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No final, o que conta são as experiências

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03.10.2011 - 11:15:17

Imagine-se no último dia de sua vida. Naquele momento em que você sabe que irá morrer. Seja pela doença que avança e você não tem mais forças para resistir, seja pela batida iminente com o caminhão destrambelhado na rodovia, seja pela arma do bandido apontada para sua cabeça, seja pela pontada aguda no lado esquerdo do peito. Não existe mais dúvidas de que sua hora chegou.

 

Costumam dizer que nesse momento, o qual todos enfrentaremos mas que adiamos ao máximo, tudo o que você viveu passa pelos seus olhos. Desde a mais tenra infância, o primeiro dia na escola, o primeiro beijo, a descoberta solitária da sexualidade, a descoberta a dois da sexualidade, os êxitos, as frustrações, os orgulhos, as vergonhas. Tudo em milésimos de segundo e, pimba!, você já era. Bateu as botas. Está pronto para voltar ao pó.

 

Deixando de lado a possibilidade metafísica, muito particular e subjetiva para entrar nesse debate, o que conta de verdade nessa hora são as experiências. Aquilo que você viveu, de bom e de ruim. Por que desse momento adiante, a consciência não dará mais as caras. Logo, o que faz sua vida ser diferente ou especial são justamente as experiências diferentes ou especiais que você acumulou ao longo dos anos. Aquela viagem inesquecível pelo litoral brasileiro, os momentos junto dos que você ama, as diversões inconsequentes em que você se meteu. No final, é isso que vale de verdade.

 

Por isso que me angustia tanto quem leva a vida como se fosse ter mais um milhão de novas chances. E a probabilidade maior é de que uma vez que você tenha perdido uma oportunidade de viver algo diferente ou inusitado, nunca mais tenha essa chance novamente. É uma simples questão de estatística. Não dá tempo de fazer tudo. E é por isso que não dá para deixar o cavalo passar arreado com essa incômoda e real efemeridade da vida. Urge viver. Urge vivenciar. Urge aproveitar. Urge experimentar. Urge não desperdiçar. Para que perder tanto tempo reclamando de tudo em vez de aproveitar ao máximo? Para que ficar de cara feia para tudo quando o mais legal é sentir o prazer possível daquela possibilidade?

 

Enquanto eles estão procurando os problemas, eu já sei que minha solução é levar a vida com o mínimo de tensão possível. Tenho um lema comigo: o mundo é grande, a vida é curta, o tempo urge. Não posso perder tempo com o irrelevante, com o supérfluo, com o desnecessário. Não posso insistir na mesma experiência, pois existem outras para serem tateadas. E minha obsessão enciclopédica me impele a viver coisas novas. Preciso catalogar as experiências, saber que já fiz determinada coisa e agora posso partir para outros desafios. Até o dia em que eu vá sentir na boca o beijo gelado da morte. Nesse momento, quando minha vida passar diante dos meus olhos, quero pensar: “É… Até que valeu à pena!”. E aí sim dar meu último suspiro e partir rumo ao desconhecido.

 

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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