Gabriela Louredo e Kamylla Rodrigues
Goiânia – O ex-governador de Goiás, José Eliton fez um pronunciamento à imprensa pouco tempo depois de deixar a sede da Polícia Federal em Goiânia e afirmou estar tranquilo em relação às investigações da Operação Decantação 2. “ Nunca pratiquei nenhum ato que violasse a regra legal”, disse aos jornalistas no início da noite desta sexta-feira (29/3).
Eliton é investigado pela PF por suspeita de envolvimento em esquema de fraudes em licitações e desvios de verbas públicas na Saneago. Durante o pronunciamento, o ex-governador fez questão de frisar que ele mesmo pediu à autoridade policial para que fosse ouvido. “É importante destacar que eu respeito as instituições e sei do valor de cada uma. As operações são feitas para preservar a sociedade. Foi com muita tranquilidade e serenidade que fiz questão de ir hoje na sede [da PF] prestar os esclarecimentos. Todos os meus atos foram feitos com lisura”, disse.
O ex-governador destacou quais foram os questionamentos dos delegados. O primeiro ponto questionado, segundo Eliton, foi sobre o possível pagamento da Secretaria de Segurança Pública para uma das empresas investigadas na operação. O dinheiro, segundo a PF, voltava em forma de propina ou para abastecer campanha do PSDB.
José Eliton refutou a afirmação. “Esse fato jamais existiu. A sistemática do pagamento do governo não permite tal situação, na medida em que pagamentos de concessionárias e demais áreas do governo são definidos pela área fazendária e não pelas secretarias específicas do governo”, justificou.
Outro ponto destacado foi a utilização de aeronaves durante campanha política, que foram apontadas pela investigação como “contrapartida” por favorecimento de uma empresa no esquema.
“Sobre eventuais usos de aviões, todos os voos foram realizados com contratos de prestação de serviço registrados na Justiça Eleitoral. Os voos de interesse particular foram realizados por meio de caronas”, esclareceu.
Ele disse ainda que não lhe foi perguntado, mas achou por bem esclarecer que ele fez um pagamento ao Carlos Eduardo Pereira da Costa, sócio da Sanefer Construções e Empreendimentos e preso na ação. “Foi feita transferência bancária referente ao pagamento por 99 bezerros, que eu adquiri em 2015, no valor de R$ 101 mil reais. Juntei a cópia da minha declaração de renda e da Guia de Trânsito Animal (GTA). A aquisição de gado está devidamente comprovada e registrada”, disse.
José eliton ainda reforçou que compreende e respeita as investigações e ressaltou que assumiu a Secretaria de Segurança Pública em 2016, o que, segundo ele, impossibilitaria qualquer atuação para campanhas eleitorais de 2008, 2012 ou 2014.
“Eu sequer político era. Sequer tinha mandato eletivo. Todos os pontos ficaram claros e, com muita serenidade, aguardo as conclusões das autoridades. Tenho consciência plena dos meus atos. Nunca pratiquei nenhum ato que violasse a regra legal”, finalizou.