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O que os números mostram sobre o perfil do viajante e avanço do timeshare no turismo

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27.04.2026 - 14:38:18

O turismo brasileiro vive um momento interessante – em 2025, batemos recordes de movimentação turística no Brasil, segundo dados da Embratur -, mas a mudança mais relevante não está apenas no crescimento do número de viagens. Ela está na forma como essas viagens estão sendo organizadas.

Hoje, existe uma indústria estruturada por trás dessa dinâmica. O setor de multipropriedade e timeshare no Brasil, segundo relatório da Caio Calfat Real Estate Consulting, atinge mais de US$ 2,1 bilhões em vendas ao ano, o que torna o Brasil o terceiro maior mercado do mundo nesse segmento, e segue em expansão com novos empreendimentos e destinos entrando no sistema.
Mas para entender o papel dessa indústria é importante separar conceitos.

A multipropriedade é o modelo imobiliário que permite que diferentes pessoas adquiram frações de um imóvel de uso turístico. O timeshare, por sua vez, é o sistema que conecta essas propriedades a uma rede global de hospedagem por meio do intercâmbio de semanas de férias. Em outras palavras, o timeshare funciona como a infraestrutura de mobilidade do setor.

Esse sistema conecta hoje cerca de 4 milhões de viajantes a mais de 4.000 resorts distribuídos em aproximadamente 100 países, somente com a RCI que á maior intercambiadora do mundo em operação no Brasil, criando uma rede que permite que semanas adquiridas em um destino possam ser utilizadas ou trocadas em centenas de outros lugares do mundo. Só no Brasil são mais de 200 resorts disponíveis e isso significa apenas pouco mais de 30% dos resorts em operação no País.

Essa lógica muda completamente a forma como o viajante utiliza seu tempo de férias. Ao invés de pensar a viagem de forma isolada a cada ano, o consumidor passa a ter acesso a um sistema que organiza e amplia suas possibilidades de deslocamento.

Os dados mostram que essa lógica também acompanha o comportamento do turista brasileiro.
A pesquisa “O Viajante Brasileiro” (Globo e Offerwise) sobre o perfil do viajante no país aponta que 96% dos brasileiros pretendem viajar nos próximos 12 meses. Ao mesmo tempo, 80% dessas viagens devem acontecer dentro do próprio Brasil, reforçando a força do turismo doméstico.

Quando observamos especificamente o universo dos viajantes que utilizam o sistema de intercâmbio de férias, o comportamento é semelhante. Uma análise baseada em dados da própria RCI mostra que 67% das viagens realizadas por brasileiros dentro desse sistema tiveram como destino o próprio país, mesmo com acesso a uma rede internacional de hospedagens.

Alguns destinos aparecem de forma recorrente nesse movimento. Gramado (RS), Foz do Iguaçu (PR), Rio Quente (GO) e Aquiraz (CE) estão entre os mais procurados, justamente por reunir três fatores decisivos para o viajante contemporâneo: infraestrutura consolidada, experiências completas e previsibilidade de custos.

Esse último ponto talvez seja o mais relevante para entender a expansão da indústria. O consumidor brasileiro continua interessado em explorar novos destinos, mas ele também está cada vez mais atento à relação entre planejamento e custo-benefício. O timeshare surge justamente nesse espaço. Ele permite que o viajante mantenha flexibilidade para conhecer novos lugares, mas dentro de uma estrutura organizada que reduz incertezas e amplia o acesso a diferentes destinos.

Na prática, o que estamos vendo é uma transformação silenciosa na forma como o turismo é consumido. Durante décadas, viajar significava escolher um destino e reservar uma hospedagem. Hoje, cada vez mais pessoas estão optando por participar de redes estruturadas de viagem, que funcionam como plataformas de mobilidade turística.

Esse movimento ainda está em fase de desenvolvimento no Brasil, especialmente quando comparado a mercados mais maduros como Estados Unidos e Europa. Mas os números indicam que existe espaço significativo para crescimento.

Quanto mais o turismo se organiza em redes globais de destinos, mais relevante se torna a infraestrutura que conecta viajantes, empreendimentos e experiências. E é exatamente nesse ponto que o timeshare encontra seu papel estratégico dentro da evolução da indústria do turismo.

Fabiana Leite é diretora de Desenvolvimento de Negócios para América do Sul da RCI.

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por Fabiana Leite

*Jornalista, formado pela UFG. Editor do jornal A Redação.

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