Catherine Moraes
Diante de mais um adiamento da abertura do zoológico de Goiânia, fechado há mais de dois anos, o Secretário de Regularização Fundiária Sebastião Peixoto, responsável pelas obras do parque desde meados de julho, vai se reunir na manhã desta sexta-feira (7/10) com o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia. O valor total da obra é calculado em torno de R$ 2 milhões.
A prefeitura já havia prometido a reinauguração para julho de 2010. Posteriormente, para janeiro de 2011 e, em seguida, para o Dia das Crianças, 12 de outubro. No entanto, na última terça-feira (4/10), representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Ministério Público Estadual (MPE) e Ministério Público Federal (MPF), e da Prefeitura de Goiânia realizaram uma vistoria no zoológico para verificar o andamento das obras. A constatação foi que a abertura não será possível neste ano.
O mês de inauguração ainda não foi confirmado, mas de acordo com a Coordenadora de Fauna do Ibama, Cristianne Borges, o prazo final, solicitado pela Amma, expira em fevereiro de 2012. Caso o parque não fique pronto, a Amma deverá pagar uma multa diária de R$ 100, por cada item que não tenha sido cumprido pelo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2009 por Ibama, MPF e MPE. Cristiane afirma, entretanto, que a evolução da obra está bastante adiantada, em fase de finalização.
De acordo com o Ibama, o parque conta hoje com aproximadamente 480 animais e novos bichos só poderão ser adquiridos após o término da reforma. Após solicitação ser enviada ao Ibama, o órgão realizará vistoria no recinto e, conforme a espécie, pode ou não autorizar a vinda do animal em questão.
Interdição
O parque foi interditado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em julho de 2009, depois da morte de vários animais. Em seis meses de 2009, o parque perdeu dois hipopótamos, um leão, uma onça, um tamanduá-bandeira e duas girafas. O local foi interditado depois da morte do sétimo animal de grande porte, um jacaré-açu de quase 4 metros, com um anzol no estômago.Desde 2009 até o momento, estima-se que mais de 200 animais tenham morrido.
Um inquérito chegou a ser concluído, mas um novo laudo, divulgado em agosto de 2010, fez com que as investigações fossem retomadas. Um exame feito na girafa “Kim”, que morreu em 25 de agosto de 2009, identificou presença do veneno carbamato do tipo Aldicarb, (conhecido como chumbinho), nas vísceras do animal. O produto é proibido na Brasil.
O que diz o TAC
Entre os problemas elencados, o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) destacou recintos inadequados, com sombras e consequente formação de lodos e fungos, instalações precárias do setor médico veterinário, ambulatório e sala de necropsia em espaços compartilhados. Na época, o diretor Raphael Cupertino salientou ainda que o espaço fosse melhor adaptado para as crianças.
Como muros e cercas dificultam o campo de visão infantil, ele garantiu que o zoo iria ganhar paredes de vidro temperado que permitiriam a visualização total do ambiente e do animal. Além disso, as paredes possuiriam isolamento acústico para não estressar os bichos.