Lucas Cássio
Goiânia – Instaurada há cerca de um mês na Câmara Municipal, a Comissão Especial de Inquérito (CEI) das Obras Paradas já aponta um número maior de obras públicas municipais paralisadas do que o informado pela prefeitura de Goiânia. Em entrevista ao Jornal A Redação, o presidente da CEI, vereador Alysson Lima (PRB), informou que o número pode chegar a 80, divergindo das 40 obras informadas pela gestão municipal ao vereador.
“Fizemos uma vistoria em dois CMEIs na Região Oeste da cidade e, sem querer, descobrimos outras três obras, duas praças de esporte e um CMEI, que não foram comunicados pela prefeitura. Ou seja, a gente corre o risco de ter um contingente ainda maior de obras paradas”, disse o vereador.
Segundo o presidente da CEI, esse primeiro mês da comissão está servindo para fazer um panorama das obras paradas. “É um tema muito complexo que envolve verba federal, contrapartida do município. A gente estava diante de um assunto muito grande, que extrapolava o nosso conhecimento”, ressaltou.
Segundo Alysson Lima, a maioria das obras paradas em Goiânia, cerca de 80%, são das gestões de Iris Rezende e Paulo Garcia. O prejuízo para os cofres públicos seria de cerca de R$ 40 milhões a cada quatro anos. Um levantamento feito pelo vereador mostra que para que as obras sejam retomadas, o poder público deveria desembolsar cerca de R$ 300 milhões.
De acordo com o vereador, só a interrupção da construção do BRT causa um prejuízo de R$1,2 milhão por mês à prefeitura de Goiânia. Além do BRT, estão paradas as obras de 13 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), 17 obras de infraestrutura e 10 na área de saúde, segundo o levantamento informado pela prefeitura.
“Quando começamos a trabalhar esse assunto, o prefeito [Iris Rezende] se posicionou e disse que só vai licitar novas obras em Goiânia quando retomar essas obras paradas. É um resultado imediato da CEI”, afirmou Alysson.
Irresponsabilidade das empresas é um dos motivos apontados pelo vereador Alysson Lima para justificar a quantidade de obras paradas na capital. “A empresa oferece um preço mais em conta para ganhar a concorrência e depois de pouco tempo ela acaba paralisando para forçar os aditivos, mas elas fizeram isso em um momento de crise. A prefeitura não tinha como oferecer contrapartida”, destacou.
A CEI é composta pelos seguintes vereadores titulares Alysson Lima (PRB), GCM Romário Policarpo (PTC), delegado Eduardo Prado (PV), Felisberto Tavares (PR), Sabrina Garcêz (PMB), Milton Mercês (PRP) e Paulinho Graus (PDT).
Unidade Básica de Saúde do Conjunto Riviera
A CEI deve ouvir nesta terça-feira (8/5) os empresários João Henrique da Costa Araújo e Sérgio Eduardo da Costa Araújo, donos da Antares Construtora e Incorporadora Ltda. A empresa seria a responsável pela construção da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Conjunto Riviera, porém o vereador afirma que a "obra também está parada e com graves erros na execução".
A unidade, segundo o presidente da CEI, começou a ser construída com a frente do prédio voltada para os fundos do terreno. Quando o erro foi constatado, a obra foi abandonada. O valor total do contrato era de R$1.197.739,54, sendo que foi repassado à empresa R$ 146.030,19.
O jornal A Redação entrou em contato com a prefeitura de Goiânia para saber se há algum cronograma que prevê a retomada dos trabalhos. No entanto, nossa equipe não teve retorno até a publicação da matéria.