Yuri Lopes
Goiânia – O ministro da Saúde Nelson Teich anunciou, no início da tarde desta sexta-feira (15/5), que pediu demissão do cargo de ministro. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do Ministério.
Teich completaria um mês no comando do Ministério da Saúde neste sábado (16). Ele assumiu o ministério após saída de Henrique Mandetta, que foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro, por divergência de pensamentos sobre o enfrentamento da pandemia de covid-19 no Brasil.
Teich se reuniu na manhã desta sexta com o presidente Bolsonaro, em compromisso fora da agenda oficial, por cerca de 15 minutos.
Segundo a CNN, o secretario-executivo do Ministério da Saúde, Eduardo Pazuello, é o mais cotado para o cargo deixado por Teich.
Divergências com Bolsonaro
Teich ainda não apresentou os motivos que justificam sua saída do ministério, mas o ministro colecionava divergências com o presidente Bolsonaro sobre as medidas de combate à covid-19.
A mais recente delas foi em relação ao ultimato que Bolsonaro deu a Teich, para que o ministro recomendasse o uso da cloroquina em casos leves de pacientes com covid-19, mesmo sem evidências científicas so uso do medicamento no tratamento geral da doença.
“Cloroquina hoje ainda é uma incerteza. Houve estudos iniciais que sugeriram benefícios, mas existem estudos hoje que falam o contrário”, escreveu Teich no Twitter, no dia 29 de abril.
Outro atrito entre Bolsonaro e Teich se deu quando o presidente assinou decreto incluindo salões de beleza e academias na categorias de atividades essenciais, sem a concordância do Ministério da Saúde, embora o ministério tenha sido citado no documento de Bolsonaro para justificar a medida.
Outro ponto de discordância entre o ministro e o presidente trata do plano de saída do isolamento. Bolsonaro defende saída mais rápida, enquanto Teich acredita que é necessária a realização de estudos e acompanhamento de avanço da doença para definir data de flexibilização do isolamento.