Logo

O papel da mente na busca pela felicidade

14.01.2024 - 16:13:26
WhatsAppFacebookLinkedInX

Buscar a felicidade virou debate nas universidades e o tema invade as prateleiras das livrarias. Esta procura também fala sobre a fuga de algum tipo de sofrimento humano, como se a ausência de algo pudesse fazer a felicidade operar.
 
Assim, ao invés de nos aproximar dela, as pessoas pensam no futuro, em que haverá felicidade, ou no passado, envolto a memórias de quando se achavam mais felizes. Desta forma, crenças vão sendo alimentadas e ajudam a identificar quando situações de possível sofrimento quiserem se aproximar novamente. Infelizmente, isso é um problema, pois a mente está deslocada do único momento em que de fato se pode ser feliz: no presente.
 
A ciência trouxe possibilidades de assimilar cada vez mais o que é a felicidade. Ela engloba estudos do cérebro, bioquímica e toda a movimentação neural provocada pelas emoções. Entender os componentes químicos e estruturais envolvidos em sentimentos — como compaixão, gratidão e amor —, que fazem parte da felicidade, nos faz compreender como o corpo age nestes estados, mas ainda existe uma lacuna: como “colocá-los” para dentro? Será que a felicidade seria algo puramente molecular?
 
Para entender sobre isso, é necessário compreender que a presença de neurotransmissores na corrente sanguínea gera sensações no corpo, mas a mente é essencial para interpretar e comunicar essas experiências. Por exemplo, qual a diferença entre a adrenalina disparada quando se está em uma montanha-russa em alta velocidade, que faz todos sorrirem de felicidade, e a mesma adrenalina que corpo experimenta ao passar por um assalto, onde o sentimento é medo?
 
O neurotransmissor é o mesmo, mas o cérebro e o aparato informam que a primeira situação é de alegria e a segunda é um risco. Em ambos os casos, para o corpo, nada muda, quando a adrenalina sobe, ele se prepara para lutar ou fugir. Quando cérebro diz que não é uma situação de risco, o sistema corre para frear a descarga.
 
As emoções primárias existem em todos, mas, na maioria das vezes, o cérebro racional acalma as emoções. Porém, toda vez que sentimos uma emoção, ainda que este circuito da razão aconteça, paralelamente, corre um circuito ainda mais rápido, o do sistema nervoso autônomo (SNA), que acontece em duas vias, simpática e parassimpática. Este sistema é regido pelas emoções e não pela razão, portanto, mesmo que racionalmente pareçamos manter o equilíbrio, a descarga gerada pelas emoções primárias fica circulando em nosso corpo e altera nossa fisiologia.
 
Quando há uma explosão bioquímica, uma emoção, o sistema nervoso autônomo envia para o corpo uma resposta baseada no que se sente e não no que se pensa. São milésimos de segundo entre o sentir e codificar, porém, a resposta fisiológica é imediata. Além disso, não é necessário vivenciar uma emoção para essa liberação de carga acontecer.
 
Os pensamentos não possuem a relação tempo-espaço, sendo assim, lembrar ou imaginar algo ruim faz com que o corpo sinta que aquilo é real. A mente consegue entender a imaginação, mas o corpo, não, e ele obedece às emoções.
 
Portanto, pode-se concluir que o sistema nervoso autônomo também responde aos estímulos de alegria e bem-estar e envia para o corpo sinais de que tudo está bem. Isto abre um ponto de vista positivo. Se o sentir pode mudar a fisiologia, é possível utilizar desta inteligência para imaginar e sentir coisas boas, obtendo ganhos para o corpo.
 
Deste modo, obter alívio, conforto, plenitude, satisfação e alegria a partir da evocação de boas lembranças, provocam bons sentimentos e sensações, influenciam o sistema nervoso autônomo e a saúde na totalidade, garantindo o que todos procuram: a felicidade no presente.
 
