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Nicolas Cage em 'Spider-Noir' (Foto: divulgação)

Nicolas Cage é um deleite em ‘Spider-Noir’

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28.05.2026 - 10:12:20

Estrearam nesta semana todos os oito episódios da primeira temporada de Spider-Noir, no Prime Video, estrelada por Nicolas Cage. Nela, o ator reprisa seu papel de Ben Reilly e o seu alter-ego, o Homem-Aranha Noir, personagens dos quadrinhos que ficaram mais conhecidos pelo grande público na animação Homem-Aranha no Aranhaverso (2018), no qual Cage dublou o personagem.

Desta vez, ele retorna em carne e osso com uma clássica trama de detetive misturada com elementos de super-herói na Nova York dos anos 1930. As inspirações são óbvias: os filmes noir dos anos 1930 e 1940 com muita fumaça, femmes fatales, um protagonista cínico e com um passado sombrio, mas que revela um coração de ouro na hora H, muito jazz, etc. A trama não é grande coisa: existe uma conspiração envolvendo o maior mafioso da cidade, o prefeito e uma bela cantora de boate que sabia demais, elementos que vão forçar nosso herói a salvar Nova York.

O ponto mais forte da coisa toda é, facilmente, a atuação de Nicolas Cage em sua primeira série de TV. Como ele tem afirmado em entrevistas, o ator só passou a acreditar no potencial narrativo da televisão após assistir Breaking Bad e abraçou a oportunidade única de desenvolver o personagem de Reilly por oito episódios. E que jornada isso é! Cage traz todos os seus maneirismos e décadas de experiência em um semi-tour de force que se torna o centro gravitacional de toda a série.

Claramente se inspirando no grande Humphrey Bogart, conhecido por clássicos atemporais como Casablanca e O Falcão Maltês, Cage cria sua própria versão de Bogie, incorporando características do ator ao seu próprio estilo. O resultado é imperdível, envolvente e, como sempre pode se esperar de Cage, autêntico e intenso. É facilmente sua atuação mais dedicada em uns bons 20 anos.

O Aranha em ação (Foto: divulgação)

Além disso, a série dá uma escolha à audiência: é possível assisti-la em preto e branco, como foi filmada, por um visual inspirado nas obras da época, ou digitalmente colorizada. Mas nem só de homenagens vive Spider-Noir: há algumas escolhas que introduzem modernismos estilísticos no seriado, mesclando e às vezes até confrontando uma abordagem mais clássica com uma mais contemporânea.

O resultado é misto: às vezes, a série até surpreende por uma sacadinha visual ou outra que escapa da forma ultrarrestritiva das produções de super-heróis recentes. Outras vezes não dá certo, mas a arriscada proposta vale a pena: já é mais do que se permitiu a inacreditavelmente engessada segunda temporada de Demolidor: Renascido. Aqui temos ocasionalmente ângulos interessantes, transições elaboradas e até mesmo um episódio com sequências de sonho e ilusões que adentram o campo do estranho. Não é ousado no grande esquema das coisas, mas é bem ousado para o padrão Marvel de qualidade.

Porém, se acalme: não temos aqui uma obra-prima. Longe disso: seu estilo, cinematografia e direção de arte, somadas à performance imparável de Cage, são seus pontos fortes. Narrativamente, a série tropeça horrores, com uma trama na melhor das hipóteses banal. Você já viu esse filme várias vezes. A atuação de boa parte do elenco principal é unidimensional e sem sal e é totalmente ofuscada por Cage.

Enfim, Spider-Noir é uma boa série para ver de maneira descompromissada e um caso bem marcado de forma sobre conteúdo:  vale muito mais a pena ver a série por seu estilo e pela maravilhosa atuação de Cage do que por sua trama, que é sem graça, deixando esse aspecto em segundo plano. Não vai mudar sua vida nem marcar sua memória, mas é divertida e vale por cada segundo de Cage em cena.

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por José Abrão

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

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