Estão meio na moda, aparentemente, as comédias dramáticas que revisitam o tipo de humor e as neuroses da alta classe média nova-iorquina nos moldes dos filmes de Woody Allen. Neste ano, já tivemos dois: primeiro, o muito bom O Drama e, agora, o também muito bom O Convite. Se o primeiro envolve a tensão, os segredos e os dramas ao redor de um casamento prestes a acontecer, o segundo é sobre as mesmas coisas em um casamento prestes a acabar.
O filme todo se passa em tempo real durante uma noite de semana na vida do casal Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde), quando os dois recebem seus sensuais novos vizinhos do andar de cima, Hawk (Edward Norton) e Piña (Penélope Cruz). Aos poucos, o jogo de aparências vai dando lugar a fragilidades, segredos, dores íntimas e mágoas, conforme o casamento infeliz de Joe e Angela termina de colapsar.
Em primeiro lugar, é preciso destacar a direção de Olivia Wilde, que retorna à cadeira de diretora desta vez com um excelente trabalho. Seu estilo ágil, quase frenético, se mistura com cenas mais contemplativas conforme o ritmo do roteiro desacelera. Ela faz isso com ótimas composições, tirando vantagem do espaço limitado dentro do apartamento para criar quadros dentro de quadros e mesclar closes claustrofóbicos com planos médios, conforme nos aproximamos e nos afastamos dos personagens e de seus sentimentos.
Isso é muito importante, já que filmes de um espaço só tendem a lutar contra a monotonia do cenário e uma encenação excessivamente postiça. O trabalho de câmera, o bom senso nos cortes e a movimentação dos atores ajudam a resolver essa questão.
A cenografia também colabora, não só com espaços caóticos e o bom uso da iluminação do apartamento, mas também com a paleta de cores: todo o apartamento é pintado no infame go away green, um tom incômodo, e a ele se somam os tons opacos das roupas de Joe e Angela, em oposição ao figurino preto tanto de Hawk quanto de Piña.
E, em um filme com espaço e elenco tão enxutos, os atores precisam carregar o drama nas costas. E eles conseguem. Trabalhando com um roteiro afiado, muito engraçado e acelerado de Rashida Jones e Will McCormack, todos os quatro se saem muito bem em seus papéis, em particular Olivia Wilde como Angela, uma mulher com várias emoções reprimidas e prestes a explodir. O elo mais fraco, como esperado, é Seth Rogen que, embora competente, ainda não conseguiu fugir da maldição de sempre interpretar a si mesmo em todo papel.
O resultado é um filme neurótico, divertido e bem filmado, atuado e encenado. Assim como O Drama, vale a pena conferir.
