultivadas pertencentes à agência, a obrigatoriedade do trabalho para os presos foi um ponto forte na coletiva de imprensa. Segundo Edemundo, os detentos não podem ficar ociosos, mas precisam trabalhar, serem ressocializados e tratados com respeito. “Odeio crime, mas amo os criminosos e meu modo de gerir a Agsep será baseado no respeito e na recuperação dos detentos” declarou.
Segundo Edilson de Brito, a Secretaria pretende ampliar de 700 para 918 o número de agentes prisionais, plano que foi feito em sua gestão, mas que terá continuidade com Edemundo. “Os dois grandes problemas da segurança são a estrutura e o contingente. O governador já autorizou a realização de concursos para o ano que vem”, finaliza. Sobre a superintendência de Direitos Humanos, pasta que para ele, tem ligação direta com o sistema prisional, discussões com a sociedade podem ser esperadas.
De acordo com o Secretário da SSP, João Furtado, a situação da segurança no Estado está à beira do descontrole e Edmundo Dias vai contribuir para redução dos índices de vilência. “A Secretaria está aberta e disposta a ajudar no que for preciso. Fazendo uma estimativa grosseira, podemos afirmar que haverá investimentos de cerca de R$ 200 milhões na segurança do Estado, e dentro de cinco anos a situação deve estar totalmente normalizada”, comprometeu-se.
Perguntado sobre a liberação, nesta terça-feira (29/11) do tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Ricardo Rocha e outros cinco militares, por falta de provas da acusação, Furtado se absteve. “Foi uma decisão do comandante. Não posso censurar previamente. Espero que eles retornem às instituições às quais pertencem”, afirmou.