Sarah Mohn
Goiânia – Em debate realizado na tarde desta terça-feira (27) na Rede Metrópole, os candidatos à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) mantiveram quase integralmente a postura adotada no primeiro encontro entre presidenciáveis, promovido na semana passada pela rádio Vinha e jornal Diário de Goiás. Flávio Buonaduce seguiu linha propositiva, Lúcio Flávio de Paiva preferiu a imersão nos ataques – mas dessa vez em tom menos raivoso –, e Enil Henrique assumiu imagem de entrevistado perdido e inconsistente.
Transmitido pela rádio e pelos canais web e de televisão da Rede Metrópole, os representantes das chapas OAB Forte, OAB Independente e OAB Que Queremos entraram no estúdio com atraso, já que Enil Henrique chegou ao local cerca de 15 minutos após o horário marcado. O programa foi mediado pelo apresentador Debret Bucar e o debate realizado em estilo americano, ou seja, dividido por blocos em que cada candidato faz perguntas direcionadas a todos os debatedores.
Conforme sorteio, Lúcio Flávio, da OAB Que Queremos, foi o primeiro a se apresentar. O candidato usou o tempo de apresentação para fazer ataques aos outros dois debatedores. O candidato argumentou que “ninguém quer esse modelo que aí está e que é representado por duas candidaturas de continuísmo. A OAB Independente e OAB Forte são dissidentes uma da outra”.
Flávio Buonaduce defendeu os projetos que pretende colocar em prática para melhorar o exercício da advocacia, implementar melhorias e aperfeiçoamentos para a categoria. “Nosso grupo tem uma bagagem já experimentada e apresenta propostas objetivas de reestruturação e repaginação desse projeto voltado para os problemas e demandas da advocacia”, iniciou Buonaduce.
Enil não conseguiu esconder a insegurança diante das câmaras, expressando-se com dificuldade. O candidato abriu seu discurso engrandecendo o pouco tempo de gestão da Ordem. “Hoje, completamos pouco mais de oito meses temos um respaldo de toda a advocacia na aprovação desses oito meses de gestão”, alegou.
Logo no primeiro bloco, segundo o sorteio, Flávio Buonaduce questionou Lúcio Flávio sobre sua participação na retomada do horário integral do poder judiciário. Em resposta, Lúcio Flávio acusou o então presidente Henrique Tibúrcio em demorar a resolver o problema que, segundo ele, “não passava de um capricho de um ex-presidente no tribunal”. Apesar da crítica, em seguida o candidato admitiu que a OAB Forte “nesse momento trabalhou bem”.
(Foto: Divulgação)
Enil Henrique rebateu a afirmação de Lúcio Flávio, alegando que não se lembra de ter visto o advogado junto à diretoria da Ordem, no momento em que eram feitos os questionamentos ao Tribunal de Justiça. “Nunca o vi participando de nenhum movimento que venha a defender a advocacia. O vejo de três em três anos se colocando como candidato, mas nunca o vi participando dessas demandas, principalmente, da advocacia do interior”.
Durante o segundo bloco, Buonaduce perguntou o que os candidatos pretendem implementar com as exigências do Novo Código do Processo Civil (CPC), no que diz respeito às práticas advocatícias. Ao responder, Lúcio Flávio e Enil Henrique demonstraram desconhecimento sobre o tema.
Enil Henrique se limitou a falar sobre as questões da mulher na advocacia, que é apenas um dos temas relacionados às normas do novo CPC, e que já foi encampado como proposta de Buonaduce. Já Lúcio Flávio não respondeu à pergunta e se restringiu a fazer novos ataques. “A verdadeira advocacia está nos corredores do Fórum, no Tribunal. A realidade é que o grupo que vocês representam ficam dentro do ar condicionado, enquanto a grande maioria está no sol e na chuva, defendendo a advocacia no dia a dia da profissão”, disse.
Ao retomar a palavra, Flávio Buonaduce reforçou que nenhum dos candidatos respondeu corretamente a pergunta. Segundo Buonaduce, “é lamentável que nenhum dos dois candidatos entendeu a questão. A implementação do novo CPC obriga a modificação cultural do advogado, implementando regras de mediação, conciliação e arbitragem para que o advogado deixe de ser um mero litigante”.
(Foto: Divulgação)
Durante o debate, o candidato da OAB Forte destacou ainda que por meio do movimento Observatório da Advocacia Goiana, criado em sua pré-campanha como mecanismo para ouvir as demandas dos advogados, surgiu a proposta de estruturação de uma Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem na OAB-GO.
Outro assunto que ganhou destaque nas redes sociais após o debate foi a erro gramatical utilizado no discurso candidato da chapa OAB Independente. Em vários momentos, Enil Henrique usou de forma incorreta a língua portuguesa, como no emprego da palavra “seje” no lugar da correta “seja”.