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Na contramão de NY, Ibovespa vai a 165 mil pontos em novos recordes históricos. (Foto: Reprodução)

Na contramão de NY, Ibovespa vai a 165 mil pontos em novos recordes históricos

Confira análise do cenário

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14.01.2026 - 21:25:49

São Paulo – O Ibovespa chegou a titubear, cedendo parte do ímpeto na última hora do pregão, mas recobrou fôlego mesmo com a reviravolta sobre o petróleo, no fim da tarde desta quarta-feira (14/1), que vinha amparando desde cedo o salto nas ações de Petrobras. Resiliente, o índice renovou tanto o recorde de fechamento aos 165.145,98 pontos, em alta de 1,96%, como também o intraday, aos 165.146,49 pontos, bem perto do ajuste final.

Foi a maior alta em porcentual desde 22 de agosto (+2,57%) para o Ibovespa, que já vinha muito bem até as 17h quando, pontualmente, perdeu parte da força com o sinal de que o governo dos Estados Unidos pode vir a mostrar uma tolerância maior com o Irã – o que resultou em uma guinada no petróleo, de ganhos para perdas de 2% em Londres e Nova York, no pior momento da tarde para os preços da commodity.

O retrato final do dia, contudo, foi de Ibovespa pela primeira vez a 165 mil pontos em fechamento, rompendo com folga a máxima histórica de encerramento, de 164.455,61, de 4 de dezembro. Nesta quarta-feira, 14, de muita força no índice, o Ibovespa saiu de mínima a 161.974,19 pontos correspondente ao nível de abertura. Ao fim, com giro reforçado a R$ 65,5 bilhões pelo vencimento de opções sobre o índice, o Ibovespa amplia o ganho agregado na semana a 1,09% e o do ano a 2,50%.

Como na terça-feira (13/1), a pressão de alta sobre o petróleo deu impulso ao setor de energia desde cedo, tendo Petrobras mais uma vez à frente. Contudo, alta de mais de 5% na ON e de 4% na PN, na etapa vespertina, foi acomodada na reta final do dia, com a mudança de sinal da commodity em Londres e Nova York após declarações do presidente americano, Donald Trump. O petróleo, que subia quase 2% mais cedo, chegou a cair quase 3% nas duas praças no fim da tarde, com a observação de Trump, no sentido de que execuções de manifestantes no Irã teriam acabado.

O comentário foi interpretado como uma redução de tom na retórica do presidente dos EUA, que havia sinalizado a intenção de mobilizar inclusive meios militares contra o país persa, importante produtor de petróleo, caso prosseguisse a repressão de manifestantes que resultasse em mortes. Ao fim, Petrobras ON marcava alta de 3,63% e a PN, de 2,73%. Tal relativa acomodação foi mais do que compensada por Vale ON, principal papel do Ibovespa, em alta de 4,74% no fechamento. Também contribuiu o ganho de fôlego das ações de grandes bancos na reta final, em alta que chegou a 2,08% (BTG Unit) no encerramento. As demais instituições mostraram avanço entre 1,10% (Itaú PN) e 1,81% (Bradesco PN) na sessão.

Para Luise Coutinho, head de produtos e alocação da HCI Advisors, papéis que estão entre os carros-chefes da B3, como os de Vale, Petrobras e Itaú, também foram favorecidos por fluxos de compra na sessão, em razão de “recomendações positivas de grandes bancos de investimento para o mercado brasileiro”. Na ponta ganhadora do Ibovespa, além de Vale, destaque também para Bradespar (+4,32%) e TIM (+4,30%). No campo oposto, MRV (-5,34%), Rumo (-4,26%) e Marcopolo (-2,21%).

Em análise gráfica, a equipe de pesquisa do Itaú BBA para ações observa que o Ibovespa mostrava sinais de que ainda não estaria “pronto” para superar a resistência mais importante: a região da máxima histórica intradia de 165 mil pontos, vista durante a sessão de 5 de dezembro último e rompida no fim da tarde desta quarta.

“É importante destacar que, mesmo que o índice renove sua máxima histórica intradia, ainda não teremos a máxima dos últimos 12 meses na maior parte dos índices setoriais, o que pode manter o mercado seletivo por mais algum tempo”, acrescenta o Itaú BBA, em relatório divulgado mais cedo. Ainda assim, a equipe de pesquisa do banco aponta que, se o índice viesse a superar a região dos 165 mil pontos, passaria a mirar, como primeiro objetivo, a marca de 180 mil pontos.

Tensão geopolítica no Oriente Médio

Na sessão desta quarta-feira (14/1), o prosseguimento da tensão geopolítica no Oriente Médio fez com que a exposição da Bolsa brasileira às ações de Petrobras e ao comportamento da commodity descolasse o Ibovespa do dia negativo em Nova York, onde o S&P 500 cedeu 0,53% e o Nasdaq, 1,00%. A incerteza sobre a possível intervenção direta dos Estados Unidos na turbulência interna do Irã levava o petróleo a subir mais de 1% na sessão, mais cedo, em avanço construído sobre um ganho superior a 2% no dia anterior. Contudo, os mais recentes comentários de Trump, do fim da tarde, foram recebidos como um apaziguamento, retirando a pressão de alta que se via sobre os preços da commodity.

“O setor de petróleo ainda ajudou bastante com a tensão no Oriente Médio. Pelo peso que tem na B3, foi fundamental para este descolamento de Nova York”, diz Patrick Buss, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

Mesmo amparado pela tensão global, o Ibovespa também refletiu em segundo plano fatores domésticos, como a nova pesquisa eleitoral Genial/Quaest. O levantamento trouxe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda à frente dos demais potenciais candidatos, mas com uma margem menor de diferença. “Consideramos que a pesquisa mantém Lula como favorito, mas traz sinais de alerta para a campanha de reeleição do petista”, aponta em nota a Warren Investimentos.

“Ponto de alerta para Lula: no grupo de eleitores que fogem da polarização ou se colocam como independentes, identifica-se certa fadiga com o presidente”, acrescenta a casa, observando que, nesses agregados, “64% dizem que o presidente não merece ficar mais quatro anos”.

Por outro lado, a Warren aponta também que a “fragmentação da direita prejudica bastante” uma eventual candidatura à Presidência de Tarcísio de Moraes, governador de São Paulo e candidato preferido do mercado, por ser considerado como o mais comprometido com um futuro ajuste fiscal – a partir de 2027, caso eleito ao Planalto. A Warren observa que Tarcísio tem melhor desempenho, no primeiro turno, quando se reduz a fragmentação ainda observada no campo político à direita.

“Tarcísio emerge como um candidato que pode rivalizar com Lula, refletindo uma mudança no cenário eleitoral”, diz Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital. Segundo ele, a relativa melhora de Tarcísio pode influenciar sua decisão sobre candidatura, mesmo que, atualmente, dependa da aprovação de Jair Bolsonaro – que preferiu, até o momento, apoiar o filho e pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). (Agência Estado)

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por Agência Estado

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