Rafaela Bernardes, João Unes e Marcos Araken
Aparecida de Goiânia –
Em entrevista exclusiva concedida ao jornal
A Redação, nesta segunda-feira (12/12), o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB), analisou as crises econômica e política, vividas pelo governo do presidente Michel Temer, do mesmo partido. De acordo com Maguito, apesar dos problemas iniciais vividos pelo Planalto, “é um governo bem intencionado”. O peemedista defendeu a necessidade de o Brasil fazer, de maneira urgente, a reforma política.
Na avaliação do prefeito, que recebeu em seu gabinete, na Prefeitura de Aparecida, a repórter Rafaela Bernardes e o diretor-presidente do AR, João Unes, Temer e a equipe econômica estão no caminho correto, ao propor as reformas. Entretanto, de acordo com ele, será necessário “força política” para aprovar alterações importantes para o país, como as regras da Previdência Social. “Todo mundo sabe que a questão da Previdência é um rombo quase que incalculável. E se esse fosso for aumentando, o país daqui a pouco tempo não vai ter condições de cumprir o compromisso com os aposentados”, avaliou.
Maguito afirmou que as mudanças devem ser feitas de maneira gradativa e sem prejudicar os direitos adquiridos dos trabalhadores. Ele disse não ter certeza se haverá disposição do Congresso Nacional para passar as reformas. “Temer está enxergando tudo que precisa ser feito. Agora, vai ter força política no Congresso para fazer as reformas? Se tiver, ele vai botar o caminho certo. Se não tiver, o país vai continuar degringolando”, projetou.
O prefeito disse que o país deve sair da crise, desde que a classe política tenha competência. "A Europa enfrentou crise, os Estados Unidos enfrentaram, os países asiáticos já enfrentaram, os países da América do Sul, enfim. O Brasil não é uma ilha. Ele já teve dificuldades, superou, está tendo e vai superar. Agora, precisa que toda classe política tenha competência, é preciso que todas as instituições sejam fortalecidas e funcionem adequadamente”, afirmou.
Reforma política, a mãe de todas
Para ele, o mais importante é fazer a reforma política, "a mãe de todas as reformas". Maguito justificou a necessidade, por conta dos financiamentos das campanhas. "As coisas foram perdendo a noção do correto. Aí as empresas estatais foram entrando na política e deu no que deu", alegou.
Confira os principais trechos da entrevista
Avaliação do governo Temer
Muito embrionário, inicial, né. Mas é um governo bem intencionado. Os ajustes precisam ser feitos, o país é grande e tem que retomar o desenvolvimento, gerar empregos, incentivar a produção, o agronegócio, a agricultura, a pecuária. Tem que dar um fôlego para os empresários, porque senão o país não retoma o crescimento.
O presidente Temer e a equipe econômica, a meu ver, estão procurando fazer os ajustes corretos. Agora precisa ver se vai ter força política para fazer isso.
Tomo mundo sabe que a questão da Previdência é um rombo quase que incalculável. E se esse fosso for aumentando, o país daqui há pouco tempo não vai ter condições de cumprir o compromisso com os aposentados.
Então, a reforma tem que ser feita. Sem prejudicar os trabalhadores, sem retirar os direitos de ninguém. Agora, ela tem que ser feita gradativamente. Mas tem que ser feita, senão o país vai dar com os burros n´água.
O Temer está enxergando tudo que precisa ser feito. Agora, vai ter força política no Congresso para fazer as reformas? Se tiver, ele vai botar o caminho certo. Se não tiver, o país vai continuar degringolando.
Necessidade da reforma política
Precisamos atentar para uma reforma política imediatamente. Ao meu ver, a reforma política é a mãe de todas as reformas. O processo eleitoral no país está totalmente debilitado.
Todo mundo sabe que antes, todo mundo fazia de conta que prestava contas para a Justiça Eleitoral. E a Justiça Eleitoral fazia de conta que estava fiscalizando as contas e na realidade isso não acontecia.
Aconteceu tudo que aconteceu. As coisas foram perdendo a noção do correto. Aí as empresas estatais foram entrando na política e aí deu no que deu. Se o país não definir bem o que é financiamento de campanha – seja ele público ou privado, mas muito bem definido, muito bem organizado, essa bagunça vai acontecer. Todo mundo vai continuar sem saber o que fazer. Se usa ou não recursos privados para as campanhas, de forma legal ou ilegal. Toda classe política vai ficar sujeita à cassação pelo Ministério Público, pelos tribunais, pelo TRE, enfim, acho que está no momento exato de qualificar.
Otimismo em relação à crise
A Europa enfrentou crise, os Estados Unidos enfrentaram, os países asiáticos já enfrentaram, os países da América do Sul, enfim. O Brasil não é uma ilha. Ele já teve dificuldades, superou, está tendo e vai superar. Agora, precisa que toda classe política tenha competência, é preciso que todas as instituições sejam fortalecidas e funcionem adequadamente. E o povo ajude também, né. Porque, se começar a pipocar problemas Brasil afora, aí o país pode mergulhar em uma revolução civil e todos vão pagar um preço muito mais alto por falta de lideranças, de competência e de estabilidade das instituições.
A democracia existe para dialogar, para encontrar um melhor caminho. A política foi criada para evitar os embates, as guerras civis.