*Camila Capel é psicopedagoga especialista em educação parental, fundamentada na pedagogia Waldorf e Antroposofia, facilitadora de processos de autodesenvolvimento, meditação e mindfulness e autora dos livros “A Mala do Opa” e “Vamos falar sobre a Vida”.
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Camila Capel

*

Postagens Relacionadas
Leonardo Ribeiro
24.02.2026
Quaresma: rumo ao deserto para escutar e viver

Com a graça de Deus iniciamos, unidos com a Igreja, o Tempo da Quaresma. Como todos os anos, neste período de quarenta dias, somos convidados a mergulhar com intensidade e coração aberto neste tempo propício de revisão de vida e conversão pessoal. A própria Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, […]

Ricardo Menegatto
17.02.2026
Prejuízos causados por eventos climáticos: quais são os direitos do consumidor?

Os alertas da Defesa Civil sobre tempestades severas tornaram-se parte da rotina de moradores de São Paulo e de diversas capitais brasileiras. Com eles, cresce também a apreensão quanto à possibilidade de quedas de energia elétrica e aos prejuízos que podem atingir residências, comércios e até a saúde de pessoas que dependem de equipamentos essenciais. […]

Carla Conti
14.02.2026
Educar com consciência planetária é um compromisso com a vida

A universidade é, historicamente, a casa do conhecimento. É nela que se formam profissionais de todas as áreas e onde se outorgam diplomas que autorizam a atuação no mundo. Mas esse gesto formal carrega uma responsabilidade que vai muito além da formação técnico-científica. Em um cenário marcado por crises ambientais, desigualdades sociais persistentes e pelo […]

Anna Carolina Cruz
13.02.2026
O tempo que não temos

Há dias em que a alma pede silêncio. Não o silêncio da ausência de barulho, mas o silêncio da consciência que desperta. Tenho pensado muito na forma como estamos vivendo. Corremos como se houvesse um incêndio permanente, como se cada mensagem ou e-mail não respondido fosse o fim do mundo, como se cada prazo fosse […]

Bruno D´Abadia
12.02.2026
Gestão de dados fortalece operadoras de saúde

O setor de saúde suplementar vive uma transição decisiva. Transparência, integridade da informação e precisão técnica deixaram de ser apenas exigências regulatórias e passaram a influenciar diretamente a sustentabilidade e a credibilidade das operadoras. Em um ambiente cada vez mais monitorado, dados corretos não são apenas números enviados à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). […]

Ralph Rangel
12.02.2026
O Homo Instagramabilis: O crepúsculo da inteligência

Houve um tempo em que o ser humano era definido pela sua capacidade de busca: a busca pelo abrigo, pelo fogo, pela forma de armazenar o alimento, pela verdade, pelo conhecimento profundo, enfim, éramos buscadores. Hoje, essa trajetória evolutiva parece ter sofrido um curto-circuito. Estamos testemunhando a ascensão de um novo tipo de pária social: […]

Luciana Brites
11.02.2026
Por que as crianças estão perdendo habilidades motoras na era digital?

O aumento do uso de tablets e celulares reduz o tempo de brincadeiras físicas, prejudicando o desenvolvimento motor e cognitivo. Por este motivo, temos notado que muitas crianças estão perdendo habilidades motoras. As atividades para coordenação motora são essenciais para desenvolver a integração de movimentos e a precisão no controle muscular. A coordenação motora global […]

Mardonio Pereira da Silva
10.02.2026
Quando o ódio invade a sala de aula: violência, feminicídio e a negação do Direito em um Estado Democrático

A morte brutal da Professora de Direito e policial civil, Juliana Santiago, assassinada dentro da sala de aula por um aluno do 5º período, não é apenas um crime hediondo: é um ataque frontal ao Estado Democrático de Direito. A barbárie ocorrida no ambiente universitário rompe todas as fronteiras do aceitável e impõe uma reflexão […]