Théo Mariano
Goiânia – O rosto corado, brilhante, e a mão cheia de papeladas traduziam a pressa pelo momento que se aproxima: o término do mandato. A postos, sentada à mesa de reunião para entrevista exclusiva ao jornal
A Redação na tarde desta quarta-feira (2/12), a vereadora Dra. Cristina afirmou, enérgica e solene ao mesmo tempo, “não colecionar arrependimentos” após ser perguntada se faria algo diferente do que foi feito enquanto candidata pelo Partido Liberal (PL) nas eleições deste ano em Goiânia. Para ela, sua campanha foi “sabotada”.
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Segundo a parlamentar, as possibilidades “reais” e “concretas” para ser candidata na capital goianiense estavam no PL. “Eu tive boa fé, acreditei no que foi acordado. Mas infelizmente o acordo não foi cumprido”, relatou. Cristina Lopes destacou, porém, que o não cumprimento de um compromisso de “tal natureza” gera “desconfiança enorme” sobre o partido. “Tenho convicção de que os dirigentes do PL em Goiás terão dificuldades para construir chapa em 2022”, prosseguiu.
Dra. Cristina Lopes, vereadora em Goiânia / (Foto: Esther Teles/A Redação)
Contrária à reeleição, a vereadora, atualmente em seu segundo mandato, enfatizou que passar mais quatro anos na Câmara Municipal de Goiânia não era um plano. “Desde o início do meu mandato eu afirmei que não buscaria uma terceira ida para o Legislativo e dei início ao meu plano para disputar a prefeitura”, contou. Em 2016, Dra. Cristina foi eleita como a segunda mais votada (9.114 votos) entre os candidatos à época.
Antes de chegar ao Partido Liberal, comandado em Goiás por Flávio Canedo e a deputada federal Magda Mofatto, a vereadora deixou o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) depois de longa trajetória sob filiação da sigla. Até então, Cristina Lopes justificava a troca por não ter “oportunidade” e “espaço” entre os tucanos para ser pré-candidata a prefeita de Goiânia. Após a negativa dos pessedebistas, a parlamentar bateu asas e migrou para o PL, sob promessas de que seria “a primeira prefeita eleita” na capital. “Chegaram ao extremo da valorização da minha candidatura para, depois, me negociarem”, descreveu.
“Marimbondo sem ferrão não vale nada”
A vereadora ainda relatou que, ao longo da pré-campanha, recebeu diversas propostas de lideranças emedebistas, como Daniel e Maguito Vilela, para ceder aos acordos políticos, considerados por ela como "habituais", e abandonar a campanha pela prefeitura da capital. “Em minha última conversa presencial com Maguito, sugeri para que pudéssemos retomar a negociação no segundo turno, para disputarmos o primeiro turno de maneira independente. Então, ele [Maguito] usou uma expressão que eu desconhecia: ‘marimbondo sem ferrão não vale nada’.”
Dra. Cristina Lopes, vereadora em Goiânia / (Foto: Esther Teles/A Redação)
De acordo com Cristina Lopes, o bordão veio acompanhado de uma alteração no humor do prefeito eleito. “Eu respondi: ‘Bom, o senhor não me conhece e não conhece o tamanho do meu ferrão”, detalhou a parlamentar. “A escolha [de não ter o meu apoio] foi deles”, acrescentou ao relembrar, em tom queixoso, que teve sua mão levantada por dirigentes do PL durante convenção partidária.
Inclusão e a largada da renovação política
Após ser perguntada sobre as eleições deste ano, um semblante esperançoso marcou as expressões e voz da vereadora. Para Cristina Lopes, o pleito de 2020 mostrou que diversas pessoas de grupos pouco ou nada representados na política se colocaram à disposição da sociedade.
“Há uma tendência de crescimento da credibilidade e, consequentemente, do voto depositados às candidaturas de mulheres”, avaliou a parlamentar. Dra. Cristina destacou, neste momento, o desempenho da Delegada Adriana Accorsi (PT), que ficou em terceiro lugar na disputa pela gestão de Goiânia.
“Isso é um despertar. O que acontece na política é haver um desequilíbrio muito grande nas representações”, prosseguiu. “Não temos vozes diversas dentro do Executivo e do Legislativo. Isso traz desequilíbrio para o dia dia, porque as pessoas não são representadas.”
A vereadora também afirmou ter percebido mais candidaturas LGBTQIA+, de representantes de movimentos negros e de pessoas com deficiência. “Como eu posso pensar numa cidade para um cadeirante ou um cego se eu não sei como é ser cadeirante ou cego”, questionou. Para ela, as mobilizações de tais grupos, no sentido de buscar espaço político, são “muito positivas”.
Os próximos passos na política
A parlamentar contou que, após o término de seu mandato, retomará os serviços como professora de graduação e pós-graduação. “Eu estou também na construção de um projeto para atendimentos de pacientes, com fisioterapia especializada em tratamento de queimaduras”, adiantou.
Com olhos voltados às eleições de 2022, Cristina Lopes diz já haver um “reconhecimento” de sua imagem como alguém que faz política “pelo coletivo”. “Esperamos que, nos próximos dois anos, ampliemos a inserção de nossa imagem no interior. Além disso, vamos partir para a escolha de um novo partido”, disse, ao concluir em tom cômico que “espera não errar” na hora de se filiar a outra sigla.