Logo

Novo decreto para concursos públicos: o que muda para os candidatos?

WhatsAppFacebookLinkedInX
12.04.2019 - 14:07:00

Quais são as reais mudanças e impactos dos novos critérios estabelecidos pelo governo para a realização de concursos públicos? Essa é uma dúvida que tem atormentado muitos candidatos que estão em busca de assumir o tão sonhado cargo público.
 
A inquietação está associada ao novo Decreto N. 9.739/2019, publicado no último dia 29 no Diário Oficial da União, que estabelece algumas alterações em procedimentos de concursos públicos e revoga o Decreto N. 6.944/2009.
 
O entendimento inicial de muitos candidatos foi de que o novo governo estava endurecendo as regras dos concursos, dificultando para os órgãos públicos a solicitação de novas vagas para o Ministério da Economia.
 
Em relação aos itens dos 49 artigos publicados no Decreto, serão esclarecidos a seguir os principais questionamentos e implicações da novidade para os candidatos e órgãos públicos.
 
As regras valem para qualquer concurso público?
Na prática, o decreto não afeta os órgãos da administração pública municipal e estadual. Também não abrange os concursos do Poder Judiciário e Legislativo, tampouco das Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista (Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, entre outros).
 
Sendo assim, as novas regras se restringem somente aos órgãos federais da Administração Federal Direta, Autárquica e Fundacional, e o candidato não precisa se preocupar em relação a concursos do âmbito da prefeitura da sua cidade, bem como em relação à esfera estadual, tais como polícia militar, civil, carreiras policiais, entre outros.
 
Qual o prazo para aplicação das novas regras?
O decreto entrará em vigor no dia 1 de junho de 2019, sendo assim, os editais já publicados no âmbito federal não serão influenciados, somente os editais que forem publicados após a data mencionada.
 
Haverá redução de vagas no âmbito federal?
Os órgãos públicos federais deverão atender 14 pontos no momento do pedido de abertura de certame para o Ministério da Economia, sendo que as novas exigências podem, de fato, dificultar o procedimento de abertura de vagas de concursos.
 
Confira alguns dos novos itens que deverão ser esclarecidos pelos órgãos públicos:
 
Descrição do processo de trabalho do novo servidor público;
Perfil do candidato necessário para desempenhar as funções do cargo;
A movimentação de servidores realizadas nos últimos cinco anos, como nomeações e desligamentos;
Números disponíveis em cada cargo público;
A base de dados cadastral atualizada do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal – SIPEC.
 
O que muda em relação ao cadastro de reserva?
O Ministro de Estado da Economia somente poderá autorizar a nomeação de candidatos aprovados além do número de vagas caso haja motivação expressa do órgão, com devida justificativa, bem como a demonstração efetiva da necessidade do provimento, e ainda não podem ultrapassar em até 25% (vinte e cinco por cento) o quantitativo original de vagas.
 
E quanto a validade e prorrogação do concurso?
O novo decreto estabelece que o prazo de validade do certame será de no máximo dois anos, exceto se houver previsão sobre a possibilidade de prorrogação no edital.
 
Haverá mudanças nos requisitos das etapas do concurso?
As fases do concurso, como prova de títulos, prova oral, aptidão física, prática, curso de formação, avaliação psicológica e outras, deverão sempre divulgar os resultados de forma motivada, respeitando o direito do candidato ao contraditório e ampla defesa.
 
Analisando todos os itens mencionados, é possível concluir que o novo decreto dos concursos apresenta poucas vantagens aos candidatos e basicamente revela a tendência do novo governo de enxugar o Estado.
 
*Agnaldo Bastos é dvogado atuante no Direito Público, especialista em causas envolvendo concursos públicos e servidores públicos, Presidente e CEO do Escritório Agnaldo Bastos Advocacia Especialista. 
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Agnaldo Bastos

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Edemundo Dias de Oliveira Filho
17.10.2026
Voto nulo

O voto nulo não é fuga. É declaração. Em um sistema que transforma a urna em ritual obrigatório de adesão, recusar-se a escolher entre as opções apresentadas constitui um exercício lúcido de soberania individual. Não se trata de indiferença, mas de recusa consciente a legitimar o que se considera ilegítimo ou impróprio. A democracia moderna, […]

Marcelo Traldi
16.10.2026
Inovar hoje para nutrir o amanhã

Neste 16 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação (World Food Day), a comunidade internacional é convocada a refletir sobre o tema central de 2026: “Inovar hoje. Nutrir o amanhã”. Esta máxima não é apenas um lema comemorativo, mas um chamado urgente à ação para líderes, indústrias, governos e consumidores. […]

Tânia Queiroz
15.10.2026
Quando a ansiedade decide o que comemos e o que tomamos

No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, o debate costuma girar em torno do acesso e da qualidade dos alimentos. Há, porém, uma pergunta menos discutida, e que ouço todos os dias no consultório e na sala de aula: por que comemos e o que buscamos além do prato? Para muitos brasileiros, […]

Frederico Moraes Xavier
15.10.2026
Educação exige continuidade, não soluções milagrosas

Neste 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Data importante para reconhecer o trabalho de profissionais que exercem uma das funções mais importantes da sociedade, mas também discutir as condições trabalho e os caminhos necessários para melhorar a educação brasileira. Na medicina, assim como em tantas outras profissões, sabemos que a formação de um […]

Domingos Quirino
14.10.2026
A saúde não pode envelhecer

A sociedade civil está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, o país chegou a 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2022, crescimento de 57,4% em comparação com 2010. Esse cenário impõe uma reflexão urgente: se o perfil do paciente mudou, a forma de cuidar também precisa mudar. […]

Chrissia Bandim
13.10.2026
Antes da ferramenta, a gestão do escritório

Na advocacia, o assunto mais recorrente entre os integrantes dos escritórios é saber qual ferramenta de inteligência artificial contratar para elaborar as melhores petições e fazer as melhores intervenções processuais. A discussão é salutar. Mas, qualquer que seja a ferramenta, eficiência e resultado só se conquistam com organização. Quem faz o quê, em quanto tempo, […]

Leonardo Chucrute
13.10.2026
O impacto de um líder vai além dos resultados

Todo líder deixa um rastro. A questão central não está apenas nos resultados entregues, mas no impacto gerado nas pessoas que caminham ao seu lado. Em um ambiente empresarial cada vez mais voltado para performance e crescimento acelerado, é comum associar liderança exclusivamente ao cumprimento de metas, indicadores e resultados de curto prazo. No entanto, […]

Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]