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ECONOMIA

Tarifa sobre produtos brasileiros nos EUA entra em vigor no sábado (5)

Entenda o cenário | 02.04.25 - 21:39 Tarifa sobre produtos brasileiros nos EUA entra em vigor no sábado (5) Tarifa sobre produtos brasileiros nos EUA entra em vigor no sábado (5). (Foto: Reprodução)

A Redação

Goiânia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2/4) uma tarifa de 10% sobre produtos brasileiros, medida que passa a valer a partir de 00h01 do próximo sábado (5/4). Em discurso na Casa Branca, o chefe de Estado disse que a mudança vai gerar "trilhões e trilhões" de dólares de benefícios para os cofres do governo americano. Além de usar a expressão "fazer a América grande de novo", ele falou também em deixar o país "saudável economicamente" novamente.

Apelidada de 'tarifaço', a medida era promessa de campanha de Trump e começou a tomar forma em fevereiro. Um memorando publicado pelo presidente na ocasião falava sobre taxar países que cobram tarifas consideradas "injustas" pelos americanos, além de adotar a reciprocidade dependendo dos produtos.
 
Agora, como parte do pacote de tarifas batizado de “Dia da Libertação”, a decisão foi trabalhar com tarifas que chegam a até 49% no caso do Camboja, que cobraria dos EUA tarifas de 97%. A conta, defende o governo americano, inclui manipulação de moeda e barreiras comerciais. 

Impactos esperados
De forma direta, o impacto sobre o comércio brasileiro deve ser relativamente limitado no curto prazo, porque os setores brasileiros mais expostos — como aeronaves, aço e petróleo — não estão entre os principais alvos neste primeiro momento. O que já preocupa especialistas, é o fato de que as tarifas devem elevar a inflação nos EUA, o que pode forçar o Federal Reserve (Fed) a manter juros mais altos por mais tempo. Isso tende a pressionar o real, encarecer o crédito e limitar o espaço para cortes de juros no Brasil.
 
Com isso, mesmo sem impacto direto nas exportações, o país sentiria os efeitos por meio do encarecimento do financiamento externo, desvalorização cambial e aumento da inflação doméstica.
 
O que são tarifas recíprocas?
O conceito de “tarifa recíproca” parte do princípio de equiparar os encargos: se o país A cobra 15% sobre um produto americano, os EUA aplicarão os mesmos 15% sobre o produto equivalente vindo desse país. No entanto, essa lógica ignora aspectos técnicos do comércio internacional e desconsidera compromissos firmados em acordos multilaterais. Para muitos analistas, esse modelo abre espaço para discricionariedade política e acirramento de disputas comerciais.
 
Na tabela divulgada pelo governo Trump, os países foram organizados conforme o nível de barreiras comerciais que impõem aos Estados Unidos. A metodologia adotada considerou três fatores: a diferença entre as tarifas de importação praticadas pelos EUA e por seus parceiros, a carga tributária interna de cada país e a presença de barreiras não-tarifárias.
 
Com base nesses critérios, Washington determinou a aplicação de uma sobretaxa correspondente à metade do chamado “nível de proteção” identificado. A abordagem, no entanto, tem sido alvo de críticas de especialistas, que apontam a imprecisão ao misturar tributos internos com tarifas de importação. Outro ponto controverso é a dificuldade em quantificar barreiras não-tarifárias, como exigências ambientais ou regras de propriedade intelectual.
 
No caso do Brasil, o nível de proteção calculado foi de 10%. Como esse é o piso estabelecido pelo decreto, o país será alvo de uma sobretaxa de 10% sobre suas exportações aos EUA.

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