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O Coro Sinfônico de Goiânia na Mostra Online de Coros da ABRACO

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07.09.2020 - 10:23:49
Hoje, 07/09/2020, às 19 horas, o Coro Sinfônico de Goiânia fará o encerramento da Mostra Online de Coros da Associação Brasileira de Regentes e Coros (ABRACO). Tal apresentação, regida por Katarine Araújo, será transmitida pelo facebook da ABRACO.
 
Ainda em 2020, no mês de novembro, está programada uma participação do Coro Sinfônico em um evento internacional. Trata-se do Concierto de Coros de Los Andes – Chile. Evidentemente que, devido à pandemia causada pela Covid-19, o referido evento será realizado de forma online.
 
A maestrina Katarine Araújo é minha convidada, nesta coluna, para uma conversa sobre o Coro Sinfônico de Goiânia.

 

Foto: Kely Carvalho
 

Othaniel Alcântara: Qual o repertório escolhido para a apresentação neste 7 de setembro, no encerramento da Mostra Online de Coros da Associação Brasileira de Regentes e Coros (ABRACO)? 
 
Katarine Araújo: Será apresentada a peça Jubiabá, do compositor mineiro Carlos Alberto Pinto Fonseca (n. 1933). Essa peça foi gravada em um concerto realizado no Teatro Goiânia, em 3 de março de 2020. Naquela oportunidade, fizemos a comemoração – de modo oficial – dos 20 anos de atividades do Coro Sinfônico de Goiânia. O repertório daquele concerto foi concentrado em obras de compositores brasileiros. É importante destacar que foram feitas estreias de obras de autores goianos como: Estércio Marquez Cunha, Fernando Cupertino, Ângelo Dias e Juliano Lima. Enfim, foi da gravação do dia 03 de março que selecionamos a Jubiabá para a Mostra Online de Coros da ABRACO.
 
Othaniel: Então, não será uma live?
 
Katarine: Haverá a participação de vários coros nesta Mostra Online da ABRACO. De acordo com a programação, o dia 7 de setembro foi intitulado “Mostra Histórica”.  Tendo em vista que as gravações datam de antes da pandemia, decidimos colocar algo daquele concerto comemorativo do dia 3 de março de 2020, já que este foi muito marcante para o Coro Sinfônico. 
 
Othaniel: De forma geral, como se dá a escolha de repertório do Coro Sinfônico? Existe a preferência por algum tipo de repertório?
 
Katarine: Desde a minha entrada no coro, em 2017, eu fui experimentando diferentes tipos de repertórios. Fizemos música barroca, renascentista etc. Com o passar do tempo, fui percebendo que existia pouco apelo para a música mais próxima do nosso tempo. Também não se fazia tanto o repertório A Capella. Assim, já no final de 2018, começamos a focar no repertorio A Capella do final do século XX e, em especial, na música francesa que é, na verdade, um repertório bastante desafiador. Além disso, estamos nos dedicando às obras contemporâneas de autores brasileiros.
 
Othaniel: Quando foi criado o Coro Sinfônico de Goiânia?
 
Katarine: Foi criado em outubro de 1999, a partir da fusão da antiga Camerata Vocal de Goiânia com o Coral Municipal. Na época desta fusão, o professor Ângelo Dias era o regente. Desde então, o grupo vem se aprimorando, afinal, Goiânia é um local de boas vozes. Nossa capital é sempre elogiada nesse sentido. Completamos 20 anos de existência em outubro de 2019. Na ocasião, houve uma sessão na Câmara Municipal em comemoração ao aniversário do Coro Sinfônico de Goiás, quando foram homenageadas várias pessoas que passaram por este Coro Sinfônico. Mas a realização do nosso concerto comemorativo só foi possível em março de 2020 [concerto citado na primeira resposta].
 
Othaniel: Nesses 20 anos, além do Ângelo Dias, quais outros regentes estiveram à frente do Coro Sinfônico?
 
Katarine: Me recordo do Vinicius Guimarães, do Paulo Rowlands, do Marshal Gaioso e do Carlos Vitorino.

Othaniel: Qual o principal motivo para a existência de um conjunto musical como o Coro Sinfônico? Ele possui um tipo de público específico? 
 
Katarine: Inicialmente, quando pensamos em um coro profissional, nos vem à ideia aquele coro que se apresenta apenas no teatro, para um público restrito, o qual, geralmente é tido como pertencente a uma elite etc. Mas, não é o caso. O Coro Sinfônico tem feito diversos trabalhos no sentido de difundir e socializar a música em Goiânia. Para tanto, tem realizado, por exemplo, concertos didáticos na periferia da nossa Capital, em especial, nas escolas. Para esses concertos didáticos nós levamos não apenas músicas conhecidas por eles, mas mostramos também um pouco do nosso repertorio.
 
Othaniel: E como tem sido a receptividade desse público?
 
Katarine: Em geral, os músicos têm medo, sabe? Vamos chegar na periferia e apresentar uma peça clássica? Como assim? Música erudita? Na verdade, o público fica maravilhado com o que é novo para ele. De fato, meu primeiro concerto com o Coro Sinfônico foi em uma escola. E quando nós terminamos o Aleluia de Handel, algumas crianças diziam: nossa!! Aquilo foi maravilhoso para a gente. Diante disso, para esses concertos didáticos, montamos um repertório que contempla obras de vários períodos da História da Música.
 
