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O orgulho de compartilhar

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28.08.2020 - 10:22:00
 
O Dia do Psicólogo é  celebrado em 27 de agosto. Data em que, em tempos normais, estaríamos comemorando juntos com os colegas, em espaços suntuosamente decorados, durante lautos jantares; levantando brindes com bebidas elegantes e vestidos rigorosamente para festa. Mas o espectro do Coronavírus mudou a vida dos que oferecem ouvidos e conselhos e também dos que necessitam de suporte psíquico para atravessar fase tão difícil da vida.
 
Nos lares, as relações foram desgastadas pelo excesso de convivência no tempo do relógio: de pais com os filhos, de maridos com mulheres. Fez aflorar o avesso de cada um e de todos simultaneamente. Revelaram-se segredos, comportamentos ocultos e vieram os conflitos. A família confinada começava a desmoronar e, por incrível que pareça, a se distanciar, mesmo nunca estando os seus membros tão pertos uns dos outros e por muito mais tempo.
 
Nas unidades de saúde – públicas e privadas – médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e inúmeros profissionais de todas as especialidades se depararam com o monstro invisível que os ameaça e, por extensão, também todas as suas famílias. Pior: ninguém sabia domá-lo; trata-se de um ser mutante que nos acuou e nos deixou à própria sorte. Uma criatura desconhecida que parece indestrutível. Ele está no meio de nós.
 
O dilema em postos de atendimento e hospitais começou múltiplo: salvar vidas e arriscar a própria? Continuar na linha de frente e comprometer a família? Não fugir ao sagrado juramento de ir até as últimas conseqüências e abandonar filhos, pais, marido, mulher? Com o turbilhão de dúvidas chegaram o desgaste físico, que esses profissionais vem heroicamente superando, e o surto mental, maior legado maldito que esta pandemia vai deixar: a síndrome do pânico.
 
No início da crise viral, tive a honrosa oportunidade de atender gratuita e virtualmente vários desses profissionais, que dividiram comigo a angústia do dilema, na tentativa de manter a sanidade mental para seguirem em frente na missão de recuperar vidas. Também ouvi os casais e seus mais recônditos segredos. Nunca me senti tão psicóloga e nunca essa profissão fez tanto sentido nas nossas vidas; na minha e na do próximo.
 
Neste dia, quero compartilhar com meus colegas profissionais o quanto fez bem a mim e aos pacientes que tive a oportunidade de atender, doar o meu trabalho; ouvir os medos, as angústias, escutar o choro da distância. Me sinto uma pessoa bem melhor. Isso sim é motivo de sobra para comemorar. Feliz Dia do Psicólogo.   
 
*Letícia Guedes é especialista em terapia cognitivo comportamental, terapeuta de casais e sexual hipnoterapeuta.  
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por Letícia Guedes

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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