Jales Naves
Goiânia – Desde criança curioso, que gostava de ler e era disciplinado no que estivesse fazendo, Nilson Gomes Jaime começou sua trajetória profissional aos oito anos de idade na antiga Vila do Alemão, depois emancipada como Palmeiras de Goiás, como jornaleiro. Não apenas vendia ou distribuía os exemplares de jornais que chegavam diariamente no ônibus da manhã, na rodoviária. Ele lia, anotava, recortava, guardava esses recortes e, como não tinha condições de comprar os jornais e livros, criou dessa forma seu acervo particular, para consultas posteriores. Uma rotina que aprendeu, consolidou e manteve ao longo de sua jornada, nesses 64 anos;
O jornaleiro que aprendeu a ler ainda criança, muito interessado e determinado, construiu uma jornada de sucesso: formou-se em Engenharia Agronômica, pela Universidade Federal de Goiás, por onde se tornou mestre e doutor em sua área, realizando pesquisas sobre formigas, e alcançou a imortalidade, conquistando a Academia Goiana de Letras.
Esta é a sua história, que contou em seu discurso de ingresso na AGL:
História
1970, Copa do Mundo, do “país que vai pra frente”, do milagre brasileiro, na cidade de Palmeiras de Goiás, antiga São Sebastião do Alemão, ou simplesmente Alemão, até a derrota dos germânicos, em 1919; Palmeiras, desse ano até 1944; Mataúna, entre 44 e 47; e, por fim, Palmeiras de Goiás, nome dado pela Constituição goiana de 1947. Ano do tricampeonato de futebol pela seleção canarinho.
Até dois anos antes, não havia a luz de Cachoeira Dourada. Um gerador movido a óleo diesel era o motor da pacata cidade fundada por Jonas Alemão, no longínquo 1794. Às 8 horas ligava-se o motor da Celg, “para passar roupa e encher as caixas d’água”. A “rua da Celg”, como todos a nominavam, ficava intransitável com o calor e ruído do imenso gerador que proporcionava dýnamos à bucólica cidade, antes da explosão do agronegócio. Às 9h, completadas as caixas d’água, e passadas as roupas possíveis, “Sebastião da Luz” desligava o gerador. As roupas remanescentes, só com ferro a brasa. O abastecimento d’água, por meio da cisterna, somente com bomba manual, movida a muque e a feijão: 1, 2, 3, 4, tinha que contar até 1.200 bombadas, antes que a caixa se enchesse e derramasse.
Após as oito da manhã, o silêncio, o vaivém das carroças – a do Odílio carroceiro anunciava fretes baratos com ruidosos chocalhos no cavalo — e dos animais ferrados pisando em plac-plac os paralelepípedos de quartzito, assentados por Seo Assussino.
Após as 18h, as moças de saias plissadas azul-marinho e os rapazes de calças boca de sino se punham em marcha para o Ginásio São Sebastião, dirigido com mãos de ferro pelo professor Clemente, ou para a Escola Normal, de doutor Renan. O serviço de alto-falante do Cine Palmeiras tocava Última canção, de Paulo Sérgio, Eu te amo, do Roberto Carlos, ou Hey Jude, dos Beatles, a partir das 20h – assim que se encerrava a missa das 19h na Igreja Matriz de São Sebastião –, anunciando Ben-Hur(1959), Doutor Jivago (1965), ou Dio, come ti amo (1966), este proibido para menores de 16 anos. Em preto e branco ou “em cinemascope colorido”, uma novidade. Às 22h15, desligava-se o gerador de energia e a cidade voltava ao breu, iluminada a vaga-lumes, sujeita somente ao clarão das luas cheias ou crescentes e às trevas da novas ou minguantes. Tempo suficiente para as normalistas chegarem em casa, já que as aulas se encerravam quinze minutos antes. Isso até 1968.
Alheio ao horror kafkiano das masmorras do regime militar, do AI-5 com seus paus de arara, choques elétricos, DOI-CODI e gente exilada, um garoto de 8 anos perambula desatento pelas tardes escaldantes da plácida cidade, pés descalços, calção de elástico, sem camisa, a entregar jornais e tomar banho de córrego. “Folha de Goiaz”, “Correio Braziliense” … Na segunda-feira, o mais vendável de todos: “Cinco de Março” e os editoriais bombásticos de Batista Custódio. Antes de vender, o garoto folheava seu exemplar do jornal e retirava as páginas de história, literatura, ciência, artes, música ou filosofia, para seu acervo, seu google particular, sua Barsa inalcançável.
