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O fortalecimento do comércio de bairro

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06.10.2011 - 10:58:52

Ontem passei pela primeira blitz do projeto Balada Responsável (ê, nomezinho, hein…) desde que essa história teve início. Eu estava voltando de uma reunião da Fósforo que rolou no Jardim América. Tinha que deixar minha amiga Grazi em casa e estava indo pela T-10. A blitz estava logo após o cruzamento com a T-1. Uma baita estrutura. Van plotada com o nome da ação, vários policiais, agentes da Agência Municipal de Trânsito (AMT), cones fechando metade da pista. Torci para ser parado. Estava louco para responder “claro que sim” quando me perguntassem se eu me submeteria ao bafômetro. Não rolou. Parece que eles não estavam parando ninguém, não sei por que cargas d'água. Mas ver aquela imponente ação em uma baita quarta-feira me fez refletir sobre uma mudança que está prestes a acontecer em Goiânia. O comércio de bairro vai ser amplamente fortalecido caso o projeto realmente se torne rotineiro.

 

É óbvio que ninguém vai parar de beber por conta de uma lei. Se não aconteceu no auge da Lei Seca nos Estados Unidos, não vai acontecer por aqui também. As pessoas vão continuar ingerindo álcool com a mesma frequência e quantidade de sempre. Só que respeitarão uma nova dinâmica. Nesse sentido, acredito que teremos um fortalecimento do comércio de bairro. O cara vai preferir beber perto de casa, onde ele volta caminhando para a comodidade do seu lar, ao invés de encarar os bares e restaurantes hypados da cidade. E o motivo é simples, pois é justamente nesses pontos mais badalados onde as blitzen estão mais focadas. É mais fácil fazer o cerco onde existe uma concentração de estabelecimentos que vendem álcool do que fechar os pulverizados bares dos incontáveis bairros de Goiânia. Nesse momento, o comerciante de visão irá dar aquele grau no seu estabelecimento de bairro. Dar uma melhorada no cardápio, uma ambientação mais astral, um up no atendimento… Isso vai atrair a clientela que optava antes pelo hype e agora, entendendo a nova ação da lei seca, terá que mudar de hábitos.

 

Outra prática que também vai ser mais rotineira e que, por conseguinte, vai dar mais vigor ao comércio de bairro são os encontros de amigos. Chamar o grupo para a casa de alguém onde o consumo de álcool sem a preocupação da blitz pode ser feito será cada vez mais comum. E isso, mais uma vez, irá movimentar financeiramente o comércio disperso pois as compras serão feitas nas proximidades das casas, no intuito de evitar muita circulação pela cidade.

 

O fato é que vivemos um novo momento na balada de Goiânia e isso vai refletir em hábitos, na economia e na disposição espacial da cidade. Já que aparentemente o poder público não vai agir para proporcionar um transporte público de qualidade no período noturno e nem um táxi a um preço acessível, mais uma vez a sociedade vai ter que arrumar suas soluções por conta própria.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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