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O eleitor está no celular

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07.07.2020 - 16:10:48
Estamos diante de um conflito geracional e cercados de personagens “bem autênticos” que tentam nos convencer, mesmo que momentaneamente, de "verdades tão impressionantes" que compartilhamos, muitas vezes, sem ter o compromisso com a transparência e autenticidade dos fatos. Somos tomados por informações que perdem o valor em questão de segundos.   
 
Consequência do isolamento social imposto pela pandemia causada pelo novo coronavírus, passamos cada vez mais tempo diante das telas dos nossos smartphones. Estamos com alguma dúvida? vamos para os aplicativos de pesquisas. A fome bateu? usamos os aplicativos de food. Queremos diversão? Temos as lives. Reunião? Temos o Zoom. Vamos para academia? Temos um professor virtual… E por aí vai. 
 
Nosso dia a dia virtual ficou muito mais intenso e, talvez, nem tenhamos percebido. Você já parou para pensar sobre quantas vezes olha para seu celular durante o dia? São tantas as vezes que certamente você precisaria da ajuda de um aplicativo para chegar ao número final. Somos dependentes do digital e é bem mais fácil cuidar das nossas vidas assim. 
 
A aceleração digital é uma realidade. O caminho já estava trilhado, mas a pandemia deu uma "forcinha" nesse sentido. No cenário eleitoral não é diferente. Se não vamos viver o “ antigo normal”, para que fazer apostas em uma campanha eleitoral como antigamente? 
 
O candidato que quer sair na frente tem que ser rápido. Mas quando eu digo rápido, é rápido mesmo. Muito mais que "o normal". Onde seu eleitor está? No celular, provavelmente onde você está lendo esse artigo agora. E por que apostar em grandes campanhas de TV se quando o horário eleitoral começa a ser transmitido é para o celular que a grande maioria "corre". Concorda que não faz sentido? Não temos paciência de esperar o botão de “pular anúncio” aparecer no Youtube, imagina assistir a um programa eleitoral inteiro. 
 
Não vamos ter abraços calorosos, caminhadas, e aqueles famosos “tapinhas nas costas” durante o processo eleitoral. Agora, as redes sociais equalizaram a ressonância das propostas e ataques. 
 
O que essa crise está mostrando é que orçamentos de campanhas publicitárias que agregaram valores astronômicos para serem veiculados nas TVs, outdoors e outros meios igualmente ultrapassados se resumem a dinheiro jogado fora. Redes sociais são o caminho para quem quer levar a maior fatia do bolo e sair vencedor no processo eleitoral.  

Para se ter uma ideia, uma pesquisa de opinião do Instituto DataSenado aponta a influência crescente das redes sociais como fonte de informação para o eleitor. As pessoas estão, de fato, atentas às postagens. O que pode explicar as escolhas dos cidadãos nas eleições de 2018. Quase metade dos entrevistados (45%) afirmaram ter decidido o voto levando em consideração informações vistas em alguma rede social. E a principal fonte de informação do brasileiro hoje é o aplicativo de troca de mensagens WhatsApp, segundo o levantamento. Das 2,4 mil pessoas entrevistadas, 79% disseram sempre utilizar o aplicativo de mensagens para se informar.

 
É preciso estar atento. Uma comparação básica com o cenário de marketing político para redes sociais é o mercado de ações. Qual o ativo que mais vale agora? Se é fazer um tiktok, corre lá porque daqui a pouco pode não ser mais. Ontem não tínhamos o Rells. É preciso fazer testes diariamente. Deu certo? Coloca-se mais dinheiro. Não deu certo? #TchauBrigado. Próximo. Tão rápido como o processo é a aceitação de um material e seu desaparecimento nas redes sociais. Mas é assim que o mundo da comunicação funciona agora. Não é preconceito, é observação e estudo de caso. É o “novo” comportamento humano. Marketing de redes sociais bem elaborado é a diferença entre vencer uma eleição ou esperar a próxima oportunidade daqui 4 anos. 
 
Porém, engana-se que trata-se de um caminho fácil. Não é só postar e pronto. Vai além. Construir uma imagem e convencer seu eleitor de que você é a melhor aposta em um período tão curto de tempo é quase como ganhar na mega, principalmente se for um rosto novo na área. A criatividade será o grande diferencial para o marketing de redes sociais nesse processo eleitoral. Ganha quem conseguir se comunicar com o maior número de eleitores.
 
É preciso ter muita coragem para romper com aqueles aristocratas que acreditam na mídia convencional da hora do intervalo entre um programa e outro. Não se esqueçam: estamos no celular.

*Renato Conde é empresário e consultor de marketing político para redes sociais

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por Renato Conde

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