“Olha o Correio!” – anunciava tímido de porta em porta, trilhando seu itinerário cotidiano: chácara do Sabino Matias, Banco do Brasil, Casa Jordânia, IBGE, Jorge Perillo, Prefeitura, Fórum, Orlando Ferreira, Joaquim Lopes, Zeza e Comary Perillo, Dr. José Mendonça, Geraldino Franco, tio João Jaime… “Olha a Folha de Goiaz!” — seguia o menino jornaleiro, a vender “jornal bom para gente ruim”, ou “jornal ruim para gente boa”. O que importa é aproveitar a drummondiana paráfrase da Morte do leiteiro.
“Na quarta parte nova os campos ara, e se mais mundo houvera, lá chegara”, matuta o menino esquálido no incompreensível verso camoniano, epígrafe do Correio Braziliense. Braços tintos de preto por carregar os pesados jornais, capanga para níqueis, cédulas de 1 cruzeiro ou até notas com a efígie de Dom Pedro II, de dez cruzeiros. No início do mês, dia de entregar revistas para o João da Banca, pela ordem, de baixo para cima, em pirâmide, as maiores até as menores: Fatos & Fotos,Manchete, O Cruzeiro, Contigo, Capricho,Sétimo Céu, Nova e os gibis da Disney. Também a revista infantil Recreio e o sonho inalcançável, os 30 fascículos semanais de Os cientistas que, ao final, formavam um microscópio de verdade, cujas peças acompanhavam cada edição. Esperança que não se concretizou: apenas o filho do bancário tinha dinheiro para tal.
No dia 21 de abril de 1960, um objetivo de duzentos e cinquenta anos se concretizara: Brasília fora inaugurada. A mudança da Capital Federal para o Planalto Central, que transformaria o Centro-Oeste brasileiro nas próximas décadas, fora sonho de José de Bonifácio, Adolfo de Varnhagen (1816-1878), Luiz Cruls (1848-1908) e Juscelino Kubitschek (1902-1976), para citar apenas alguns dos desbravadores que lutaram pelo grande feito.
Esse sonho, verbalizado por JK, está no Livro de Ouro Brasília (1960-2010): “Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino”. O pronunciamento é fruto do improviso, quando o avião DC-3 da Força Aérea Brasileira, que partira às 7h45 de 2 de outubro de 1956, do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, pousou na pista de dois quilômetros, construída na véspera, para receber o Presidente da República:
Um dos maiores defensores da ideia mudancista para o Planalto Central fora o militar, naturalista e jornalista Henrique José da Silva (1865-1935), patrono da Cadeira nº 16 da Academia Goiana de Letras (AGL), na qual tomou assento no dia 25 de junho último. Consequências do apagamento que olvida da historiografia de Brasília a heroica epopeia de tantos goianos, que lutaram pela construção da nova Capital Federal, neste momento em que ele tomou posse nesta nonagenária instituição cultural, teve o privilégio de finalizar o livro “Brasília: o protagonismo de Goiás na mudança”, da Coleção “Goiás +300”, na qual atua como editor-geral e coordenador, ao lado do acadêmico Jales Guedes Coelho Mendonça, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG). Para a consecução do livro contou com os doutores Lenora de Castro Barbo e João Guilherme Curado (organizadores) e cerca de trinta pesquisadores do tema. Nessa obra, Henrique Silva é tema de um dos capítulos, escrito por ele, já que a revista “A Informação Goyana”, editada entre 1917 e 1935 por ele e Antônio Americano do Brasil (1892-1932) é o mais longevo periódico de apologia da mudança da Capital Federal para o interior do Brasil.
Pelos caminhos de pedra lascada de quartzitos da Capitão Machado, o menino jornaleiro se depara com o clique-claque da máquina de escrever de Modesto Gomes, teclando seu Tema Livre, longeva coluna de “O Popular”. Espanta-se o jornaleiro que um escritor resida em Palmeiras. Certo dia, no ano do Sesquicentenário da Independência, o futuro presidente da Academia Goiana de Letras presenteou-o com seu livro de crônicas “As horas e os minutos” (1971). Naquelas ruas tortas e ruas direitas enlameadas caminharam, de botas ou galochas, Jarbas Jayme, patrono, e José Luiz Bittencourt, futuro acadêmico da AGL.
