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O que nossas crianças ganham com a inteligência artificial

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11.03.2025 - 10:41:25

A inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente no cotidiano de crianças e jovens e em Goiás não é diferente. Com o avanço das tecnologias generativas, como chatbots e ferramentas de criação de conteúdo, surge um novo horizonte de possibilidades para a educação e o desenvolvimento infantojuvenil. No entanto, esse cenário também exige muita atenção e responsabilidade por parte de pais, educadores e sociedade.
 
A IA pode ser uma poderosa aliada no aprendizado. Ferramentas generativas permitem a criação instantânea de conteúdo e exercícios personalizados, adaptando-se ao ritmo e à idade de cada criança. Em Goiás, a UFG criou o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) com apoio da Fapeg, do governo estadual. Iniciativa que ajuda a nos consolidar como um hub de inovação, preparando as novas gerações para um futuro tecnológico.
 
No entanto, o acesso desigual à tecnologia é um desafio estrutural. Pesquisas indicam que crianças de famílias mais ricas usam a IA com mais frequência do que aquelas de estratos sociais menos favorecidos. Essa disparidade pode ampliar as desigualdades educacionais, já que a familiaridade com a IA está se tornando uma habilidade crucial para o sucesso profissional.
 
O crescente interesse pela IA também se reflete no cenário acadêmico. Recentemente, o curso de Inteligência Artificial passou a ser o mais concorrido da UFG, com Engenharia de Software em segundo lugar. Medicina, que por décadas foi o curso mais cobiçado, ficou em terceiro. Esse fenômeno reflete uma mudança nas aspirações profissionais dos jovens, que veem na tecnologia um campo promissor.
 
Essa tendência não é apenas local, mas global. A demanda por profissionais qualificados em IA está em alta, e Goiás tem a oportunidade de se destacar nesse cenário. No entanto, é essencial que políticas públicas garantam o acesso equitativo à educação tecnológica, especialmente para crianças e jovens de baixa renda.
 
Outro ponto de atenção é o uso social da IA por crianças e jovens. É cada vez mais comum que eles recorram a chatbots para desabafar ou buscar conselhos psicológicos. Embora essas ferramentas possam oferecer suporte imediato, especialistas alertam que isso pode ser perigoso. A IA erra muito e não substitui o acompanhamento humano, especialmente em questões emocionais mais sensíveis.
 
Diante desses desafios, é fundamental que pais, responsáveis e educadores assumam um papel ativo no acompanhamento do uso da IA pelas crianças. A tecnologia deve ser uma ferramenta de apoio, e não um substituto para o diálogo e a interação humana.
 
A ascensão da IA também traz implicações políticas. Governos e legisladores precisam criar regulamentações que garantam o uso ético e seguro dessas tecnologias, especialmente quando se trata de crianças e adolescentes. Na Assembleia Legislativa, estamos prontos para trabalhar em conjunto no desenvolvimento de diretrizes que orientem o uso da IA nas escolas, além de estimular o investimento em infraestrutura tecnológica.
 
Além disso, é crucial que o estado invista na formação de professores, preparando-os para integrar a IA de forma eficaz e responsável no currículo escolar. Programas de capacitação e parcerias com instituições de ensino e empresas de tecnologia podem ser caminhos viáveis para alcançar esse objetivo.
 
A inteligência artificial oferece oportunidades incríveis para o desenvolvimento das crianças e jovens, mas seu uso deve ser guiado por critérios e acompanhamento efetivo. Em Goiás, temos a chance de liderar essa transformação de forma positiva, preparando nossas novas gerações para um futuro inovador e inclusivo.
 
Cabe a todos nós — pais, educadores, governantes e sociedade — garantir que essa jornada seja feita com responsabilidade e cuidado. E o mais importante: também precisamos garantir que esse futuro seja acessível a todos, sem deixar ninguém para trás.
 
Virmondes Cruvinel é professor, procurador do Estado licenciado e deputado estadual pelo União Brasil

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por Virmondes Cruvinel

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

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