Othaniel: Nesses tempos de pandemia, obviamente que o Coro Sinfônico tem feito suas apresentações pela internet. Como você avalia essa forma de interação com o público?
 
Katarine: Eu avalio de forma bem positiva. No início, achei um pouco estranho porque nós, como artistas, queremos o público por perto, ouvir as palmas e sentir se está funcionando ou não. Na internet, claro, o feedback do público chega de forma diferente, por meio de mensagens, compartilhamentos etc. 
 
Othaniel: Existe um perfil do Coro Sinfônico no facebook?
 
Katarine: Durante a pandemia, temos feito lives no perfil do Instituto Orquestra Cidadã, no formato do que chamamos de “coro mosaico”, que são aqueles vários quadradinhos com os cantores. Obviamente que cada cantor grava da sua casa, depois fazemos a edição, ou seja, a junção das vozes de todos. Como sabemos, por enquanto, é a forma mais segura de se fazer música em conjunto.

Othaniel: Durante a pandemia, além da Mostra Online de Coros da ABRACO (07 de setembro de 2020), o Coro Sinfônico participou de algum outro evento, em nível nacional?
 
Katarine: No dia 30 de agosto deste ano, nós participamos do Festival Internacional de Coros de Porto Alegre “In Linea”. Essa apresentação foi realizada no youtube do Festival. Foi o único coro do Estado de Goiás convidado para esse evento que, além de corais brasileiros de diversas regiões do Brasil, conta com a participação de grupos da Argentina, China e França. O Coro Sinfônico de Goiânia apresentou uma obra dificílima, do compositor Samuel Barber: Agnus Dei. Durante a transmissão, tivemos mais de mil visualizações. Hoje (05/09), o vídeo (no canal do youtube) acusa mais de 8 mil visualizações. Além disso, os comentários foram bem positivos. Esse tipo de intercâmbio é muito importante para o Coro Sinfônico, para uma avaliação e comparação do nosso trabalho em relação ao que está sendo feito no Brasil.
 
Othaniel: Ainda sobre os vídeos disponibilizados na internet, além das apresentações na forma de coral, o Coro Sinfônico trabalha com outras configurações?
 
Katarine: O Coro Sinfônico tem disponibilizado, ainda, vídeos individuais dos coristas. Isso fez com que nossa plateia, mesmo que virtual, aumentasse bastante. Colocamos também no perfil do Instituto Orquestra Cidadã, vídeos da série “Conversa”, contendo curiosidades sobre o universo musical. Essa série é direcionada ao público chamado “leigo”. Nesses vídeos, falamos sobre classificação vocal, solfejo etc. Mais recentemente, estávamos entrando no mundo da Ópera. Enfim, são temas que para nós da área da música são comuns, mas para muitos é uma novidade. Essa série tem tido boa aceitação do público.
 
Othaniel: Vamos voltar um pouco no tempo, para antes da pandemia. Você saberia dizer se durante esses 20 anos, o Coro Sinfônico teve a experiência de ser regida por outros grandes regentes brasileiros?
 
Katarine: Sim. O coro se apresentou também em conjunto com diversas orquestras. Nessas oportunidades, o Coro Sinfônico esteve sob a batuta de grandes maestros, tais como: o consagrado Isaac Karabtchevsky; o inglês Neil Thomson, Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Goiás; Abel Rocha, de São Paulo, que no momento está em Santo André; Benoît Fromanger; Emílio De César, de Brasília; Fábio Zanon. Este último, inclusive, foi quem nos convidou para o importante Festival de Campos do Jordão (Estado de São Paulo) no ano passado (julho de 2019). Esse foi o ponto inicial da nossa turnê nacional.
 
Othaniel: Em quais localidades ocorreram os concertos desta turnê?
 
Katarine: Campos do Jordao e em São Paulo Capital. Nessa segunda cidade, foram dois concertos. Um na Catedral da Sé e outro na Basílica Nossa Senhora do Carmo. 
 
Othaniel: Esse tipo de ação acaba sendo uma boa divulgação em nível nacional para o Coro Sinfônico, não é mesmo?
 
Katarine: Sim. Essas participações trouxeram críticas muito positivas para o Coro Sinfônico. Em síntese, costumam ser destacados aspectos como, por exemplo, o profissionalismo, o equilíbrio vocal e a maturidade. De fato, esses coristas atuam juntos há muito tempo e isso faz muita diferença.
 
Othaniel Alcântara: Obrigado pela entrevista!
_______

Katarine Araújo é natural de Goiânia, Goiás. Possui o título de Mestre em Performance/Regência Orquestral pela Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás (EMAC/UFG). Nessa mesma Instituição, fez o Curso de Licenciatura em Piano. Ao vencer o II Concurso de Jovens Regentes do Theatro Municipal de São Paulo, em 2015, teve como premiação a oportunidade de ocupar, durante o ano seguinte, o posto de Regente Assistente da Orquestra Experimental de Repertório. Atualmente, Katarine Araújo, além do cargo de Regente Titular do Coro Sinfônico de Goiânia, é professora substituta na EMAC/UFG.

 
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por Othaniel Alcântara

*Othaniel Alcântara é professor de Música da Universidade Federal de Goiás (UFG) e pesquisador integrado ao CESEM (Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical), vinculado à Universidade Nova de Lisboa. [email protected]

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