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Lino Rampazzo (Foto: reprodução)

O grupo mais vulnerável no universo dos migrantes e refugiados

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19.06.2026 - 08:50:38

O tema: “Mesmo uma só destas crianças”, escolhido pelo Papa Leão XIV para o 112º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrado no Brasil em 19 de junho, possui grande densidade bíblica, teológica e pastoral. Convida-nos a olhar para as migrações não a partir de estatísticas, mas da dignidade única de cada pessoa, especialmente das crianças.

A expressão remete ao capítulo 18 do Evangelho de Mateus, onde Jesus coloca uma criança no centro da comunidade dos discípulos e diz: “Quem receber em meu nome uma criança como esta é a mim que recebe”. Nesse contexto, a criança representa os pequenos, os frágeis e aqueles que dependem da proteção dos outros. Jesus identifica-se com eles de modo tão profundo que acolher uma criança equivale a acolher o próprio Cristo.

Poucos versículos depois, Jesus acrescenta: “Cuidado para não desprezardes mesmo um só destes pequeninos” (Mt 18,10). Assim, o Evangelho estabelece uma exigência ética clara: ninguém pode ser considerado insignificante ou descartável. O uso da expressão “mesmo um só” é particularmente significativo. Em uma época em que as migrações são frequentemente discutidas em termos de números, fluxos e políticas públicas, o Papa recorda que cada migrante possui um rosto, uma história e uma dignidade própria.

Para Deus, toda vida humana possui valor incomparável. Nenhuma criança migrante ou refugiada pode ser reduzida a uma estatística.

As crianças em situação de migração enfrentam frequentemente separação familiar, pobreza extrema, tráfico de pessoas, exploração laboral, dificuldades de acesso à educação e traumas psicológicos decorrentes de guerras, perseguições ou deslocamentos forçados.

Ao destacar as crianças, o Papa chama a atenção para o grupo mais vulnerável dentro do já vulnerável universo dos migrantes e refugiados.

O tema está profundamente ligado a vários princípios da Doutrina Social da Igreja:

Dignidade da pessoa humana: Toda pessoa é criada à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,27). Por isso, nenhuma criança perde sua dignidade por causa da nacionalidade, da condição econômica ou da situação migratória.

Solidariedade: A solidariedade não é mero sentimento de compaixão, mas compromisso concreto com o bem do próximo.

Bem comum: As sociedades são chamadas a criar condições que permitam o desenvolvimento integral de todos, inclusive dos migrantes e refugiados.

Opção preferencial pelos pobres: As crianças migrantes encontram-se entre os grupos que mais necessitam da atenção da Igreja e da sociedade.

Dimensão cristológica: Um aspecto muito importante é que Jesus não apenas pede ajuda aos pequenos, mas se identifica com eles, quando afirma: “Quem receber em meu nome uma criança como esta é a mim que recebe” (Mt 18,5).

O Papa Leão XIV retoma e aprofunda uma linha constante do magistério recente da Igreja: a necessidade de colocar a pessoa humana no centro das decisões sociais e políticas. Num mundo marcado por guerras, deslocamentos forçados e crises humanitárias, o tema recorda que a resposta cristã começa pela capacidade de ver o rosto concreto do outro. Para Deus, uma única criança abandonada, refugiada ou migrante já é razão suficiente para mobilizar a consciência da Igreja e do mundo inteiro.

Portanto, a acolhida deixa de ser simples filantropia e torna-se encontro com o próprio Senhor. Assim, a criança migrante não é apenas alguém que precisa de assistência, mas presença de Cristo que interpela a consciência dos cristãos.

* Lino Rampazzo é Professor nos Cursos de Filosofia e Teologia da Faculdade Canção Nova

 

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por Lino Rampazzo

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