Adriana Marinelli
Goiânia – Criticada por grande parte dos brasileiros nos últimos meses, a Copa do Mundo no Brasil chega à sua reta final. Mais tímido no início e sem muitas manifestações positivas nas primeiras partidas, o torcedor brasileiro mudou o comportamento e tem extravasado e gritado sua torcida pela seleção de Felipão.
Desacreditada por muitos, a Copa, que contou com manifestação nas ruas contra sua realização, chegou, aconteceu e surpreendeu a todos. Com jogos movimentados, emocionantes e cheios de surpresas, o mundial conquistou mesmo os brasileiros.
Seja no bar ou em casa, com os amigos ou com a família, o que importa é não perder os lances decisivos de cada jogo. Como em grande parte do Brasil, na capital goiana os torcedores lotam bares, restaurantes e boates para acompanhar as partidas. No entanto, há quem não abra mão de reunir os amigos em casa. É o que faz a pedagoga Alline Sousa, de 24 anos.
"Eu adoro juntar meus amigos e minha família para ver o jogo em casa mesmo. Não que ir para algum bar não seja legal, mas fico mais à vontade em casa", afirma. "É tudo muito mais animado, fazemos churrasco, compramos cerveja e nos divertimos em casa mesmo. A animação é garantida", completa.
Pedagoga Alline Sousa (ao centro) com familiares e amigos (Foto: reprodução/Facebook)
Outro que também conta os dias para os jogos do Brasil é o estudante Thiago Menezes de Brito, de 21 anos. Apaixonado por futebol, o jovem garante que tenta se organizar para assistir a todos os jogos do mundial. "Eu curto bastante. Gosto de acompanhar como está o desempenho das outras seleções e fico sempre atento à tabela", conta. Mas, para surpresa de muitos, Thiago não gosta de "muvuca" e afirma que prefere assistir aos jogos sozinho. "Eu até assisto com a turma, mas prefiro mesmo ver sozinho. Me concentro mais assim."
Para a servidora pública Ligia Carvalho de Sillos, 26 anos, a alegria durante a Copa do Mundo é poder sentar em frente à TV e acompanhar a partida em casa na companhia dos amigos e dos familiares. "Acho muito mais confortável", explica. Ligia afirma que já organizou o churrasco para esta sexta-feira (4/7), quando o Brasil entra em campo contra a Colômbia.
Lígia com o namorado, o professor Leandro Bufaiçal (Foto: arquivo pessoal)
Diante disso, observa-se que Goiânia não contesta estudo feita pela LeadPix, em parceria com o Mundo do Marketing, que aponta que 24% dos entrevistados em todo o Brasil estão assistindo ao Mundial em casa. Apenas 11% estariam em bares e restaurantes durante as partidas. Entre os motivos apresentados na pesquisa está o alto preço das bebidas nos estabelecimentos.
Bares e restaurantes
Com pacotes atrativos e promoções tentadoras na maioria das vezes, os bares e restaurantes da capital goiana, que não precisam de motivo para estarem lotados, recebem um público ainda mais impressionante em dias de jogos da seleção brasileira. Assim como a bacharel em Direito, Josy Chaveiro de Carvalho, 34 anos, há pessoas que descartam qualquer convite que não seja ir para o bar.
"Sempre vejo [os jogos] de algum bar mesmo. Me reúno com um grupo de cinco ou seis amigas e vou sempre. Está dando sorte", brinca. Para torcer, Josy não abre mão do figurino verde e amarelo e usa as cores do Brasil até nas unhas. "Sou animada demais com esses jogos, não tem como não gostar. Hoje contra a Colômbia será 2 a 1 para o Brasil", aposta.

Josy de Carvalho (Foto: reprodução/Facebook)
Os que optam por barzinhos ou restaurantes precisam desembolsar alguns reais a mais, mas contam com os serviços de garços e ainda conseguem, em muitas oportunidades, fazer novos amigos, já que são comuns abraços desconhecidos durante comemoração de gols.
Diante da demanda acima das expectativas, o segmento deve faturar durante o mundial mais de R$ 12 milhões em todo o Brasil, segundo previsão da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).
"Não entendo nada de futebol"
Não é novidade que grande parte das mulheres não são amantes de futebol. Mas um jogador bonitinho aqui, uma perna grossa ali ou um bumbum grande acolá podem (e têm) se tornado um bom motivo para atrair a atenção desse público. A também estudante Marina Kran, 22 anos, entrou na onda do mundial e, mesmo sem nenhum conhecimento sobre as regras do jogo, se mantém firme em frente à TV durante as partidas.
"Não entendo nada de futebol, mas é muito homem bonito junto", brinca. "Nesse quesito a seleção do Brasil está em baixa, com exceção do Júlio César e do Hulk, mas nas outras seleções vejo cada um mais bonito que o outro", diz Marina.
Nem aí para a Copa
Enquanto o mundo volta suas atenções para a Copa, há quem simplesmente ignore o mundial. O clima de disputa contagiante não é suficiente para convencer Matheus de Andrade, de 23 anos, tutor de ensino à distância. Para surpresa de muitos, ele prefere assistir filmes ou episódios de suas séries preferidas enquanto o Brasil está em campo. "Não sou ligado a futebol, não faço questão de ver. Por sorte, tenho TV a cabo (risos)."
Matheus de Andrade (Foto: arquivo pessoal)
"Para minha avó ficar feliz, fui ver o último jogo com ela, mas acabei dormindo. Quando acordei já estava na cobrança dos pênaltis", conta.
A realidade é que, com torcedores fanáticos ou não, a seleção de Felipão entra em campo contra a Colômbia nesta sexta (4/7) para uma partida decisiva. Se perder, o Brasil dá adeus ao sonho do hexa. Se ganhar, será o passaporte para a fase semifinal.