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O papel da Logoterapia em época de Covid-19

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18.03.2020 - 11:28:32

Goiânia – Isolamento social? Talvez a melhor solução para eliminar o Covid-19, o vírus com a capacidade de contágio 2 a 4 vezes maior que o da gripe e nível de mortalidade 20 vezes maior que ela.

 
É importante lembrar que esse isolamento não significa passear, por as compras em dia ou ir ao cinema. Observando familiares, amigos e colegas em locais como China, Irã, Itália, Espanha, EUA e Portugal, percebo que não fazer nada em casa é péssimo, já que pode levar a uma espécie de desespero desenfreado. E desse desequilíbrio entre os dois extremos, surgem algumas atitudes.
 
1. Atitude provisional
Será que “viver um dia de cada vez” é a melhor opção? Quando vivemos nesse estado, e deixamos as coisas acontecendo, não consideramos necessário enfrentar as condições da vida, do destino ou seja do que for! Acabamos por nos alienar do mundo, sem interesse nele e nas pessoas. O que tiver que acontecer, acontecerá! Afinal, pensamos, “não somos livres”.

2. Atitude fatalista
Ao contrário da anterior, esta é a atitude de quem nem acha relevante enfrentar as condições da vida, porque não vale a pena! É a pessoa controlada pela sua superstição ou que aprendeu a obedecer comandos superiores, como um robô que executa sem questionar. É a vida, o divino, o chefe, a biologia, os instintos, o meio, mas nunca a própria pessoa. Isenta-se de ser responsável por qualquer coisa e abre mão da sua própria liberdade.

3. Atitude coletivista
Alcançar essa atitude é deixarmos de ter opinião sobre qualquer coisa, e a opinião nos ter! Tudo é uma generalização de algo que lemos em algum lugar e, geralmente, as coisas mais graves são frescuras de exagerados, enquanto as mais leves podem ser as mais importantes. Tudo se concentra no que o grupo que faço parte acredita e eu, consequentemente, nem percebo que estou concordando sem bases sólidas: abri mão da minha responsabilidade.

4. Atitude fanática
Aqui não abri mão da minha responsabilidade de pensar, mas da minha liberdade de me encontrar com o outro. Desconheço a outra pessoa e não tenho interesse nela. Desconheço outras ideias, porque as minhas são boas o suficiente (ou as melhores!).
 
Estas quatro atitudes giram à volta das ideias do psiquiatra sobrevivente de campos de concentração, Viktor Frankl. Como especialista na Logoterapia, por ele fundada, cabe-me recordar sua visão: o que carece nas atitudes acima é uma vontade de sentido, uma sede em querer fazer algo que mude a nós e ao mundo no qual nos encontramos. E, no panorama atual, é como ele diz: “A orientação de sentido, vista desde a perspectiva psicológica, não é importante só para viver senão também para sobreviver”.
 
Não nos cabe esperar autoridades políticas ajudarem a resolver a situação, pelo “simples fato — diz ele — que ela [a política] é amiúde um sintoma da doença”. O organismo da humanidade passa por processos constantes de criação e destruição e “quando se abre a úlcera e começa a se curar, algo começa a apodrecer em outro lugar”. Então, é necessária uma quinta opção a ser por nós vivida: A ATITUDE CONSCIENTE.
 
Somos capazes de decidir uma opção entre aquelas atitudes. Somos livres para agir da melhor forma para nós e para os demais e responsáveis por cada escolha ante nós. Se opto por sair, ingenuamente, como se as quarentenas fossem férias sou responsável por um possível contágio de outras pessoas em situação de risco. Se opto por ficar em casa e me proteger posso ser responsável pelo extirpar do vírus. Somos seres de opções. A cada momento escolhemos se queremos ser melhores.
 
Então, o papel da Logoterapia é despertar a consciência responsável pela história de nossas vidas e daqueles que amamos (e outros que nem conhecemos). Conscientes que cada livre ação nossa tem a respectiva responsabilidade. E quando tudo terminar, comida poderá encarecer, empregos escassear e saúde lotar como sequelas de semanas de auto-sacrifício. E aí surgirão novas escolhas.
 
É importante pensarmos, hoje, qual futuro queremos escrever. Se a vida fosse um livro, como estaria registrada a nossa contribuição pessoal para que as coisas corram bem? Se por mágica pudéssemos escrever um novo capítulo a partir de hoje, quais os elementos dessa narrativa?

Responder a isso significa perceber a maior força que nós temos: “a responsabilidade do que será o momento seguinte, o cariz que dará à próxima jornada”. Qual cariz você dará à jornada que vivemos juntos hoje?
 
*Sam Cyrous é psicólogo (CRP 09/8178), logoterapeuta, psicoterapeuta de casais e família, storyteller e curador do TEDxGoiânia
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por Sam Cyrous

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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