Ao longo da década de 1970, o jornaleiro se esgueirava pela biblioteca proibida de Altamiro Mendonça, na Floriano Peixoto, anos a fio, roubando leitura, com a cumplicidade de dona Constança, esposa mecenas do contador. Tornou-se um “ladrão de leituras”: lia nas frestas do tempo de ausência do proprietário. Foi ali, sob imponentes estantes de vidro, que conheceu Monteiro Lobato, Machado de Assis, José de Alencar e até Voltaire, Rousseau, Newton, Descartes, Darwin e Gregor Mendel, que lia com pouca compreensão. Contudo, ficou ali plantado o germe da pesquisa e da acuidade científica que o marcaria. Causaram-lhe profunda impressão “Cândido ou o otimismo”, de Voltaire, e a “Origem das espécies por meio da seleção natural”, de Darwin.
Na rodoviária de Palmeiras, aguardando a chegada dos jornais, às 10h30 e às 13h30, recebia uns trocados para limpar os cinzeiros e varrer com vassoura sem cabo as bitucas e restos de comida dos ônibus da Viação Paraúna, Viação Souza e Expresso Maia. Em tempos de tabagismo, não era incomum deparar-se com conteúdo gástrico dos passageiros.
Alcançada a Rua Abel Coimbra, à sombra da icônica e bicentenária mangueira, o jornaleiro chegava ao reduto dos irmãos Honestino e Benedito Monteiro Guimarães — jornalistas de Curralinho, hoje Itaberaí —, que se aventuraram a fazer jornal na Vila de Alemão, ao final do século XIX. Aliás, dois jornais: fundaram “Monitor do Sul” (1895) e “A verdade” (1897). “Que diabos jornalistas vieram fazer jornal nesses rincões, naqueles dias?” — perguntava admirado o jornaleiro. Fugir dos temíveis empastelamentos, talvez?
Aos 15 anos o menino deixou o conforto singelo da casa mater-paterna e mudou-se para Goiânia, morando em república de estudantes: de Dona Joaquina, na R-2; de dona Geralda, na P-16, Setor dos Funcionários; e na república de dona Eulália, na 225, Setor Universitário. Todas viúvas que alugavam quartos para estudantes e rapazes do interior.
O jovem trazia apenas mala de madeira aparente envernizada, um sonho no coração e sua coleção de jornais, nessa altura com mais de 8 mil recortes, amarrados com cordões de bacalhau. A incipiente hemeroteca ocupava uma parede inteira do úmido quartinho da R-2, próximo da “praça do racha”, para assombro dos colegas de república.
Naquele quarto minúsculo de república, o jovem jornaleiro descobriu Chico Buarque e toda a MPB. O Chico de Roda Viva eConstrução já não era o mesmo de A Banda e Com açúcar com afeto. A reinvenção do compositor é reconhecida na canção Corrente, de 1976: “Precisa ser muito sincero e claro/ pra confessar que andei sambando errado”.
Ao transitar diariamente, às 6 da manhã, pela Avenida Perimetral, em Campinas, sôfrego, rumo ao Colégio Estadual Professor Pedro Gomes, o jornaleiro meditava sobre a situação política do país. Lia o “Pasquim”, “Opinião”,“Versus” e, principalmente, “Movimento”, seu folhetim preferido. Publicações bem diferentes dos jornais que vendera na infância, sonhos de Assis Chateaubriand, Batista Custódio e Herbert de Moraes Ribeiro, cujo “Jornal Opção”, número 1, em dezembro de 1975, foi o último exemplar a vender em sua vida.
Os jornais alternativos eram mais críticos, mais reflexíveis, diferentemente dos milhares de recortes que amealhara ao longo dos anos, alicerces de sua incipiente cultura. “Amanhã vai ser outro dia”, cantava Chico Buarque no gigantesco rádio “Marechal Electric – 1962”, movido a pilha, que o secundarista mantinha no chão do quarto. O que o outrora jornaleiro descobria, é que as letras impressas em preto traziam em suas serifas o tinto do sangue de muitos jornalistas torturados nos porões do regime. Que para cada palavra composta em tipos móveis, ou em linotipo, havia dezenas de outras que não foram escritas, fruto do arbítrio e dos ditames de um regime antidemocrático. Havia também as palavras impostas, à força, sob coação. Era o tempo da liberdade consentida, da imprensa possível, do jornalismo das frestas. Enquanto isso, o imberbe tirava plantões nas noites de sábado e todos os domingos no Banco de Sangue Goiano, rua 61, centro da capital, comendo sanduíche e bebendo Pepsi-Cola. Com esse trabalho de finais de semana, complementava a pequena mesada recebida da casa mater-paterna para seus estudos.
Aos 17 anos, em 1979, preparando-se para o vestibular, com muito sacrifício de seus pais, transferiu-se para o Colégio Objetivo — “as melhores cabeças”, anunciava a propaganda nas mídias do período. Descobriu que 50% das vagas a que pretendia concorrer para o curso de Agronomia na UFG já estavam reservadas para os filhos de fazendeiros. A Lei Federal nº 5.465, de 3 de julho de 1968, com a falácia de reservar metade das vagas para filhos de agricultores e trabalhadores rurais, beneficiava, na prática, apenas filhos de latifundiários. As leis que protegem os privilégios do patriarcalismo agrário desde o início da escravização, impedindo as pessoas negras de se alfabetizarem e de terem acesso à terra; e que aboliu a escravatura num só artigo, sem reparação, condenando os afrodescendentes das senzalas para os mocambos e favelas, mostrava mais uma vez sua face perversa.
Após ingressar na Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás, vencendo a famigerada “Lei do Boi’, o jornaleiro foi eleito para a diretoria de divulgação do Centro Acadêmico Livre da Agronomia. A pauta principal dessa gestão foi a luta nacional contra a injusta “lei de cotas” do regime militar. Estudando pela manhã e à tarde na EA/UFG, e lecionando Matemática e Estatística à noite, em colégios da capital, o jornaleiro formou-se engenheiro agrônomo em 1984. No início de 1985 foi aprovado em concurso para professor da faculdade em que se formara — seu primeiro emprego após formado –, na qual lecionou por cinco anos. Na UFG, o jornaleiro cursou também o seu mestrado e doutorado. Está escrevendo o livro “Estrela do Cerrado: a Escola de Agronomia da UFG”, que conta os primórdios da primeira faculdade de Agronomia do Centro-Oeste.
Durante 15 anos foi consultor de segurança de alimentos da empresa Alfa Consultoria Agronômica e Industrial Ltda., de sua propriedade, prestando serviços para o Sebrae-GO. Em 1994 foi aprovado em concurso público para Auditor Fiscal da Receita Estadual do Estado do Tocantins, função que ainda exerce.
É um intelectual e um homem de ação. Entre seus hobbies, a bibliofilia – amor aos livros, especialmente a obras raras ou especiais; a entomologia – ciência que estuda os insetos: é autor de uma tese cujo objeto de pesquisa é a mirmecologia, ou seja, o estudo das formigas. A esse respeito afirma que, considerados todos os vertebrados do mundo, o seu peso é inferior ao das formigas somadas: “É a formiga o animal prevalente na Terra”, afirma; e a filatelia temática, que consiste no colecionamento e guarda de selos que contemplam conceitos, história ou assuntos específicos, como monumentos, ecologia ou personalidades históricas.
É “um memorialista, um amante das coisas de Goiás, da nossa terra e da nossa gente”, “um caboclo orgulhoso de suas raízes étnicas, da herança multirracial que caracteriza o nosso povo”, como ressaltou o acadêmico Itaney Francisco Campos, ao saudá-lo. “Causou-me admiração o fato de ser um técnico, um engenheiro agrônomo, ainda que um doutor, porque não se espera de profissional desse matiz a inclinação para as artes do espírito, para as belas letras. Mas essa é uma concepção do vulgo. Sabemos disso, mas somos afetados por esse pensamento menor”.
Nilson se mostra um intelectual de reflexão e iniciativas. Não foge à luta: trabalha na fiscalização tributária; e exerce de forma exuberante a vice-presidência do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, onde é o curador das Exposições Vida e Obra, que mostram a produção bibliográfica de personalidades culturais, com o propósito de homenageá-las em vida. “Fá-lo com critério e competência, expondo na sede do IHGG, em um estande, a bibliografia, e uma produção audiovisual, exibida na abertura do evento, a respeito da trajetória do intelectual reverenciado”, escreveu Itaney.
Preside o Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis Para os Povos do Cerrado (Icebe), com sede na casa de arquitetura suíça no Jardim América, onde residiu o escritor, entidade criada para zelar, preservar e divulgar o acervo cultural do grande ficcionista goiano, exaltando sua memória e reunindo ali os objetos pessoais, de ofício cultural e institucional de Bernardo. Nilson, não se sabe a quanto esforço, restaurou todo o prédio, pintou-o integralmente e modernizou sua infraestrutura, sem desrespeito às características arquitetônicas que o diferenciam.
Durante um ano e quatro meses dedicou-se às pesquisas de onde emergiu o monumental “Família Jaime/Jayme: Genealogia e história”, publicado em 2016, com 1.146 páginas, em que retroage ao século XVIII, na investigação da origem das linhagens familiares, especificamente da família que dá título ao livro. Chega à figura do genearca João Gonzaga Jaime de Sá, Coronel Jaime, filho do comendador padre Luiz Gonzaga de Camargo Fleury, “O Pacificador do Norte”, redator do jornal “A Matutina Meiapontense”, membro da Junta Governativa Provincial após a Independência do Brasil e presidente da Província de Goiás, de 1837 a 1839. Esse notável meia-pontense é trisavô do escritor. Nesse livro, não faz apenas um estudo genealógico: contextualiza no tempo as personalidades citadas, descreve o seu papel social e político, realizando, enfim, um acurado estudo, de relevante valor historiográfico. Aprofunda-se na investigação genealógica ao ponto de retroagir até às figuras do português João Ramalho e do Cacique Tibiriçá, um dos ancestrais mais remotos da família, nos primórdios da formação da Vila de São Paulo. O alentado estudo tem os valiosos prefácios do ex-governador Marconi Ferreira Perillo Júnior, conterrâneo do autor e seu confrade na Academia Palmeirense de Letras, Artes, Música e Ciências – Aplamc; e do acadêmico e poeta Luiz de Aquino Alves Neto, de Caldas Novas, mas também com ascendência em Meia Ponte.
Em 2018, publicou o livro “Frederico Jayme Filho: 50 anos de vida pública”, em que, a par da narrativa biográfica desse parlamentar, quadro histórico do MDB, presidente da Assembleia Legislativa e por quatro vezes presidente do Tribunal de Contas do Estado, descreve a história política de Goiás desde os tempos de Coimbra Bueno, alcançando o quarto governo de Marconi Perillo. Esse estudo biográfico foi prefaciado de forma arguta pelo jornalista Euler de França Belém, acadêmico Geraldo Coelho Vaz e escritor Ramir Curado. Nilson é membro fundador da Aplamc, onde ocupa a Cadeira n° 5, cujo patrono é o genealogista Jarbas Jayme.
Em “Resenhas e Ensaios”, de 2019, Coleção Prosa e Verso, da Prefeitura de Goiânia, Nilson Jaime revela a multiplicidade do seu interesse cultural. Em 11 resenhas ele comenta livros de variegado temário: desde a questão ambiental e meteorológica à produção poética de duas escritoras de Goiás (Sandra Maria e Claudia Machado).
Hoje pertence ao IHGG; Icebe; Academia Goianiense de Letras; Associação Goiana de Imprensa; Aplamc; Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música, Colégio Brasileiro de Genealogia, AGL etc.
No ano em que o jornaleiro nasceu, em 1962, um advogado e professor fora eleito o vereador mais votado de Goiânia: o saudoso amigo Luiz Augusto Paranhos Sampaio (1937-2025), a quem teve a honra de suceder na Cadeira nº 16 da AGL. Luiz Augusto foi quem fez o discurso para sua recepção como sócio titular do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, no dia 11 de setembro de 2018.
O menino jornaleiro assumiu e com ele se assentaram o professor, o diretor de escolas agrícolas, o engenheiro agrônomo, o consultor de agroindústrias, o genealogista, o auditor fiscal, o escritor, o ativista político, o gestor cultural, o amigo, o irmão, o filho, o pai e o avô.
Pretende aprender com cada um dos confrades e contribuir para o aprimoramento da AGL.
